COM O TEMPO UMA IMPRENSA CÍNICA, MERCENÁRIA, DEMAGÓGICA E CORRUPTA, FORMARÁ UM PÚBLICO TÃO VIL COMO ELA MESMO

Joseph Pulitzer
Mostrar mensagens com a etiqueta Colaboração. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Colaboração. Mostrar todas as mensagens

quinta-feira, 24 de setembro de 2015

24/9 - O que explicar às crianças ??

24 Setembro, Independência Refém da Liberdade!!

Como explicar às crianças que têm a Independência, mas ainda não têm a Liberdade?!

Como explicar que a Luta continua "Companheira" da Esperança?!

Guiné-Bissau!? Nada a dizer!

Do passado ao presente.

Da alegria à tristeza.

Atitude!


Hoje...apenas Silêncio!!

 
(de ACI, 24/9/2015)

terça-feira, 22 de setembro de 2015

Vinte e quatro de Setembro...




Ex-PM Simões Pereira poderá ser o novo chefe da diplomacia guineense

O PAIGC e o PRS, principais forças políticas na Guiné-Bissau, têm estado em reuniões nos últimos dias com vista à formação de um novo Governo a ser liderado por Carlos Correia. 


Em Bissau, aguarda-se pela formação do novo Governo que será liderado por Carlos Correia. De acordo com várias fontes do Partido Africano de Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC) ouvidas pela DW África, Carlos Correia sugere que o primeiro-ministro demitido a 12 de agosto, Domingos Simões Pereira, ocupe a pasta do ministério dos Negócios Estrangeiros. Por várias vezes, o também líder do PAIGC tem-se manifestado disponível para integrar o novo elenco governamental desde que o chefe do Governo assim o entender.
O sociólogo guineense Miguel de Barros não vê obstáculos que possam impedir o regresso de Domingos Simões Pereira ao Governo, à frente da diplomacia guineense.

"Essa é uma decisão que cabe, em primeiro lugar, a essas figuras e, em segundo lugar, ao chefe do Governo. Acho que não devemos entrar num periodo de exclusão de partes, porque isso acaba por fazer com que os níveis de tensão, de desconfiança e até de uma certa barricagem política compliquem a situação", afirma o analista. "Neste momento, não é aconselhável transportarmos aquilo que são as lutas partidárias para as estruturas do Estado", avisa.
Entretanto, fontes do PAIGC avançam ainda os nomes de Geraldo Martins para o ministério da Economia e Finanças e Cadi Seide de novo para a Defesa. Estes nomes fazem parte da lista a ser enviada ao Presidente da República, José Mário Vaz.
 
 
Novas caras no Governo de Carlos Correia

As novidades no Executivo guineense serão Vicente Fernandes, líder do Partido da Convergência Democrática (PCD) - que deverá sair da secretaria do Estado de Turismo para uma pasta ministerial -, bem como Idrissa Djaló, presidente do Partido de Unidade Nacional e uma das vozes críticas à actuação do Presidente da República durante esta crise.
Convidado a prever o futuro imediato do país, Miguel de Barros, sociólogo guineense, do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisa (INEP), sobre Estudos Sociais, em Bissau, e investigador do CODESRIA - o Conselho para o desenvolvimento da pesquisa em Ciências Sociais, sediado em Dacar - traça o perfil de quem deve ser membro deste novo Governo, destacando que "a dimensão tecnocrática é fundamental".

"Quadros nacionais com experiência no país ou no exterior, competências comprovadas que possam ser capazes de uma ação executora do Governo numa lógica que permite garantir a confiança da própria população, no sentido de saber que existem capacidades a trabalhar no Governo", explica.
Para o sociólogo guineense, a população da Guiné-Bissau deve ser capaz de exigir ao novo Governo que inclua figuras que estejam acima de qualquer suspeita "quer sob o ponto de vista da sua conduta moral ou da sua passagem por outros Governos, nomeadamente no que diz respeito às questões ligadas à transparência da gestão da coisa pública".
Ação governativa
Segundo Miguel de Barros, os ministros e os titulares dos órgãos públicos num contexto de fragilidade do Estado "têm de ser autênticos embaixadores nos seus pelouros. Por outro lado, devem ter também um reconhecimento internacional que lhes permita fazer com que a acção governativa não seja centralizada na figura do primeiro-ministro", conclui.

Sobre um pacto de estabilidade que deverá assinado pelos atores políticos e sociais para garantir a estabilidade governativa, Miguel de Barros considera que vem demasiado tarde. "Do ponto de vista governativo, aspetos como, por exemplo, o respeito pela Constituição, as margens onde cada órgão de soberania deve atuar, deveriam ter sido clarificadas naquela altura".
Entretanto, o Partido da Renovação Social promete dizer 'sim' ou 'não' à sua participação no próximo Governo apenas nesta terça-feira (21.09). A segunda maior força política confirmou apenas ter recebido o convite para integrar um novo Governo do PAIGC.

(Braima Darame, Rádio Jovem)


quarta-feira, 16 de setembro de 2015

Para ler com os olhos, com a mente e com o pensamento





Depois de ver o STJ iluminar a Guiné-Bissau acerca do capítulo relativo aos poderes do Presidente da República conhecido como JOSÉ MÁRIO VAZ...
CHEGOU A HORA DE LER E CONHECER MAIS UM CAPÍTULO DA NOSSA QUERIDA CONSTITUIÇÃO!!

ANTES DE ENTRAREM EM DEBATES SUICIDAS TIPO KAMIKAZE, LEMBREM-SE QUE JOMAV JUROU DEFENDER ESTA CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA DA GUINÉ-BISSAU E NÃO A CONSTITUIÇÃO DE OUTRO PLANETA QUALQUER DE NOME CALEQUISSE!!
OS JUÍZES E TODOS OS MEMBROS DO GOVERNO TAMBÉM JURARAM DEFENDER ESTA CONSTITUIÇÃO QUE ESTÁ EM VIGOR DESDE 1984 COM ESTE MESMO ARTIGO 72º!!!
FAZ MAIS DE 30 ANOS QUE A GUINÉ-BISSAU TEM ESTA CONSTITUIÇÃO QUE MUITOS GOSTAM DE VIOLAR COMO SE FOSSE O SEU PAPEL HIGIÉNICO!!
_______________________________

NÃO VI A ANP A PROMOVER NENHUMA ACÇÃO PENAL CONTRA O PR E AINDA COLOCO A QUESTÃO: PORQUE SERÁ QUE A ANP QUE É O ÓRGÃO QUE NOS REPRESENTA A TODOS COMO CIDADÃOS, PORQUE É QUE AINDA ATURAM JOMAV COMO PRESIDENTE????
AH PARECE QUE OS NOSSOS REPRESENTANTES NA ANP TAMBÉM NÃO CONHECEM AS LEIS QUE ESTÃO EM VIGOR NA REPÚBLICA QUE AMÍLCAR CABRAL NUNCA VIU!!
_________________________________

PARECE QUE NENHUM DEPUTADO DA ANP CONHECE A LEI Nº14/97 QUE ESTÁ NA SEGUNDA FOTO, QUE POR UM ACASO, DSP CITOU NAS SUAS PRIMEIRAS REACÇÕES DEPOIS DA SUA DEMISSÃO...
___________________

ENTÃO NESTE CASO...SÓ NOS RESTA, COMO GUINEENSES COMPROMETIDOS COM O FUTURO DO PAÍS, CONTINUAR A VANGLORIAR E A ENALTECER O TRABALHO DOS JUÍZES DO NOSSO SUPREMO TRIBUNAL DE JUSTIÇA PORQUE, PELOS VISTOS, JÁ DEU ENTRADA NO STJ A PETIÇÃO DA SOCIEDADE CIVIL E DA LIGA GUINEENSE DOS DIREITOS HUMANOS A PEDIR A DESTITUIÇÃO DE JOMAV!! AGORA FALTA-NOS MANTER A VIGILÂNCIA SOBRE A SONOLÊNCIA DOS NOSSOS JUÍZES E CONFIRMAR-MOS SE ELES VÃO CONTINUAR NA MESMA SENDA DE DAR UM XEQUE-MATE AO DITADOR OU SE VAMOS TER AINDA UMA VERGONHA COLECTIVA DE VER A JUSTIÇA INOPERANTE NA GUINÉ-BISSAU!
___________________________________

PARA FINALIZAR, DEIXO DUAS PERGUNTAS COMO HOMEM BEM EDUCADO QUE SOU: PARA QUE SERVE UMA MEDIAÇÃO NA GUINÉ-BISSAU SE TEMOS LEIS E SE TEMOS FORÇAS DE SEGURANÇA QUE NOS PODEM AJUDAR A FAZER CUMPRIR A LEI??? QUANDO JOMAV CHAMA FORÇAS DE

SEGURANÇA PARA VIGIAR O PALÁCIO DURANTE A MANIFESTAÇÃO ELES APARECEM...E QUANDO OS JUÍZES ORDENAREM A CAPTURA E DETENÇÃO DO PREVARICADOR??? SERÁ QUE ELES OBEDECEM??

UM EXCELENTE DIA A TODOS OS FILHOS E AMIGOS DA GUINÉ-BISSAU.
 
 
 
 --- /// ---
 

sexta-feira, 11 de setembro de 2015

A confiança, transparência e rigor

A confiança, transparência e rigor são as dimensões que devem ser tidas em conta no processo de emancipação das instituições do Estado e dos órgãos de soberania.

É certo que a nação está doente, mas, ainda assim, antes de se falar na cura, temos que perceber a origem da doença e focalizarmos na sua prevenção. A crise política actual, que também é uma crise conjuntural, gerou muitas energias e perdeu o foco naquilo que deveria ser a solução confortável para o país face aos objectivos de desenvolvimento e de crescimento sustentável.

 
Antes de mais, é importante reflectir sobre o que tem sido a nação nos seus 42 anos de independência e, a partir daí, construir formas sustentáveis de coabitação em matéria de política e de afirmação da jovem democracia – ainda muito prematura para a violência sistemática que a sua jovialidade tem sido confrontada.
 
Na verdade, está claramente diagnosticado que a falta de diálogo e a luta intestinal pelo poder têm sido as causas principais da difícil coabitação entre os órgãos de soberania, porquanto a relação de confiança entre os actores políticos ser ainda uma ilusão. Contudo, torna importante fazer uma breve reflexão sobre o posicionamento político que tem sido a democracia guineense (ou a falta dela) e as rupturas constitucionais e golpes de estado frequentes.
 
De facto, desde a independência até à data (1973-2015) a nação foi interrompida 10 vezes, entre rupturas constitucionais e golpes de Estado, que corresponde cerca 35 anos de atraso em termos do processo de coabitação e da procura do desenvolvimento sustentável.
 
Por sua vez, as 8 eleições ocorridas, entre legislativas e presidenciais, correspondem cerca de 20 anos de tentativa de reposição constitucional (gráfico1 a seguir), não conseguiu sobrepor-se aos problemas criados pelos atores políticos guineenses em virtude da falta de entendimento e do diálogo.
 
 
 
No mesmo período, a Guiné-Bissau teve 14 Presidentes da República e cerca de 23 Primeiros-Ministros, algo injustificável para um país que almeja o desenvolvimento e progresso, uma vez que não existem programas económicos nem orçamentos gerais de estado capazes de serem executados na sua íntegra com as constantes rupturas constitucionais tendo em conta os objectivos governamentais.




A recente crise levantou o véu e demonstrou, mais uma vez, as fragilidades da nação, bem como da classe política guineense, que importa agora refundar e estimular em termos de “learning opportunities” e resolução dos problemas conjunturais que o país enfrenta.
 
Em primeiro lugar, é de salientar que os protagonistas deste impasse jurídico-político (a componente jurídica ficou resolvida com o Acórdão n.º 1/2015 do Supremo Tribunal de Justiça, a separação de poderes funcionou) são militantes e dirigentes do PAIGC, partido vencedor das eleições ocorridas em Abril de 2014, porquanto participaram com vigor na sua conquista. Aliás, importa salientar que foi a primeira vez na história da jovem democracia guineense em que a massa popular recorreu, expressivamente, às urnas com elevação e sentido patriótico para afirmação da sua cidadania, com energia e robustez necessária.
 
No entanto, factos são factos e não se podem furtar. Nos últimos meses assistimos, impávidos e serenos, a derrocada que foi o país e a difícil situação em que se encontra o xadrez político, pelo que importa agora destacar as debilidades do sistema tendo em conta a falta de diálogo entre os órgãos de soberania.
 
Certamente, a constituição da república guineense atribui funções específicas a cada um dos órgãos de soberania mas pede solidariedade institucional na sua execução – é importante encontrar formas criativas de concretizar a solidariedade institucional que nos é pedida pela constituição, sempre através do diálogo – se soubermos ouvir os conselhos dos outros com atenção, despidos de quaisquer interesses particulares, estaremos a permitir uma via de diálogo e a construir uma relação, uma cultura.
 
Não querendo fazer juízos de valor ou análise do volume e da qualidade das actividades desenvolvidas em termos do debate político e da responsabilidade no exercício da cidadania, importa, contudo, referir que é necessário ponderar a prática de determinados atos que extravasam as fronteiras constitucionais e, mais, quando tais atos não estão devidamente articulados e concertados com os restantes órgãos de soberania.
 
A título de exemplo, é possível constatar como é que as pequenas falhas em matéria de solidariedade política podem resultar num conflito de proporção que hoje se assiste na Guiné-Bissau, que suspendeu todo um país, estagnou a administração pública, fez recuar a economia e gerou uma crise de confiança que poderá abalar todo sistema em que se assenta a jovem democracia guineense – é importante sempre ter em atenção que um país frágil como a Guiné-Bissau, ocorrendo sistematicamente situações de rupturas e da falta de entendimento e de confiança entre os órgãos de soberania, haverá sempre alguns a aproveitarem-se dessa falha com intuito de subverter o rumo das coisas.
 
Por exemplo, no que concerne ao órgão legislativo, nomeadamente Assembleia Nacional Popular, pese embora os deputados terem o dever de manter um contacto estreito com os seus eleitores e de lhes prestar regularmente contas das suas actividades, são atribuídas competências constitucionais específicas em matéria de legislação e fiscalização do governo e não propriamente de proceder a actividades de presidência aberta e projecção de declarações em nome do povo, tais matérias políticas que apenas dizem respeito à Presidência da República. Ou, ainda, assuntos importantes que devem constituir matéria de Estado serem discutidos de forma aberta em bancadas e fora do contexto do debate nacional – não é aconselhável em democracia e nem respeita o princípio de solidariedade institucional.
 
No que se refere à Presidência da República, o compromisso institucional obriga, desde a primeira hora, que as diligências feitas junto dos outros órgãos de soberania sejam de concertação estratégica e diálogo permanente na busca do melhor caminho para a nação. Como símbolo da unidade, garante da independência nacional e da Constituição, o Presidente da República não prescinde, certamente, dos seus poderes de demissão do governo e de dissolução do parlamento em circunstâncias excepcionais de crise política que afectem o normal funcionamento das instituições. Mas, como é óbvio, também não deixa de exercer o seu papel de árbitro e de garante da coesão nacional sempre no espírito da conciliação e da tolerância. É importante que a figura número um do Estado promova o ambiente para uma concertação estratégica com os restantes órgãos de soberania. Tem o poder, pela inerência do cargo que ocupa, assim demonstra a Constituição da República, de presidir o conselho de ministros e solicitar informações sobre atos de governação e matéria de debate político na assembleia da república, devendo o mesmo ocorrer sistematicamente e em perfeita sintonia com os demais órgãos de soberania. Fazendo isso facilitará de forma acertada e coerente as decisões que tomar no futuro – a razão é a principal fonte das decisões que se tomam, é importante acautelar isso.
 
Relativamente ao Governo, órgão executivo e administrativo supremo da república, tem o papel de garantir que as instituições do Estado exercem as suas competências de forma responsável em prol das populações e sempre na ótica do bem comum. A transparência e o rigor na gestão da coisa pública são sinónimos de seriedade na condução das políticas que levam para junto dos cidadãos o bem-estar social. Daí, revela-se de importância extrema que na composição do governo sejam observados determinados princípios que norteiam a escolha dos elementos que deverão integrar o executivo, tendo em conta a competência, o mérito e a ética, capazes de articular os objectivos programáticos com as orientações estratégicas definidas em matéria de governação.
 
A importância da ética na política é condição “sine qua non” para a confiança que se cria em relação aos restantes órgãos de soberania. Importa, por isso, ter presente que um cidadão que sobre ele pende um processo judicial não deverá tomar parte num governo por razões que se prendem com a ética, disciplina e respeito pelo princípio da separação de poderes. Para além disso, não se pode e nem se deve tomar como normal e natural o fenómeno da corrupção. Há que incentivar o seu combate e consciencializar a sociedade de que este fenómeno pode minar a essência de um Estado, desestruturar o poder e o controlo dos bens públicos, instrumentos importantes para o desenvolvimento da nação.
 
Contudo, para que faça sentido um diálogo frontal e demonstrar o que é jurídico e o que é político, é importante também que o poder judicial saiba tomar o partido apenas da justiça e em estreita sintonia com a Constituição e Leis da República, exercendo a sua autonomia com isenção e imparcialidade, fora da ação e do comando de qualquer outro órgão de soberania. Pese embora existirem dificuldades de “relacionamento institucional” entre os órgãos de soberania as mesmas são inerentes ao “normal funcionamento das instituições da República”, pelo que é importante manter a confiança, coerência, maturidade política e sentido de estado acima de tudo.
 
Como se sabe, a confiança interna tem um peso muito grande na forma como o país é visto além fronteira. Se se tiver em consideração que quase metade do orçamento de Estado guineense depende do exterior – ajudas externas – então muito mais deverá ser feito para a manutenção da coesão nacional e garantir que a estabilidade política não seja apenas uma Quimera.

Finalmente, a tal prevenção da doença que aflige a política guineense deverá encontrar a sua resposta nas reformas políticas e institucionais que devem ser feitas com urgência no sentido de manter a coesão nacional e salvar ainda a pouca dignidade que resta à classe política guineense. A revisão Constitucional, a revisão da Lei Eleitoral, a Reforma do Estado e da Administração Pública são urgentes e carecem de um debate nacional profundo. Em relação aos partidos políticos recomendaria a revisão dos seus estatutos criando condições para um debate mais sério e conciliador, bem como a definição de critérios de elegibilidade na escolha dos candidatos a deputados da Nação e aos elementos que devem integrar os órgãos de soberania.
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Lisboa, 10/9/2015 Dr. Luís Vicente

terça-feira, 8 de setembro de 2015

Produzir riqueza, ricos ou doutores ??

"(...)Escrevi uma vez que a maior desgraça de um país pobre é que, em vez de produzir riqueza, vai produzindo ricos. Poderia hoje acrescentar que outro problema das nações pobres é que, em vez de produzirem conhecimento, produzem doutores (até eu agora já fui promovido..,) . Em vez de promover pesquisa, emitem diplomas.(...)"

Mia Couto


'O livro que era uma casa, a casa que era um país'  Mia Couto


“Todos os povos amam a Paz. Os que passaram por uma guerra sabem que não existe valor mais precioso. Sabem que a Paz é um outro nome da própria Vida. Vivemos desde há meses sob a permanente ameaça do regresso à guerra. Os que assim ameaçam devem saber que aquele que está a ser ameaçado não é apenas um governo. O ameaçado é todo um povo, toda uma nação…”

“Pode não ser este o momento, pode não ser este o lugar. Mas é preciso que os donos das armas escutem o seguinte: não nos usem, a nós, cidadãos de Paz, como um meio de troca. Não nos usem como carne para canhão. Diz o provérbio que “sob os pés dos elefantes quem sofre é o capim”. Mas nós não somos capim. Merece-mos todo o respeito, merecemos viver sem medo. Quem quiser fazer política que faça política. Mas não aponte uma arma contra o futuro dos nossos filhos. É isto que queria dizer, antes de dizer qualquer outra coisa…”

“…É difícil imaginar quanto, mesmo ouvindo, podemos ser surdos. Selectivamente surdos. Escutamos os que nos são próximos, escutamos os que nos obedecem, escutamos o que nos agrada ouvir. Escutamos os do nosso partido, escutamos sobre-tudo quem não nos critica. Tudo o resto não existe, tudo o resto é mentira, tudo o resto é calúnia. Tudo o resto é proferido pelos “outros”. E é quase um paradoxo: porque se ocupam páginas inteiras dos jornais a dizer que os “Outros” não devem ser ouvidos. Gastam-se horas de programação radiofónica e televisiva para dizer que os outros não disseram nada. Esses “outros” que querem questionar o que fazemos, esses outros são “estranhos”, a caminho mesmo de serem “estrangeiros”. A verdade, porém, é que ninguém pode anular a existência desses “outros”. Ninguém pode negar que são moçambicanos. Ninguém pode saber se têm razão se não deixar-mos que falem livremente. Esta é a grande lição do Presidente Nyussi que entendeu reconciliar uma nação apartada de si mesma. É ele que nos lembra que esses que dizem “não”, são da mesma família dos que dizem “sim”. 
 
Esta é uma mesma família que dispõe de uma única casa. Não existe outro lugar, não existe outro destino senão este que dá pelo nome de Moçambique. Digo tudo isto sem qualquer embaraço. Porque todos nós, a começar por si, Senhor Presidente, queremos fugir da prática da bajulação. Com a sua atitude de abertura e simplicidade, o Presidente sugere uma outra relação, mais próxima, mais verdadeira. Apesar de tudo, é fácil imaginar que junto a Vossa Excelência já se criou um cortejo de aduladores. Felizmente, veio da sua parte um sinal de alerta: assim que tomou posse, o Presidente Filipe Nyussi começou a receber gente que não batia palmas, gente que tinha interrogações e levantava críticas. Os seus ministros estão a fazer o mesmo, estão a escutar os que pensam diferente, estão a sentar-se com os que deixaram de ser ministros, estão a aprender desses outros que estavam condenados à condição de já terem sido alguém. Parece pouco perante os gigantescos problemas que enfrentamos. Mas esta forma de lidar com as pessoas pode sugerir uma outra forma de lidar com os grandes os desafios...”

Por tudo isto queria muito dizer--lhe: muito obrigado, Senhor Presidente. Muito obrigado por nos ter de-volvido a nossa dimensão de família. Muito obrigado por ter reabilitado o nosso estatuto de moradores na mesma casa. Durante muito tempo fomos conduzidos a construir fronteiras que nos separavam em pequenas nações dentro da grande Nação moçambicana. Durante muito tempo houve quem sugerisse que havia categorias de moçambicanos, uns mais autênticos que os outros. Ainda hoje sobrevive em alguns esse olhar de polícia de identidades. Ainda hoje há quem avalie os outros pela cor da sua pele, pela cor da tribo, pela cor do seu partido. Ainda hoje, há os que, em lugar de discutir ideias, atacam pessoas. E ainda prevalecem os que, em lugar de procurar soluções, procuram modos de esconder os problemas. Toda esta cosmética foi sendo feita em nome da unidade e do patriotismo. Toda esta encenação de normalidade é uma herança que pedia uma resposta firme. Esta resposta foi trazida por si. Sem grandes proclamações, mas de um modo firme e continuado. Conhece-mos hoje essa sua mensagem: pode-mos ter os recursos que tivermos. Não disso é tão promissor como o nosso património humano feito de tanta gente tão diversa.

Magnífico Reitor, Professor Doutor Lourenço do Rosário

… “ Traduzindo as suas palavras na linguagem da oralidade que Professor Rosário tão bem conhece o resultado poderia ser assim: é que para uns, a política é uma panela. É preciso comer muito e rápido porque a colher é muito disputada e a refeição pode durar pouco. Para outros, contudo, a política ainda é a nobre arte de servir os outros, a política ainda é a missão de colocar acima de tudo os interesses de todos. Possivelmente quem tanto reclama contra a partidarização não está contra o princípio em si mesmo. Quer, sim, partidarizar a dois. Não me importa o nome dos partidos. A minha questão não é tanto de ordem política que, para isso, pouca vocação me resta. É uma objecção de natureza moral. Importa-me como cidadão que persista, em alguns dirigentes moçambicanos, a ideia de que Moçambique é um quintal privado. Um quintal cujo destino é ser parcelado, conforme interesses e conveniências…”

… “ Irei falar sobre a erosão dos valores morais e de como pode um escritor
ajudar na reabilitação do tecido moral da sociedade. Escolhi este tema porque não conheço ninguém que não se lamente da perda de valores morais. Este é um assunto sobre o qual temos um imediato consenso nacional. Todos estão de acordo, mesmo os que nunca tiveram nenhum valor moral. E até os que tiram vantagem da imoralidade, até esses, depois de lucrarem com a ausência de regras, se queixam que é preciso travar a falta de decoro.
 
Um dos caminhos que nos pode ajudar a resgatar essa moral perdida pode ser o da literatura. Refiro-me à literatura como a arte de contar e escutar histórias. Falo por mim: as grandes lições de ética que aprendi vieram vestidas de histórias, de lendas, de fábulas. Não estou aqui a inventar coisa nenhuma. Este é o mecanismo mais eficiente e mais antigo de reprodução da moralidade. Em todos os continentes, em todas as gerações, os mais velhos inventaram narrativas para encantar os mais novos. E por via desse encantamento passavam não apenas sabedoria mas uma ideia de decoro, de decência, de respeito e de generosidade.
 
Há certa de trinta anos atrás Graça Machel - que era então Ministra da Educação - convocou um grupo de escritores para lhes dizer que estava preocupada. Estou preocupada, disse ela, estamos a ensinar nas escolas valores abstractos como o espírito revolucionário, do patriotismo, o internacionalismo. Mas não estamos a ensinar valores mais básicos como a amizade, a lealdade, a generosidade, o ser fiel e cumpridor da palavra, o ser solidário com os outros. E ela pediu-nos que escrevêssemos histórias que seriam publicadas nos livros de ensino. Graça Machel tinha a convicção que uma boa história, uma história sedutora, é mais eficiente do que qualquer texto doutrinário.

Falei-vos há pouco dessa proposta de hino chamada Pátria de Heróis que foi entoada como Pátria de Arroz. Lembro-me que, na altura, até gostei do equívoco dos cantores, porque me vieram à memória as palavras de Albert Camus quando recordava a Argélia onde ele nasceu e dizia: “Pobre do país que precisa de heróis”. Naquela altura achei que talvez fosse preferível uma pátria de arroz a uma pátria de heróis. A verdade é que a nossa epopeia nacional foi apropriada por um discurso vazio de exaltação patrioteira.

O resultado é que as nossas ruas e praças estão recheadas de nomes de heróis. A esses heróis, porém, falta-lhes rosto, falta-lhe voz, falta-lhes vida. Herdámos uma história heróica de heróis sem história. Só temos a História com H maiúsculo. Faltam-nos as pequenas histórias, falta-nos os pequenos episódios que seduzem a imaginação e sustentam a memória. Uma certa narrativa quer ainda provar que vale a pena mentir, que vale a pena roubar, e que vale a pena tudo menos ser honesto e trabalhar. Aliás, a palavra “trabalho” suscita fortíssimas alergias. Pode-se ter negócios, pode-se ter projectos. Mas ter um trabalho isso é que nunca. Que o trabalho leva muito tempo e, além disso, dá muito trabalho. Mas, no fundo, todos sabemos: enriquecer rápido e sem esforço só pode ser feito de uma maneira: roubando, vigarizando, corrompendo e sendo corrompido. Não existe, no mundo, inteiro, uma outra receita.

Preocupa-nos que os nossos estudantes entrem para universidade com fraco desempenho académico. Pois eu acho mais preocupante ainda que os nossos jovens cresçam sem referências morais. Estamos empenhados em assuntos como o empreendedorismo como se todos os nossos filhos estivessem destinados a serem empresários. Ocupamos em cursos de liderança como se a próxima geração fosse toda destinada a criar políticos e líderes. Não vejo muito interesse em preparar os nossos filhos em serem simplesmente boas pessoas, bons cidadãos do seu país, bons cidadãos do mundo.

Escrevi uma vez que a maior desgraça de um país pobre é que, em vez de produzir riqueza, vai produzindo ricos. Poderia hoje acrescentar que outro problema das nações pobres é que, em vez de produzirem conhecimento, produzem doutores (até eu agora já fui promovido..,) . Em vez de promover pesquisa, emitem diplomas. Outra desgraça de uma nação pobre é o modelo único de sucesso que vendem às novas gerações. E esse modelo está bem patente nos vídeo-clips que passam na nossa televisão: um jovem rico e de maus modos, rodeado de carros de luxo e de meninas fáceis, um jovem que pensa que é americano, um jovem que odeia os pobres porque eles lhes fazem lembrar a sua própria origem.

É preciso remar contra toda essa corrente. É preciso mostrar que vale a pena ser honesto. É preciso criar histórias em que o vencedor não é o mais poderoso. Histórias em que quem foi escolhido não foi o mais arrogante mas o mais tolerante, aquele que mais escuta os outros. Histórias em que o herói não é o lambe-botas, nem o chico-esperto. Talvez essa histórias sejam o tal patrocínio que faltou ao nosso jovem funcionário.

Tudo isto é urgente e imperioso. Porque nós estamos na eminência de desacreditar de nós mesmos. Todos nós já escutámos de alguém a seguinte desistência: não vale a pena, nós somos assim. Nós somos cabritos à espera de ser amarrados num qualquer pasto. Estamos a aprender a desqualificar-mo-nos. Estamos a replicar o racismo que outros inventaram para nos despromover como um povo de qualidade moral inferior.”

Extractos da intervenção de Mia Couto, no acto de outorga do título de Doutor Honoris Causa, que lhe foi entregue pela Universidade moçambicana “A Politécnica” a 2 de Setembro corrente

(Publicado em Novo Jornal)

(por Diana Andringa)
 
 

quinta-feira, 3 de setembro de 2015

A Constituição da Guiné-Bissau

O exemplo clássico o esquema tripartido de "poderes separados", elaborado na primeira metade do século XVIII por Montesquieu, é a Constituição dos Estados Unidos da América. Porque, além de assegurar a neutralização política de um poder judicial independente, confere ao chefe do poder executivo - o Presidente - uma legitimidade democrática distinta da legitimação democrática própria do poder legislativo.

 
Nem o chefe do Governo - o Presidente - pode dissolver o Parlamento nem este pode demitir o Presidente, salvo no caso limite da responsabilidade por crime praticado no exercício das funções. Pelo contrário, nos sistemas parlamentaristas, o Governo não tem legitimidade própria e está obrigado a cumprir o programa aprovado pelo Parlamento que, a qualquer momento, pode provocar a sua demissão. O tempo se encarregaria de confirmar que a vocação anti-autoritária do princípio da separação dos poderes não se realiza através de um modelo certo e determinado ou de uma estrutura política peculiar mas sim por efeito de uma articulação variável de competências diferenciadas e controlos recíprocos que os constitucionalistas americanos crismaram como "checks and balances".

O "semi-presidencialismo" francês é pois uma variante atípica do "presidencialismo" porque atribui ao Presidente o poder de dissolver o Parlamento juntamente com certas competências governativas, embora fique sujeito à coabitação com o Governo de um partido adverso caso este obtenha a maioria parlamentar. É certo que quem representa a França no Conselho Europeu é o Presidente Hollande e não o primeiro-ministro francês, mas quem representa a Alemanha em Bruxelas é a primeira-ministra (Chanceler) Angela Merkel e não o Presidente da República, e o mesmo ocorre com a Itália, a Espanha ou Portugal, representados pelos chefes de Governo e não pelos respectivos chefes de Estado.

Enfim, a questão relevante não é averiguar se existe ou não um processo de legitimação democrática directa do presidente da República - aliás, nos Estados Unidos, o Presidente é eleito indirectamente e foi dessa forma que George W. Bush se viu reeleito para o segundo mandato presidencial por uma minoria dos votantes! O que importa, sim, é a ponderação rigorosa dos poderes constitucionais confiados ao Presidente, a natureza das funções repartidas entre os vários órgãos de soberania e o quadro de condicionamentos recíprocos em que elas são exercidas.

A Constituição da República da Guiné-Bissau não talhou a figura do seu presidente para governar. Com efeito, o Presidente não pode nomear o primeiro- ministro conforme a sua vontade mas sim de acordo com a vontade popular expressa nos resultados das eleições legislativas e depois de ouvir os partidos representados na Assembleia Nacional Popular. Depois de nomeado, o Governo só subsiste depois de o seu programa ser aprovado no Parlamento que continua a poder provocar a sua demissão, quando muito bem entender. O Presidente pode vetar as leis da Assembleia mas é obrigado a promulgá-las se forem confirmadas por maioria qualificada dos deputados.

A "responsabilidade política" do Governo perante o Presidente não é comparável com a sua "responsabilidade política" perante a Assembleia porque é desta que deriva a sua legitimidade democrática, foi ela que aprovou o seu programa e as leis que está obrigado a cumprir. A Lei Fundamental também não atribuiu ao Presidente tarefas próprias na fiscalização da constitucionalidade. Atribui-lhe, sim, poderes de dissolução do Parlamento e demissão do Governo em circunstâncias excepcionais de crise política que afectem o normal funcionamento das instituições.
 
As dificuldades de "relacionamento institucional" entre o Presidente e o Governo são inerentes ao "normal funcionamento das instituições da República". Não podia o Presidente invocar como fundamento para demitir o Governo a perturbação naturalmente induzida pelo exercício dos "checks and balances" que, justamente com essa finalidade, foram constitucionalmente prescritos. O povo da Guiné-Bissau merece dos seus representantes legítimos um esforço sério de concertação e diálogo.
 
 (in: JN - Pedro Bacelar de Vasconcelos, 3/9/2015)
 
 
 

domingo, 30 de agosto de 2015

O Orgulho do homem preto no reforço de estereótipos Negativos

Milhares são as armadilhas do mundo moderno de hoje, e o homem preto tem sido afastado do seu papel real de protagonista nas sociedades de hoje, isso é feito através de estereótipos baseados em psicologia reversa, um produto de engenharia social, que faz o homem preto sentir orgulho de aspectos meramente depreciativos ou de pouco prestigio, que o colocam perante o mundo na posição de um ser inferior intelectualmente, o pior é que esta magia de engenharia funciona perfeitamente, tão bem que faz com que o homem preto seja o principal reforçador destes estereótipos negativos, vamos ver como isso acontece.



1) INDÚSTRIA DA PORNOGRAFIA: A industria da pornografia é actualmente um negocio ilegal que mais cresce no submundo comercial, gerando milhões dólares nos seus proprietários, essa ideia esta tão difundida que pornografia já é legal em alguns países, o maior protagonista deste circuito são os homens negros Africanos, é sabido que os Africanos possuem um pénis avantajado com relação a outros povos e etnias, mais de 80% da industria pornográfica lucra com actores negros, e eles estão bastante orgulhosos disso, em cenas de sexo inter-racial, sexo violento, violação, orgias, fetiches selvagens e violentos, sexo desnatural, tornam os homens negros em seus legítimos representantes, eles são tidos como os "garanhões da industria pornografia internacional" este estereotipo negativo tem rendido aos homens Africanos, um status de que os homens Africanos apenas servem para sexo e nada mais, mulheres brancas estão pagando para se relacionar reduzindo homens negros a meros escravos sexuais, nas terras onde o tamanho é que importa, eles ganham protagonismo porém a imagem que fica para mundo é que os homens negros apenas são bons de sexo, e devido ao crescimento e a adesão em massa de vários homens negros nestes negócios eles vêm simplesmente reforçar este status.

A parte cómica do sexo inter-racial mesmo é que muitos homens negros quando têm sexo com uma mulher branca, eles pensam que estão a fazer parte de uma vingança a favor de seus antepassados que foram escravizados, uma ideia estúpida e controversa.

Os homens Africanos não fazem nada por isso, eles estão orgulhosos fazendo dinheiro, tendo sexo com todo tipo de mulheres, porém muitos continuam pobres e contraindo varias doenças, enquanto a industria pornográfica enriquece.


2) INDUSTRIA MUSICAL: A escravatura não foi somente um estado de sofrimento embutido de correntes e grilhões, a industria musical é uma forma brutal de exploração de talentos (maioritariamente negros) em todos só cantos do mundo, o homem negro é explorado pela industria musical, maioritariamente gerida por brancos magnatas do mundo do entretenimento, eles assinam contratos desleais e enriquecem a industria musical, enquanto muitos acabam pobres com dividas e sem nada, milionários donos deste negocio nadam em mares de dinheiro.

Seus Vídeos repletos de ostentação, belas mulheres,mansões e jóias caras, são em muitos casos alugados para manter um status ilusório de viver o sonho Americano.

O pior de tudo isso é a maquina da censura, os artistas começam originais e depois vão perdendo essa originalidade, seduzidos pelo dinheiro, aceitam a censura, eles mudam seus conteúdos passando a cantar musicas para o momento, eles cantam musicas que incentivam a cultura do auto-ódio, e da violência, lançando mensagens destrutivas e violentas que servem de estereótipos ideológicos de auto destruição, para jovens em bairros pobres e segregados, onde os mesmo saíram, dominados pelo egoísmo eles acham que cantar auto destruição para os bairros, vale a pena, porque com isso eles pagam as contas de seu condomínio de luxo, suas roupas caras, e seu carro importado, este individualismo mantém os pretos divididos e se auto-destruindo por puro egoísmo.

Mais uma vez os brancos estão enriquecendo e devido as ondas de violência instigadas pelos próprios negros em suas musicas, como uma faca de dois gumes logo os pretos são tidos como uma ameaça a sociedade.


3) PROSTITUIÇÃO (O CAFETÃO): Negros têm promovido a exploração sexual nos guetos e bairros degradados, aproveitam-se das inúmeras dificuldades das mulheres dos bairros, e as transformam em prostitutas, seu principal papel é ser gestor delas, atraindo clientes, e dando uma falsa protecção ao negocio, elas somente têm que se envolver com os homens muitas vezes pelo cafetão seleccionados, e dar boa parte de seus ganhos aos cafetões vulgos P.I.M.P.S (*) que têm cada vez mais interesse que as mulheres do bairro se tornem desesperadas, se convertam em drogadas, incapazes de manter núcleos familiares, sendo estas atraídas para o negocio, na verdade uma vez dentro, não há como escapar deste negocio, por isso varias mulheres são forçadas a exploração sexual, até o fim de suas vidas, se olharmos para o contexto mais abaixo, saberemos porque que os bairros degradados são autênticos campos de guerra pela sobrevivência, mães alcoolátras pais drogados e desempregados, são modelos comuns nestas atmosferas degradantes.

Mais uma vez os homens negros estão sorrindo orgulhosos, e os brancos rindo deles, como é possível um homem entregar as suas mulheres, a escravatura sexual, e a exploração sexual? Quem educará as suas crianças? Porém eles nem se importam com questões como essas, estão cada vez mais egoístas e chamam isto de Hustle, sobreviver por todos meios necessários.


4) O ESTEREOTIPO DO NEGRO DESPORTISTA
: Os negros são os melhores no desportos, isso é verdade, não que seja mal porém os média mundial fazem questão de agigantar este conceito, os pretos têm maior destaque na média pelos desportos, porém esta é outra armadilha cujo falso orgulho fabricado, não deixa as pessoas pretas enxergarem, que estão a reforçar um estereotipo, a media reforça a imagem que os negros somente são bons no desporto, e em nada contribuem para o desenvolvimento natural das sociedades, por isso a media mundial pouco reporta as contribuições que muitos negros deram no desenvolvimento da ciência nos tempos de hoje a favor da humanidade, e das sociedades contemporâneas, vários pretos estão por detrás de engenhosos avanços científicos, porém a media não mostra e pouco divulga isso, para manter o foco de que os negros somente servem para entretenimento e nada mais.

Por isso tem hoje em dia, existem mais pretos desejando ser futebolistas, do que ser medico ou engenheiro, o perigo disso tudo esta na mentalidade que plantamos nas gerações que se seguem no modelos que eles reforçam como base de inspiração para a nossa descendência.

Uma coisa que você preto não pode esquecer, é que suas acções hoje ditarão o futuro amanhã, você é um prototipo, uma fonte de inspiração, portanto trate de deixar o melhor de si.


5) O DRUG DEALER (TRAFICANTE): O traficante é uma espécie perigosa, esse preto é causador da destruição e perdição de mais 90% da população dos bairros degradados, o traficante é o preto que seduz a juventude a auto destruição e ao consumo de drogas, fabricando tóxico dependentes, e mantendo os bairros reféns da dependência química dos narcóticos, para ele o que importa mesmo é se enriquecer, pouco lhe importa suas vitimas, eles são responsáveis pela cultura do auto-ódio, instigando a criminalidade violenta, e sem qualquer remorso, eles se certificam que as gerações estão a ser destruídas, ele não se importa com os jovens, porém se aproveita de suas debilidades e dificuldades, para seduzi-los para o mundo do crime, e vem aquela geração que cresce atrás das celas, ou a geração que morre jovem demais, nas mãos da policia, ou mesmo nas mãos de grupos rivais que lutam entre si para o monopólio desta actividade criminosa, através deles a juventude enfrenta um genocídio silencioso, na mão das forças antagónicas a manutenção de seus impérios criminosos, eles são responsáveis por destruir o futuro do gueto, são calculistas, e extremamente gananciosos, reforçam o estereotipo de que os negros são uma perigosa ameaça a integridade das sociedades.


6) SOLIDIFICANDO O ESPÍRITO DA MEDIOCRIDADE: Eu às vezes fico passado, e você pode bem ver como somos hoje, estamos sempre lutando por estereótipos negativos, nos diminuindo como seres humanos, e enaltecendo a visão opressora sobre nós mesmos, o sorriso do preto que alcançou um diploma, não é maior e mais satisfatório do que o de um preto a que elogiaram o tamanho de seu pénis, por exemplo aguentar a maior quantidade de bebidas alcoólicas é um elogio no meio de amigos, e você devia saber que o consumo exagerado de bebidas alcoólicas acarreta problemas renais e outras doenças, porém o resistente é sempre glorificado no meio de amigos, aí eu me pergunto porque estamos constantemente a velar por estereótipos negativos? A mais pura verdade é que estereótipos positivos são ignorados, repara que uma foto no facebook de fim de curso, graduação ou licenciatura terá no máximo 200 gostos, e uns 100 comentários, se a menina mais básica, tirar uma foto em um bom ângulo empinando o rabo, em posição provocante, essa foto pode passar os 2.000 gostos e 1000 comentários em menos de 8 horas, dessa forma é possível analisarmos a podridão mental que reproduzimos com a manutenção destes estereótipos negativos, nós precisamos falar disso, sim este é um tema tão proibido pela inquisição social, como o tema do racismo, quem fala dele poderá ser acusado de estar a promover o racismo, e Torquemadas não faltam, para crucificar e enviar-nos direitos para o fogo ardente da inquisição social.

Porém é necessário falarmos disso...

 Por: Isidro Fortunato


((*) chulos em português)








terça-feira, 18 de agosto de 2015

O fim do começo!

Para se poder entender todo o clima hostil no relacionamento entre os dois mandatados do Povo que culminou com a demissão do governo, nada melhor que reflectir em primeiro lugar sobre a classe política que o país tem.

A falta de oportunidades no mercado do trabalho, a degradação social, cultural e económica, e a vida de luxo que os políticos ostentam, fizeram com que muita gente se enveredasse para a política. Vários partidos políticos fantoches e sem expressão surgiram, e deles só se ouve falar, nas eleições.
Os partidos políticos viram assim engrossar as suas fileiras de oportunistas, pretensos políticos, competindo desenfreadamente entre si, sem olhar a meios para atingir os fins. São homens sem escrúpulos, sem ideais, sem grandeza, talhados para ciclicamente organizarem o caos, por incompetência no exercício do poder. Uns autênticos sanguessugas que se alimentam da máquina governamental.
Estejam onde estiverem dividem-se em grupos de alcateias com afinidades tribais e interesses outros comuns. Move-os a calúnia e intrigas como forma de se auto-promoverem e de se sentirem mais próximos do almejado poder. Lamentavelmente, esses analfabetos políticos não conseguem entender, que o cerne de qualquer democracia é a convivência com a diferença.
O partido para eles serve apenas para negociatas. O modo de fazer política passou a ser negociar poderes, apoderando-se das lideranças, a todo o custo.
A corrupção tornou-se endémica e espalhou-se no aparelho estatal e por todo o país. As jogadas subterrâneas, a espiral de violência, e a luta fratricida pelo poder, passaram a fazer parte do quotidiano guineense.

Vive-se hoje uma total paralisia política, está instalado a politiquice e a idiotice. E onde não há política responsável, claro que medra a politicalha, que só alimenta a desordem e a instabilidade.
Esta geração de políticos à rasca está arruinando o país, não se entendem e nem a indignação nacional e internacional a harmoniza. Destilam veneno, rancôr, ódio, mágoa e ressentimentos uns contra os outros.

Infelizmente, aqueles a quem sempre recaíu o ónus da decisão na GB, salvo raríssimas excepções, têm com maior ou menor incidência, alinhado na baixa política, alimentando o tchutchi tchutchi, ainda característico em meios pequenos.

Registamos com alguma mágoa, que em pleno século XXI, a persistência da corrupção no seio estatal, a inexistência de sanções e outros factores nada abonatórios tenham sido o pomo da discórdia entre o PR e o PM.
Sendo ambos do PAIGC, as picardias entre o PR e o PM que poderiam ter sido resolvidas no seio do mesmo, dividiu ainda mais um partido já por si só moribundo, fragmentado em grupos, numa luta fratricida pelo poder. Um partido que precisa urgentemente de um novo Cassacá para promover uma reorganização interna e cortar as ervas daninhas pela raiz.
O PR destituiu o governo. Não me pronunciarei sobre os argumentos apresentados à Nação por nenhuma das partes. Gostaria, no entanto de deixar no ar o seguinte:
• Como é possível dar um passo de tal envergadura, sem sequer avaliar as consequências que tal passo terá no futuro?
• Como pode uma pessoa bem informada se deixar cegar por sua própria inconsequência política?
Um bom líder deve ser um modelo a ser seguido por todos. Tem que saber conquistar pelo exemplo e não pela imposição. Tem que saber honrar o cargo e respeitar as pessoas, qualquer que seja a sua condição.
Em momentos de conflito ou divergência, deve acolher todas as opiniões válidas, saber analisar os contraditórios, admitir os erros e cultivar a arte da reflexão e privilegiar o diálogo institucional.
Conduzir os destinos de uma nação, não é uma tarefa simples, mormente o da Guiné Bissau, é necessário antes de mais ser líder, e liderar não é para qualquer um. Um líder deve entender que nunca trabalha sozinho, deve entender que o sucesso dele depende em grande parte da capacidade de se respeitar e respeitar o outro, de reunir consensos em torno dos que colaboram com ele diariamente.
Sem querer apontar o culpado, até porque o consenso geral já o indicou, a queda do governo descredibiliza o país em todos os sentidos e já está a trazer prejuízos, cuja natureza e dimensão o tempo se encarrega de avaliar.

Entristecido com todo o circo mediático montado, o povo está farto de rastejar na lama e de viver numa democracia adulterada
É hora de os políticos guineenses se demarcarem de oportunistas, da baixa política, do tchutchi tchutchi.

(Otílio Camacho, 18/8/2015)

domingo, 2 de agosto de 2015

A última oportunidade!

Esta é a última oportunidade! 


A construção de um verdadeiro Estado nacional é desejada por todos. Não passa despercebido a nenhum observador perspicaz, que o país apresenta nítidos sinais de exaustão.

No país observa-se uma inversão das expectativas populares, dada á diversidade de situações e a multiplicidade de factores existentes.
 
Hoje mais que nunca, existem condições favoráveis a reformas políticas. O desafio é enorme e exige coragem política para apresentar caras novas com sólidos currículos profissionais, em vez de continuar a insistir naqueles que já deram mais que provas de não estarem á altura das responsabilidades.
 
Promover alguém sem possuir as competências necessárias é uma atitude irresponsável já que lhe faltam qualificações básicas, e assumir desafios sem se estar qualificado para isso é também uma atitude irresponsável.

Não existe consequência sem causa, por isso é necessário se livrar das causas. Sendo um pouco sábios, devem tomar decisões fundadas na sabedoria. A luta fratricida pelo poder tem que dar lugar ao combate de ideias a favor do bem comum. Parem de congelar o futuro de um povo.

Não há desculpas para falhar, o preço do fracasso seria colossal para o país. Esta é a última oportunidade! É hora dos executivos compreenderem o terreno no qual actuam e agirem em conformidade.
 
 (Otílio Camacho, 31/7/2015)
 

quinta-feira, 16 de julho de 2015

O país perdeu, ou pretende perder sua característica laica?

Na GB, a Constituição do país consagra o princípio do Estado laico, mas o Estado guineense ainda não conseguiu incorporar esse princípio. Um Estado laico deve ser neutro e separado das religiões, vedando qualquer tipo de aliança entre ambos.(*)


O atrelamento de uma certa doutrina religiosa à esfera política, e o apoio financeiro do governo utilizado em suporte da mesma, além de inconstitucional, é um abuso de poder e cria desigualdades entre guineenses que professam religião diferente à preferida pelo poder.

Esse atrelamento leva o Estado a violar sistematicamente os mais elementares princípios e disposições de Tratados e Convenções Internacionais de que é signatário.

Ao usar e abusar do dinheiro dos contribuintes guineenses para custear despesas de deslocação e oferecer mantimentos a uma certa religião, está o Estado a violar o princípio da igualdade, o que é proibido pela Constituição.

A condição de igualdade entre as religiões implica em não favorecer pessoas ou grupos ligados a nenhuma religião, o que não tem acontecido no país. Tem existido muita influência religiosa nas decisões do Estado devido a relações de dependência ou aliança com essa classe religiosa privilegiada.

Pergunta-se, será que certos líderes querem transformar o país num Estado teocrático?

Tendo em conta o número de crentes dessa religião nas esferas prioritárias de
decisão e a entrada em massa deles no país (já com passaporte guineense), tudo parece que sim. O pior é que: possuidores de passaporte guineense, esses emigrantes julgam-se mais guineenses que os próprios naturais e tentam intrometer-se em tudo o que não lhes diz respeito.

Nada está sendo feito à toa!

É do conhecimento de todos que durante anos os políticos guineenses têm sido corrompidos pelos petro-dólares dos profanadores dessa religião, em que estes acabaram por lhes vender facilidades. É também do conhecimento de todos, as oferendas que esses países têm feito aos seus amigos. Essas oferendas são encobertas sob pretexto de serem para o povo, no entanto, os únicos beneficiários têm sido a religião protegida pelo Estado guineense.
A realidade porém, é que o número já existente de crentes no país é suficiente para decidir uma eleição e exigir que a sociedade guineense aceite ou mesmo se adapte ao seu estilo de vida, o que é bastante perigoso.

Num Estado laico, o governo não deve promover nem favorecer uma religião em detrimento de outra e deve o mesmo entender, que os dogmas de fé não podem guiar as decisões do Estado.

O governo deve apenas garantir, igual protecção, reconhecer liberdade religiosa a todos, tendo em conta o papel social das igrejas na sociedade.

 (*) Nota: Gostaria de esclarecer o móbil das minhas observações para evitar possíveis pensamentos tendenciosos. Não procuro ferir susceptibilidades, não condeno nem me pronuncio sobre nenhuma religião até por que a liberdade religiosa está consagrada na constituição. Pretendo apenas chamar a atenção perante factos constatados.

quinta-feira, 11 de junho de 2015

O que faz correr Mohamed VI

Em 28 de maio de 2015, o rei de Marrocos Mohamed VI pousou na Guiné-Bissau para uma visita de dois dias destinado a aprofundar bilateral relações.


1 A visita oficial foi parte de uma turnê por quatro países da África sub-saariana, que incluía três de Marrocos de principais parceiros regionais: Senegal, Costa do Marfim e Gabão. À primeira vista, é difícil entender a razão para a inclusão da Guiné-Bissau em tal uma viagem de alto perfil. Isso, no entanto, se torna mais clara quando se considera o contexto geopolítico em que Marrocos está inserido, bem como as diretrizes de política externa Rabat vem desenvolvendo há mais de uma década.

Em termos gerais, o passeio é representante da intenção de Marrocos para evitar seu isolamento relativo na África - é o único país Africano que não é membro da União Africano (UA) - foco na cooperação Sul-Sul e transformar o continente Africano em uma "prioridade estratégica" .
 
2 De fato, desde 2000, o monarca tem vários países subsarianos vis ITED, concluíram acordos bilaterais, e tem sido um acérrimo defensor de causas e interesses africanos, quer por contribuir activamente para as operações de manutenção da paz ou de apoio países da África Subsariana em fóruns internacionais.

Pode-se, com razão, concluir que os interesses económicos eram um importante factor de mudança de Marrocos para com os seus vizinhos do sul. Em um contexto de baixa procura europeia de exportações marroquinas, Rabat reconhece a necessidade de desenvolver laços com os países subsaarianos em rápido crescimento, nomeadamente na África Ocidental, a fim de impulsionar a economia nacional. Em 2014, a África Ocidental foi o segundo mais rápido crescimento sub-região do continente (5,9%), com estimativas apontando para 6,2% em 2015
 
3 Dada a proximidade geográfica da sub-região com Marrocos e o potencial associado com taxas de crescimento económico fantástico, não é surpreendente que Rabat tenha uma posição favorável em países do Oeste Africano.

Com relação à Guiné-Bissau, pode-se facilmente compreender por que razão Marrocos vê o minúsculo país do Oeste Africano como atraente: o retorno à ordem constitucional e estabilização institucional levará, pelo menos em teoria, para o relançamento da economia da Guiné-Bissau, ou seja, para o surgimento de um mercado consumidor e, mais importante, para oportunidades no sector de construção de infra-estruturas - são notavelmente escasso no país, resultado de décadas de instabilidade política, bem como a governação pobre e fraca.

No aprofundamento da sua relação com a Guiné-Bissau, Rabat tem maior margem de manobra para expandir a influência em uma região onde a maioria dos países têm vindo a cimentar laços estreitos com o Reino - a saber, Senegal, Guiné, Costa do Marfim, Mali e Mauritânia - desta forma formando um bloco estratégico, que certamente irá favorecer interesses políticos e de segurança marroquinas. Dito isto, os motivos para a mudança de Marrocos em direcção ao sul claramente vão além dos interesses económicos.

Mais de que ganhos económicos

A aproximação e reforço dos laços com os países da África subsariana aumenta a posição político-diplomático de Rabat, garantindo assim um apoio mais amplo para as questões diplomáticas sensíveis - como o caso do Saara Ocidental - e também uma maior projecção e influência nas instâncias internacionais. Na verdade, ao fazer o que marca o fim da visita de Mohamed VI declaração conjunta, o presidente da Guiné-Bissau, José Mário Vaz, reiterou o apoio do seu país à soberania de Marrocos sobre o território disputado. Além disso, o presidente Bissau declarou apoio de seu país à candidatura do Marrocos para participar da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), como observador: se for bem sucedida, Rabat estará presente em outra grande front. 
 
4 diplomática O monarca marroquino tem vindo a fazer uso estratégico da sua "diplomacia religiosa", 5 de modo a atingir uma relação mais estreita com os países subsarianos. O Rei é visto como um moderado com relação ao Islã, que serve o propósito de fomentar laços e aumentar a influência de Rabat. Para este fim, ele aproveita as ligações estreitas entre o Islã na África sub-saariana e tradições sufis centenário de Marrocos, bem como do fato de que, devido a razões históricas, muitos muçulmanos na sub-região de reconhecer a legitimidade do monarca de liderança religiosa. Note-se que a África Ocidental é a única sub-região da África sub-saariana, com uma maioria muçulmana (52,2% em 2010), com estimativas apontando para um aumento de 60% nos próximos 20 anos.

6 Esta abordagem visa igualmente combater e limitar a propagação da ideologia Wahhabi, que inspirou os grupos extremistas por trás da instabilidade na região. Este assunto também é relevante no que diz respeito à Guiné-Bissau, um país onde cerca de 45% da população é muçulmana e é provável que compreendem 48,8% em 2050,
 
7 Ao aplicar a "diplomacia religiosa" em sua relação com a Guiné-Bissau, Rabat está avançando uma estratégia eficiente não só para conter o extremismo religioso na pequena nação da África Ocidental - que de outra forma pode derramar-over em toda a região -, mas também para inserir Bissau dentro de sua esfera de influência. Portanto, não é surpreendente que Mohamed VI acabou orações principais na Mesquita Attadamum, em Bissau, durante a sua visit.
 
8 Além disso, também digno de nota é a ligação entre o tráfico de drogas ea expansão de grupos jihadistas no Sahel. Apesar da queda no tráfico de droga na Guiné-Bissau - em grande parte devido ao regresso à ordem constitucional e operações dos EUA na região - o fenómeno ainda é muito presente. Isto representa uma ameaça para os interesses de Rabat, desde que as drogas financiar e promover jihadi e organizações criminosas no Sahel - Marrocos é um dos pontos de trânsito entre África e Europa para narcóticos originários da Guiné-Bissau.

9 Um dos principais temas abordados por ambos os lados durante a visita de Mohamed VI para Bissau foi precisamente para reforçar a cooperação de segurança, nomeadamente a luta contra o terrorismo e o crime organizado. Marrocos é um dos principais jogadores antiterroristas regionais no Sahel e entende que a luta contra o extremismo religioso só pode ter sucesso através de uma maior cooperação bilateral e regional. Dito isto, os laços mais profundos entre os dois países, nomeadamente em termos de promoção do desenvolvimento sócio-económico e Estado de direito na Guiné-Bissau, é uma abordagem necessária, de modo a conter potenciais áreas de tensão e instabilidade, ao promover uma maior e mais eficiente a cooperação.

Conclusão


Marrocos tem vindo a diversificar a sua relação externa, mudando seu foco para a Cooperação Sul-Sul, em particular com a África Ocidental. Considerando-se altamente atractivo potencial económico e político-diplomático da região, esta é uma abordagem lógica para qualquer nação com a intenção de aumentar a sua influência. Consciente das limitações associadas a não fazer parte da UA, Rabat tem aproveitado as ligações religiosas tradicionais com populações muçulmanas na região subsariana, especialmente com a África Ocidental, bem como do seu papel cada vez mais importante na luta contra o terrorismo na Sahel.

Manipulação estratégica de Rabat daquelas ligações religiosas promoveu Marrocos tem um parceiro fiável e empenhado no contexto de segurança e estabilidade da região, ao mesmo tempo que lhe permite projectar a sua influência. Guiné-Bissau se encaixa bem nessa estratégia, espelhando a importância com que Marrocos refere ao país dentro África Ocidental. Além disso, a natureza abrangente da política externa de Marrocos no sentido sub-região cria um terreno fértil para uma maior cooperação regional.

A contribuição do Reino para a luta contra as actividades criminosas, para a promoção do Estado de direito, para a consolidação da ordem constitucional, e para o desenvolvimento socioeconómico na Guiné-Bissau é crucial para a própria estabilidade de Marrocos. Não optar por uma estratégia multidimensional deste tipo representa um risco que Rabat, como potência regional em ascensão, certamente não quer tomar. Marrocos da estabilidade interna, crescimento económico e afirmação internacional estão profundamente entrelaçadas com as fortunas da região que compreende África Ocidental e do Sahel. Dito isto, apesar de Guiné-Bissau é relativamente menos importante do que outros países da região, deve, contudo, ser considerado como parte integrante do cenário complexo em que Marrocos está inserido.

Sobre o autor:
* Gustavo Plácido dos Santos, Instituto Português de Relações Internacionais e Segurança
 
 
 
 Notes:
1. 16 bilateral agreements were signed in several areas. “África: Guiné-Bissau e Marrocos assinam 16 acordos de cooperação” (Agência Angola Press, 29 May 2015).
2. “Africa, Strategic Priority for Morocco’s Foreign Policy: Minister” (Morocco World News, 25 May 2015).
3. “World Economic Situation and Prospects: Mid-2015 Update” (ONU, 19 January 2015), p. 112.
4. “Joint Declaration issued at the end of Official Visit of Morocco King to Guinea Bissau” (Maghreb Daily News, 31 May 2015).
5. Ghita Tadlaoui, “Morocco’s Religious Diplomacy in Africa” (FRIDE, 27 February 2015).
6. “The Future of the Global Muslim Population: Sub-Saharan Africa” (Pew Research Center, 27 January 2011).
7 .In contrast, the Christian population is expected to decrease from 19.7% in 2010 to 16% in 2050. “Global Religious Futures” (Pew Research Center).
8. “Rei de Marrocos dirige oração na Mesquita de Attadamum em Bissau” (Portuguese News Network, 29 May 2015).
9. Guinea-Bissau has been dubbed as the first narco-state in Africa. “Africa’s Cocaine Hub: Guinea-Bissau a ‘Drug Trafficker’s Dream’” (Spiegel International, 8 March 2013).
 
 

Dignificação memorial de Amílcar Cabral

Ontem à noite estive a escutar, distraída, uma entrevista do nosso Ministro da Cultura, Dr. Mário Lúcio sobre a organização dos festejos dos 40 anos da nossa Independência. A certo momento a jornalista fez-lhe uma pergunta sobre a convivência, no mesmo espaço, do Memorial “Amílcar Cabral” com um Mercado de frutas, legumes e peixe.


Eu já tinha ouvido falar sobre a eventualidade desse “arranjo” urbanístico, mas tinha decidido não entrar de novo na luta pela dignificação da estátua do meu pai, achando que já o tinha feito varias vezes e tinha a esperança que vozes se levantassem para demonstrar o absurdo dessa combinação.

Mas, a resposta que ouvi fez-me mudar de ideia, tinha que intervir não só como filha, mas sobretudo como historiadora e cidadã deste país. Quando um politico e homem de cultura diz que o problema da coabitação de um “Memorial” com um Mercado (quero deixar claro que estou completamente de acordo que um mercado “pode ser belo” e que não quero prejudicar a actividade económica de ninguém) é estritamente técnico, já que o dever do Instituto do Património Cultural é apenas preservar o monumento/património nacional, eu não posso concordar, não posso ficar calada!

Uma estátua esculpida por volta de 2000, não é património nacional, é pedra (ou bronze) trabalhada! Ela torna-se património nacional se representa um espaço de memória.

Segundo o historiador francês, Pierre Nora, os espaços de memória, são fundamentais a qualquer sociedade porque não existe memória espontânea. Mas, um espaço "só é lugar de memória se a imaginação o investe de uma aura simbólica [...] só entra na categoria se for objecto de um ritual".

Por isso, o Memorial “Amílcar Cabral” para ser património nacional tem que ser um lugar de memória, no qual a estátua é muito mais que uma escultura, já que é transformada por rituais num símbolo que nos relembra um momento da nossa História Colectiva, é um espaço que nos faz rememorar os ideais, as renuncias, as lutas de homens e mulheres que aceitaram sacrifícios para ver a bandeira da independência nacional subir a 5 de Julho de 1975, na Várzea.

Sem esse simbolismo, sem essa “utilidade” a estátua de Cabral não é nada, é bronze! Não tem valor nem para o património nacional, nem para a preservação da memória. Cabral não precisa de estátua, ele está morto, foi assassinado, será recordado pelo que fez, pelo que escreveu, pelo que lutou, pelo exemplo. Quem precisa de lugares de memória é a Nação, é a juventude, é o futuro.

Por isso, acho que seria mais digno, mais corajoso, que os decisores tivessem a coragem de retirar essa estátua que nada representa e só traz transtornos e embaraços a quem devia ter o dever de defender a memória histórica deste povo.
Seria mais digno para a figura de Cabral! A existência de um Memorial é uma escolha política! Se os políticos cabo-verdianos não acham útil a existência de um lugar de memória, não defendem a sua dignificação, acham normal a coexistência no mesmo espaço de um Memorial (memória) e de um Mercado (comércio) deveriam tomar a única decisão que a meu ver é coerente: libertar a estátua, transforma-la de novo em nada, derreter o bronze!

Eu, apesar de ser a filha mais velha de Cabral não tenho esse poder, mas tenho o direito a indignação!

( Srª Iva Cabral, in pág FBook, com a devida vénia)






 
 

sexta-feira, 5 de junho de 2015

Naturalmente subscrevo este texto...

Pressinto uma "conspiração" contra a Guiné-Bissau, orquestrada, pelos próprios guineenses. Continuamos sem saber o que queremos, porque o que na verdade queremos é o interesse pessoal e não o Interesse Nacional.


Continuamos a degladiar, feitos inimigos, apenas para sustentação dos nossos interesses pessoais, esquecendo-nos do COMPROMISSO para com o PAÍS, sua afirmação, estabilidade e, quiçá, o BEM-ESTAR COLECTIVO.

Uns e outros, argumentando liberdade de expressão, não têm mais nada a dar ao debate de ideias sobre o país, que não a partilha de informações que deveriam ser confidenciais, ou noutra amplitude, consideradas "Segredo de Estado", de forma distorcida e na estrita observância de uma estratégia de confronto institucional, que vai ganhando espaço e visibilidade, nas suas múltiplas vertentes e "objectivos"...

Precisamos de uma Grave Crise Institucional, "suportada" por conflitos entre os órgãos de soberania...?!

O que é que queremos, afinal?!

Os cidadãos têm direito a serem informados com rigor, com isenção e responsabilidade, quando se trata de dar a conhecer notícias oficiais ou se quiserem, oficializadas.

Não é aceitável num Estado de Direito, que documentos confidenciais, de Instituições do Estado, dos quatro órgãos de soberania, cheguem aos blogues, não com o intuito de informar, esclarecer algo, mas num aproveitamento irresponsável de levar avante uma estratégia premeditada de, uma vez mais, se prejudicar a Guiné-Bissau e todo um Plano de Mudança, visando a ruptura com os males de um passado de cerca de 42 anos. Tenhamos juízo!

Porque é que quem de direito das instituições afectas aos quatro órgãos de soberania, não convoca os órgãos de comunicação social, reconhecidas como tal, para, em conferência de imprensa, dar a conhecer o que quer que seja, tendo em conta a responsabilidade política e jurídica, quiçá, institucional, dos órgãos de soberania, para com o povo guineense?

Como continuar a permitir que documentos confidenciais de instituições da República sejam partilhados nos blogues, antes de qualquer conferência de imprensa ou despacho aos órgãos de Comunicação Social e sem a mínima preocupação com a ética, com a fidelidade para com o Estado e seus assuntos, tidos como segredo, sem serem devidamente observados/preenchidos os requisitos para a fase de divulgação pública?

Que País queremos construir, quando continuamos a fazer tudo para não se concretizar nenhuma Mudança Positiva capaz de nos fazer vislumbrar um futuro mais promissor...?!

Meus irmãos e minhas irmãs, está na hora de evoluirmos!
Está na hora de acabarmos com intrigas; com incitações ao retrocesso, porquanto, é nesse âmbito que as evidências nos levam.

Que Estado, para que Povo?
Que Nação, para que Gerações?

O que é que queremos afinal, que ainda não consegui perceber (desculpem a minha ignorância sobre assuntos da Guiné-Bissau e dos guineenses...)?!

Quando deveríamos estar todos unidos, agradecendo a excelente oportunidade de Mudança que se nos depara, com a ajuda da Comunidade Internacional; trabalharmos cada vez mais e melhor, visando o Progresso do País e o Bem-Estar das nossas populações, não é que resolvemos continuar a brincar com o Sentimento Colectivo; com a República e, porque não, com todos quantos ainda acreditam em nós e nos têm ajudado apesar de também estarem a enfrentar efeitos da crise económica e financeira mundial...?!

Positiva e construtivamente,

Didinho 05.06.2015
 
 
(editor: não me identificando c/ o autor politicamente, subscrevo este texto e, mais haveria a acrescentar, possivelmente)


domingo, 24 de maio de 2015

Falar em termos étnicos

Eu fico petrefacto, que em pleno Séc. XXI ainda existam pessoas ou grupo de pessoas, que ao falarem da GB ainda o fazem em termos étnicos.

Eu vejo a GB como um todo, onde existem várias etnias que coabitam pacificamente entre si, embora existam interesses de certos políticos em fomentar o tribalismo. A junção dessa diversidade étnica, é que enriquece a cultura guineense. Por isso existe uma única lei no país para todos. Todos são iguais e possuem os mesmos direitos perante a lei. Não existe lei para Mandjacos, outra para Fulas, etc. Torna-se portanto ridículo, haver blogues a favor da etnia A ou B. Não faz sentido. Ao se falar do país, fala-se de um todo, se o país tem problemas deve ser partilhado por todos. A união de todas as etnias é que vai fortalecer o país. Isso só se consegue com políticos sérios, cultos e profundamente comprometidos com a pátria.

A experiência da vida me tem ensinado que só pessoas deturpadas (seja mentalmente, seja por ignorância,complexos, recalcamento, racismo, ou qualquer outra índole), têm a tendência de incentivar o tribalismo ou racismo, por se sentirem ameaçados. ("Isso é um assunto que não desenvolverei, talvez um dia me debruce sobre isso".)

Nos dias de hoje, não se pode permitir mais, que um número muito limitado de indivíduos ponham em causa toda uma Nação. Esse ódio que nutrem por pessoas de cultura diferente da sua tem que ser abolida na sociedade guineense. Repito, a força da GB, é a sua diversidade cultural.


(Otílio Camacho, maio 2015)

terça-feira, 19 de maio de 2015

"A RECONCILIAÇÃO "


Hoje a caminho do trabalho ouvi, na RDP África o Presidente da Assembleia Nacional Popular da Guiné-Bissau dizer acertadamente que é necessário fazer um esforço para ultrapassar o que aconteceu no passado, para nos reconciliarmos verdadeiramente, “sem ajustes de contas” ou “caças às bruxas”.


E dei por mim a pensar sobre aquelas palavras. Ditas com convicção como aliás quase todos os autores políticos da Guiné- Bissau ao longo destes anos fazem quando falam da Paz e Estabilidade. E disse para mim:

“Se a verdadeira reconciliação fosse apenas uma questão de palavra tínhamos o assunto resolvido. Porque os discursos à volta deste tema são todos firmes, bonitos, entusiasmantes etc. Mas não”.

Entendo, modéstia à parte que o problema da reconciliação é mais complexo do que parece e exige mais do que simples palavras. Não envolve retórica, dinheiro, conferências, colóquios, projectos etc…É uma questão de vontade primeiramente individual, depois política, dos autores políticos para que nós, o povo nos sintamos bem representados e possamos ter a certeza que o interesse geral é o que move quem nos governa. Ultrapassar as divergências e procurar a reconciliação.

Espero que, quando se fala em reconciliação, o discurso seja dirigido, primeiramente aos autores políticos, a todos os órgãos de soberania com responsabilidades políticas, com responsabilidades pelo desígnio do País e com a responsabilidade de carregar um povo que deve ser o foco de atenção. A esses porque a verdadeira reconciliação deve vir de cima, o exemplo não deveria ser invertido. Até por uma questão de crença, motivação necessária.

Não nos peçam reconciliação porque nós, o povo, já mostramos que ultrapassámos o passado, pela nossa paciência e capacidade de perdoar vezes sem conta ao longo destes 40 anos.

Demonstrámos que não esquecemos tudo o que se passou mas pretendemos a Paz e Estabilidade e por isso ultrapassámos o passado.

Não esquecemos estes 40 anos de sucessivos adiamentos do desenvolvimento do país, mas perdoamos e mobilizamos por uma causa comum: o País. Exemplo disso foi a capacidade de mobilização para as ultimas eleições, a maturidade, o civismo, a tolerância demonstrada.

Não esquecemos estes últimos anos de vários recomeços mas ultrapassamos e abraçamos mais uma esperança e apoiamos os que entendemos que bem nos podem representar.

Reconciliação significa ultrapassar, perdoar mais do que esquecer. Mas a capacidade de perdoar, ultrapassar só acontece quando o geral é mais forte do que individual.

Quando o nosso orgulho não representa nada quando em causa estão pessoas e o país.

Mas só os verdadeiros patriotas promovem a Paz e Estabilidade. E esses estão escassos.

Só têm a capacidade de reconciliar e promover a Paz os que agem sem arrogância e orgulho exagerados. Os que sentem e com atitude lutam para aliviar a pobreza, os sacrifícios e sofrimentos do seu povo.

Os que o interesse geral está acima do seu interesse pessoal.

Os tolerantes e maleáveis nas palavras, os que promovem o diálogo e buscam consensos.

Por tudo isto e mais ainda, acreditar que possa existir algures por aí” Homens ” com vontade de promover a verdadeira e necessária reconciliação.

O povo ainda acredita. O povo tem paciência. Mas até a paciência tem limites.

Porque no fim Guiné- Bissau e seu povo 1º.

19/05/2015

Amélia Costa Injai (ACI)

Guineense

Gestora Bancária

Licenciada em Ciências da Comunicação e Cultura

Formação Gestão e liderança


segunda-feira, 4 de maio de 2015

«BOBÔ» Um filme guineense a exibir em Lisboa, a 14 de Maio

Amigos, o nosso filme estreia nas salas de cinema neste mês de Maio! 

Dia 14 no Cinema City Alvalade e em breve teremos as confirmações de outras salas. Até já!

 

 

quinta-feira, 30 de abril de 2015

" Entre Nos Ku Nos "

“O Estado somos nós todos. Sempre que o estado perde somos nós todos que perdemos“.


Quis o destino que 18 de Abril, fosse o primeiro encontro do 1º ministro Guiné Bissau com a comunidade Diáspora residente em Portugal.
Coincidência, porque como todos se devem lembrar foi neste mês de Abril, dia 13 o dia em que os guineenses foram chamados à urna; foi data em que cada pessoa caminhou pelo seu pé, com esperança nos passos e futuro na caneta e, riscou uma cruz onde entendeu em consciência. Nas eleições reconhecidas como livres, justas e transparentes.

Nove meses passaram após a tomada de posse do governo do Engº Domingos Simões Pereira, em contagem decrescente, com o ponteiro do relógio a contar desde o primeiro dia em que, na tomada de posse a Primeiro- Ministro considerou que, “ hoje começa a tocar, no sentido regressivo o relógio para, num período de quatro anos, mudarmos a sorte e o destino desta Nação”.
A sala do ISG - Instituto Superior de Gestão do Grupo Lusófona era pequena, para tanta afluência. Lugares sentados todos ocupados, os espaços vazios de passagem serviram para acomodar os que, mesmo no desconforto, preferiram ouvir o que governo tem feito e pretende fazer para a sua pátria amada, terra ”ku no junta”, o que o Primeiro- Ministro tem a dizer sobre o que o povo pode esperar para os 3 anos e meio que ainda faltam de governação, de uma legislatura de 4 anos em que o programa foi orientado para três fases:

- Programa urgência

- Programa de contingência

- Programa de Desenvolvimento

Porque todo o encontro também é uma oportunidade de partilha, convívio não podiam faltar momentos de diversão, Dr. Eddy Sousa dos Santos abre a sessão e faz apresentação dos momentos culturais que seguem:

Começamos por visionar um vídeo alusivo ao país. Um filme “Uma Nova Cara da Guiné-Bissau”. Um filme bem conseguido: a primeira imagem que salta a vista é das nossas paisagens e, quando os primeiros sons soltam, é a voz de uma professora numa sala de aula, sob o olhar atento das crianças. Depressa se compreende que é da responsabilidade dos adultos proporcionar condições às crianças dar-lhes conhecimento, porque elas constituem um estímulo para a tal construção do País moderno assente na educação.

Pelo filme percebemos que fomos abençoados pela Natureza, a nossa biodiversidade que muito o governo tem promovido é a diferença que nos distingue dos outros países, a nossa identidade e nossa vaidade.

E se” Terra Ranka “ caminho também “lundju inda”, temos muito trabalho pela frente. Os pés da palmeira de “Tchebem “ não enganam, mostram a dificuldade, mas também a vontade de chegar longe, esta passagem do filme arrancou aplausos.

Mesmo as pernas “longas“ do personagem – nação a subir a palmeira não fizeram chegar mais depressa, era de facto muito longa a subida. Requer tempo, vontade e paciência.

Assim também deve ser entendido o país.

A Karina Gomes acompanhada pelo músico Ibrahima Galissa cantou e encantou ao som mágico do instrumento Kora, como sempre protagoniza um bom momento de interacção com o público. Cria o diálogo à volta do papel importante que a mulher desempenha e representa na sociedade. A importância das Mulheres como mães, mulheres, esposas, e donas de casa. A importância delas na construção de uma sociedade mais justa e equilibrada.

Netos di Gumbé, grupo de dança, vestidos a rigor com trajes típicos da nossa terra, animaram o público, que se deixou “levar” pelo momento, mas não esquecido do que os levou àquele espaço.

E talvez por isso se começou a verificar sinais de impaciência. Algum ruído de fundo de protesto, acusava à ansiedade pela espera de ver o Responsável de Governo chegar.

E como o relógio é o tempo, e como o tempo também não para (e até exige), o Primeiro-Ministro chega às instalações sob fortes aplausos e encontra-se com a comunidade guineense em Portugal, com objectivo de a envolver na nova dinâmica que se exige, um novo ciclo necessário e uma nova oportunidade que se abre e não se deve desperdiçar que segundo o Primeiro–Ministro a todos deve orgulhar constituindo um dever de todos, em participar e contribuir.

Até porque se ponteiro do relógio não para, o tempo esse não perdoa!

Visivelmente emocionado, postura firme, voz eloquente agradece a presença de todos os guineenses e amigos da Guiné Bissau.

Porque um Primeiro- Ministro que quer e já vê o país “iluminado”, ”Sol na iardi”, porque “Terra Ranka”, não pretende que seja ele sozinho a ver essa “luz” e sentir esse “calor”. Com a sua primeira intervenção passou calor a todos. Os ânimos depressa se acalmaram dando lugar a entusiasmo e palmas. E depressa os sinais de impaciência passaram a ser coisa de passado.

O Primeiro- Ministro neste primeiro discurso entre o Kriolo e Português, começou por falar da forma como foi pensada e preparada a visão estratégica a apresentar em Bruxelas. Reconheceu o sucesso porque conseguiram mobilizar várias sensibilidades, transversal a toda sociedade nacional e internacional e definir um projecto que reuniu o maior consenso possível e que resultasse num documento forte e consensual, onde reflectisse, a visão estratégica e plano operacional do desenvolvimento sustentável pretendido para Guiné- Bissau, assente em 5 grandes áreas de intervenção. Mas projectada em duas fases de diferentes períodos, “TERRA RANKA” 2015 -2020 e “SOL NA IARDI” 2020 – 2025 “:

1 – PAZ E GOVERNAÇÃO

2 - BIODIVERSIDADE E CAPITAL HUMANO

3 - INFRA- ESTRUTURAS E DESENVOLVIMENTO URBANO

4 - DESENVOLVIMENTO HUMANO

5 - AMBIENTE NEGÓCIOS

E essa envolvência resultou no sucesso que foi à Mesa Redonda de Bruxelas, a 25 de Março 2015.

Durante horas Guiné- Bissau foi o centro das atenções, pelo lado positivo. Segundo o Primeiro-Ministro (os números não enganam), dos 70 países que fizeram parte, 45 tomaram palavra, e mostraram interesse em colaborar no desenvolvimento do país.

O feedback foi positivo , diz o Primeiro–Ministro, as palavras elogiosas para o país e seu povo foram encorajadoras. Ele sentiu e ouviu a intenção da Comunidade Internacional voltar a ter A Guiné-Bissau na sua agenda.

Era visível o orgulho nos olhos das pessoas, a esperança no bater forte das palmas. O Primeiro - Ministro fez uma pausa para sentir o momento, mas logo fez com que as pessoas realizassem, que o foi feito em Bruxelas foi importante, mas só e apenas valerá a pena se os Guineenses tiverem a capacidade de se entenderem e juntos implementar o projecto. Refere que “o sucesso da Mesa Redonda só depende de nós”, da nossa vontade de Fazer acontecer aquelas intenções.

Para isso volta a relembrar a Paz e Estabilidade necessárias no País.

Eleva mais a voz para chamar a atenção para as responsabilidades que temos e para a importância de não desperdiçamos tempo e nem de voltarmos a arrepiar caminho.

O país e as pessoas merecem uma nova Guiné- Bissau. Uma Guiné-Bissau Positiva, onde todos possam coabitar, dentro da respeitabilidade, sem olhar a sobrenomes, a etnias, sem privilégios para alguns em detrimento de outros.

O discurso volta para “situações” internas e fala de algumas polémicas que estão a ser na ordem do dia, em particular o “caso“ da exploração da madeira, onde se diz estar seu nome envolvido. Refere estar a ser atacado por alguns meios de comunicação, nomeadamente “blogues”.



Em minha consciência, considero ter sido este, o “pecado” do discurso do Primeiro-Ministro. Dar a conhecer as injustiças, ataques que tem sofrido, não implica que tenha de mencionar que meio especifico é esse. E quando um chefe de governo aponta este facto, está a dar visibilidade a um meio que, na minha opinião, não merecia sequer ser mencionado.

Até porque os responsáveis por cargos públicos, têm a noção que não estão imunes a críticas. Não são perfeitos e a crítica é sinónimo de democracia, desde que seja construtiva. E devem estar conscientes que há os meios de comunicação social que fazem bem o seu papel (que é de informar), mas outros há também que de comunicação social não têm nada, e visam apenas atacar, ofender e levantar acusações, desestabilizar, incitar aos ódios etc…

Não querendo eu desvalorizar a importância dos blogues, mas se alguns blogues são de alguma forma responsáveis no tratamento da informação, outros são “usados” por anónimos para atacarem pessoas. Meios de comunicação que não têm a ética deontológica da profissão, não informam com verdade, isenção e responsabilidade, e não têm a mínima noção que a livre expressão de opinião tem e deve ter limites. Estes meios de Comunicação devem ser ignorados, e não se deve dar a importância que não têm.

Mas sobre este assunto da comunicação social, meios de informação etc… tenho reparado, que requer discussão, em particular na Guiné–Bissau, sob pena de não se distinguir no futuro onde começa a informação e onde terminam os ataques. A Comunicação assume uma importância de extrema relevância numa sociedade, mas constitui um perigo quando mal usada. Deve fazer reflectir a todos, porque ninguém está imune a este “perigo” de desinformação.

Se entendermos que quem constrói o país são as pessoas, perceberemos que antes de tudo as mentalidades devem ser “edificadas”.

Ao contrário de mim, de ter considerado esta passagem no discurso menos relevante, porque tudo que são ataques pessoais, com verdade, ou inverdades, não me despertam especial atenção. Assumo no entanto que o público estava bastante atento, correspondia com palmas como que a dizer ao Primeiro-ministro “compreendemos o seu estado de espírito, estamos solidários consigo”.

E continuou seu discurso, desafiando, se algum dia se se vier a verificar indício de má gestão e de lesão ao estado, nesse dia se submeterá ao julgamento popular. Caso contrário apela para que o deixem trabalhar, que deixem trabalhar sua equipa, até porque tem responsabilidades para com o povo que o elegeu.

Diz estar preparado para “suportar”os momentos menos bons, até porque o governo tem de ter a coragem de implementar medidas mesmo que “impopulares” mas necessárias. As pessoas têm que perceber que há regras, leis e devem ser respeitadas para fazer funcionar as instituições. 

Referencia as medidas “impopulares“ que já foram tomadas, mal recebidas/compreendidas em alguns meios, mas que eram de facto necessárias.

Pausa… para que os membros e representantes das associações e individualidades expressarem as suas opiniões, de apresentarem as preocupações, dificuldades que a comunidade na Diáspora se confronta em vários domínios: desemprego, saúde, junta médica, documentação, as dificuldades que as embaixadas enfrentam para servir condignamente os seus cidadãos etc…

O Primeiro–Ministro ouviu atentamente cada uma das intervenções. Tomou nota das preocupações levantadas.

Retoma a palavra, e em jeito de síntese, vai passando pelas respostas e também vai dando alguns exemplos de que em alguns assuntos levantados, vários, já estão a ser analisados. Portanto conhece e reconhece as dificuldades da Diáspora no momento, mesmo que lhe falte alguns temas, o deputado da Diáspora na Assembleia Nacional Popular, não o fará esquecer com certeza!

Uma das preocupações levantadas é o regresso ao país. Neste ponto ele entende, que tem de ser um regresso concertado/pensado. E o governo vai trabalhar no sentido que visa contemplar toda a Diáspora onde os guineenses estão representados a regressar, mas numa estratégia bem estruturada.

Apelou à consulta da página electrónica do Governo, para acompanhar informações actualizada

Como várias perguntas são de foro social, diz que a área da segurança social é um dos assuntos que faz parte da sua agenda, como prioridade.

Também as embaixadas, as nossas representações diplomáticas também estão a merecer uma atenção especial da sua parte e seu elenco.

Sendo as embaixadas a extensão de um país, merecem que as estruturas sejam condignas para que as pessoas sejam bem tratadas com respeito e dignidade. As nossas diplomacias devem ser eficientes e eficazes para que irem encontro das necessidades da comunidade. É nesse sentido que vamos trabalhar.

Assim como começou, o Primeiro-Ministro termina e dirige um apelo à união de todos, à envolvência de todos, porque todos são necessários para a construção da “Guiné Positiva”, todos são necessários, cada um à sua medida para o desenvolvimento do País.

Assim como começa, também termina, visivelmente emocionado quando se refere a si como sendo o mesmo homem que era antes de ser Primeiro – Ministro. Com mais responsabilidades, é certo. Mas o mesmo homem que tem os mesmos hábitos, gosta e faz as mesmas coisas de antes. Com a mesma vontade de estar e chegar a todos, mesmo que essa disponibilidade seja agora mais limitada.

O encontro foi positivo, foi esta a minha percepção dos comentários que vieram da assistência. As perguntas com as preocupações do público foram logo no início dissipadas e respondidas pelo chefe do governo. É caso para dizer: mal seria se os nossos representantes não tivessem a sensibilidade de perceber como vai o país e as pessoas do país que representa.

O Hino Nacional fez uso da sua função. Unir as pessoas na despedida.

Porque no fim Guiné- Bissau e seu povo 1º




Amelia Costa Injai (ACI), Abril 2015

Guineense

Gestora Bancária

Licenciada em Ciências da Comunicação e Cultura

Formação Gestão e liderança