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Joseph Pulitzer
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terça-feira, 19 de abril de 2016

Cabo Verde destaca contributo da Educação no desenvolvimento do país

O primeiro-ministro cabo-verdiano, José Maria Neves, destacou hoje o contributo da Educação no processo de desenvolvimento do país, considerando que é um domínio "com obra feita" e indutor de orgulho nacional.


"Se há um domínio com obra feita em Cabo Verde e indutor de orgulho é o setor da Educação", sustentou o chefe do Governo cabo-verdiano, que falava numa cerimónia em que distinguiu com a Medalha de Mérito Educativo várias personalidades portuguesas.

Naquele que foi o seu último ato oficial enquanto primeiro-ministro após 15 anos a governar Cabo Verde, José Maria Neves indicou o percurso feito pelo país no domínio do ensino superior, investigação e consultoria, bem como os liceus em todos os concelhos e as universidades no arquipélago.

Quarta-feira, o parlamento cabo-verdiano reúne pela primeira vez após as legislativas de março que deram a vitória ao Movimento para a Democracia (MpD), numa sessão que marca o início da IX Legislatura, e sexta-feira o novo Governo, liderado por Ulisses Correia e Silva, toma posse.

José Maria Neves disse estar "emocionado", mas também "orgulhoso" por o último ato oficial ser o reconhecimento do contributo das personalidades portuguesas para o avanço e consolidação do ensino superior e da ciência no país.

Os homenageados portugueses foram a directora do Programa de Pós-Graduação Ciência para o Desenvolvimento (PGCD) e investigadora principal no Instituto Gulbenkian de Ciência (IGC), Joana Gonçalves de Sá, o professor do Instituto Superior Técnico, Pedro Lourtie, o professor da Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra Fernando Regateiro.

Foram ainda reconhecidos os professores da Universidade de Coimbra Pedro José Gomes Salinhos e Basilio Valladares, da Universidade de La Laguna, Canárias, ambos entretanto ausentes na cerimónia.

Considerando que a educação e ensino superior devem servir de referência para outras áreas e outros sectores, José Maria Neves espera que o mesmo empenhamento individual e cooperação dessas personalidades continuem no futuro "para o bem de Cabo Verde".

"Temos de continuar a ser muito positivos, a ter ambição e a mostrar que o desenvolvimento é possível em África e que Cabo Verde pode ser um país desenvolvido em 2030. Tenho a certeza que chegaremos lá se continuarmos a investir na educação, no ensino superior, na ciência e na inovação", perspectivou o ainda chefe do executivo cabo-verdiano.

O professor do Instituto Superior Técnico de Lisboa Pedro Lourtie disse que a homenagem do Governo cabo-verdiano significa o reconhecimento de um trabalho que tem vindo a fazer com Cabo Verde, país com quem colabora há 25 anos, tendo assessorado a criação da universidade pública (Uni-CV), em 2004.

Mais de dez anos depois, Pedro Lourtie, que trabalha com o ensino superior em Portugal como docente desde os anos 1970, considera que o ensino superior em Cabo Verde ainda é jovem, por ter arrancado mais tarde, e precisa de mais tempo para se consolidar.

Neste momento, apontou como questões mais importantes para o país assegurar a qualidade do ensino superior, recordando que foi aprovado recentemente uma Agência Reguladora do sector, que espera seja posta a funcionar e faça a sua função.

Pedro Lourtie destacou também o facto de ter sido feito um ensaio no ano passado de provas de acesso ao ensino superior e disse que, após ter feito um grande esforço na formação de professores doutores, outro aspecto que o país deve apostar é na investigação e desenvolvimento.

"Mas não basta ter doutores. É preciso organizar a investigação e dar apoio para que possa enraizar e criar uma cultura de fazer investigação no dia-a-dia e fazer avançar a ciência e ter melhores professores", concluiu.
 
 
 
 

segunda-feira, 18 de abril de 2016

XXVI Encontro da Associação das Universidades de Língua Portuguesa

A Associação das Universidades de Língua Portuguesa (AULP) vai realizar a partir de 29 Junho, em Timor Leste, o seu XXVI Encontro. Esta agremiação que reúne mais de 150 universidades e instituições de Ensino e Investigação dos países da CPLP e Macau, conta este ano com o acolhimento da Universidade Nacional do Timor.

Encontro vai decorrer durante três dias e associação vai abordar diversos aspectos em torno de “Rotas de signos: mobilidade académica e globalização no espaço da CPLP e Macau”.

Este tema será distribuído por várias sessões e dividido pelos seguintes subtemas: Políticas e estratégias de viabilização da mobilidade académica nos países lusófonos, Ciências - difusão e desenvolvimento (s) em língua portuguesa e Rotas de signos- sentidos, migrações e interculturalidade, paisagens, natureza e cultura e outros desafios das Instituições de ensino superior da AULP. A AULP informa que as “inscrições e envio de resumos para as comunicações acontecem até 20 de Maio, e que os intervenientes aceites serão notificados até 30 de Maio. Fixou ainda a data limite de entrega dos artigos/comunicações finais até 10 de Junho.



sábado, 16 de abril de 2016

Mário Cruz espera dar visibilidade às crianças escravizadas

O foto-jornalista Mário Cruz da agência Lusa, que hoje venceu o Prémio de Fotojornalismo Estação Imagem Viana do Castelo, acredita que o seu trabalho vai dar "visibilidade" à realidade das crianças escravizadas no Senegal e Guiné-Bissau.


"Tenho a certeza que esta distinção contribuirá para dar visibilidade a estas crianças que já há demasiado tempo são ignoradas, não só pela sociedade senegalesa mas por toda a comunidade internacional", afirmou o fotojornalista, de 28 anos.

Mário Cruz falava à Lusa no final da cerimónia de atribuição dos prémios da sétima edição do prémio que decorreu hoje no teatro municipal Sá de Miranda, em Viana do Castelo.

A reportagem intitulada "Talibés, escravos contemporâneos" retrata os "talibés", as crianças que são escravizadas e torturadas nas escolas islâmicas do Senegal e Guiné-Bissau e já foi premiado pelo World Press Photo.

A ideia de realizar o trabalho surgiu em 2009 quando estava na Guiné-Bissau a cobrir as eleições presidências.

Na altura, ouviu "histórias de crianças que estavam a desaparecer e a serem levadas para o Senegal para serem escravas". Investigou e, entre maio e junho de 2014, "tirou licença sem vencimento" para poder "documentar essa realidade".

Afirmou que "graças a esta, e a outras distinções o governo do senegalês já assumiu o compromisso de realizar uma campanha que vai percorrer o país todo para alertar para o que se está a passar".

Na categoria foto do ano, a novidade da sétima edição do Prémio Estação Imagem, o vencedor foi o galego Gabriel Tizón, com uma fotografia captada no campo de Moria, na ilha de Lesbos, na Grécia.

"Em termos pessoais este prémio é importante para me dar ânimo para continuar a trabalhar em tempos difíceis. Também é importante pelo tema, pelas pessoas que fotografei para que seja dada a conhecer a sua situação", sustentou à Lusa o fotógrafo galego.

Para o presidente do júri, Aidan Sullivan, vice-presidente da Getty Images e presidente do júri do World Press Photo 2012, as fotografias em concurso são "de grande qualidade e ao nível do melhor que se faz em todo o mundo.

"Sou júri em muitos prémios em todo o mundo e devo dizer que não sabia o que me esperava. Alguns trabalhos superaram, em muito, a minhas melhores expectativas. Foi muito difícil escolher", salientou.

João Silva, foto-jornalista do jornal New-York Times, que também integrou o júri, classificou como "super impressionante" o nível do foto-jornalismo português.

"É de nível internacional. Gostei muitos dos trabalhos e não foi fácil. Foi uma grande experiência", sustentou, destacando a importância do Prémio Estação Imagem Viana "para dar relevo ao foto-jornalismo, que se faz cada vez menos, por causa do problema económico que afecta a imprensa".

O diretor do Prémio, Luís Vasconcelos, destacou "a coincidência de alguns dos vencedores serem profissionais que recentemente foram despedidos e caíram nas malhas do desemprego, fruto do desinvestimento e consequente crise que afeta o panorama jornalístico".

Este ano o prémio Estação Imagem registou a participação de 200 foto-jornalistas, o que, segundo a organização, representa "a quase totalidade dos profissionais portugueses da área", e que apresentaram a concurso 336 reportagens e mais cerca de uma centena de candidaturas à bolsa e à foto do ano.

O prémio tem como parceiro principal a Câmara Municipal de Viana do Castelo.

O presidente José Maria Costa sublinhou a "elevada qualidade" dos trabalhos e dos temas abordados "muito actuais e que inquietam as consciências", e destacou a importância do foto-jornalismo.

"Infelizmente, hoje não se dá tanta atenção quanto se devia. A capacidade, a arte, a sensibilidade destes artistas que conseguem, numa imagem, exprimir, sentimentos, poesia, drama. Foi uma galeria de arte que hoje tivemos aqui ao vivo", disse.
 
 
 



 

Português é destaque na NASA. "Não estava nada à espera desta honra"

Esta não é a primeira vez que Miguel Claro vê o seu trabalho reconhecido pela agência espacial norte-americana. A NASA publicou ontem (sexta-feira) uma fotografia que foi tirada a 8 de abril no Barreiro, em Almada.


“Confesso que não estava nada à espera desta honra e poder levar novamente os céus de Portugal além-fronteiras, desta vez, com uma vista de Almada e Lisboa captada a partir do Barreiro”, escreveu Miguel Claro na sua página do Facebook.

A imagem, destacada como a Astronomy Picture of the Day e publicada no site APOD da NASA, tem como pano de fundo o rio Tejo, a ponte 25 de Abril e o Cristo Rei. Mas não são estas as características que valeram esta distinção ao astro-fotógrafo.

Olhando para o céu assiste-se ao ‘encontro’ alinhado entre a Lua Crescente, que está no ponto mais próximo da Terra, e o planeta Mercúrio.

“O cenário citadino encantador em pano de fundo, com o Cristo Rei em Almada e a Ponte 25 de Abril que interliga a capital lisboeta, foi captado a partir do Barreiro, graças à simpática ajuda e disponibilidade do meu bom amigo e fotógrafo local Nuno Lopes, que esteve o tempo todo com a chapeleira do carro, a tentar proteger-me do forte vento que se fez sentir nessa noite. Obrigado por toda a ajuda Nuno!”, explica o astro-fotógrafo.

Recorde-se que ainda há pouco tempo, no passado mês de março, outra fotografia de Miguel Claro mereceu destaque.
 
 
 

quinta-feira, 14 de abril de 2016

O Projecto Dinopi travou os tambores da excisão na G-Bissau

A Rede Dinjtis Nô Pintcha (Povo vamos em frente), trata-se de uma entidade federadora de várias ONG’s, que lutam neste país lusófono contra as chamadas Práticas Nefastas.

 
Para quem não sabe, o Fanado, como também é popularmente designado, trata-se de uma prática popular, “cultural” até e que consiste no corte e remoção do clítoris, de meninas, logo após atingirem a idade da puberdade. Geralmente associada às comunidades islâmicas de vários países da África Ocidental ao Egipto, as autoridades religiosas dos mesmos, esforçam-se por a eliminar por completo, negando assim que se trata de um qualquer preceito islâmico. Na verdade, tudo leva a crer que se trate de uma prática pré-islâmica e que tudo terá a ver com a partida dos homens da tribo em busca de caça, ausentando-se por longos períodos de tempo.
 
Para garantirem que às respectivas mulheres não lhes viessem “os calores” enquanto estavam longe, a solução mais prática e viável encontrada, foi o de cortar literalmente o mal pela raíz! Outras explicações há, mas esta parece-me ser a mais razoável de todas. O Ser Humano também tinha o seu período de cio e acasalamento, sendo estas longas e prolongadas ausências por parte dos machos que vieram desregular todo o processo do Relógio Biológico e fazer de nós, do ponto de vista sexual, o que somos hoje, já que a haver cio, ele agora é permanente, pelo menos no Ocidente hedonista, onde a apologia de que a prática do sexo faz bem à pele e à saúde, é permanente.

Quanto à Dinopi, parte do seu período de acção directa e indirecta, é já num momento em que a Mutilação Genital Feminina (MGF) está criminalizada por lei, pelo que se concentrou na árdua e morosa tarefa da mudança de mentalidades. A prática em si, passou a ser um problema de Polícia. Recorreram a Imames (autoridades religiosas islâmicas), mulheres, homens, técnicas de saúde, fanatecas (as que praticam o fanado), figuras influentes, políticos, técnicos de educação. Optaram por trabalhar nas zonas mais problemáticas nesta prática, as quais geralmente equivalem a comunidades com forte implementação da religião islâmica. No caso da capital Bissau, podem-se enumerar o Bairro Militar, Bissaque, S. Paulo, Missiva, Ajuda, Cuntum Madina, Couplão de Cima e de Baixo, Amdalai e Reno Gambiafada.

As acções directas sobre as populações, incluíam acções de formação, informação e sensibilização, através da explicação sobre as consequências desta prática para a saúde, anúncio de que se trata de um crime, consequências judiciais e prova da não justificação religiosa para tal, através da leitura de passagens do Corão e de Hadiths (ditos e feitos do Profeta Maomé).

Não se sabe ao certo quantas meninas foram salvas entretanto, mas sabe-se que os tambores deixaram de rufar nestes e noutros bairros, para a cerimónia de excisão de 400, 500 ou 600 meninas, em simultâneo. Isto porque as comunidades aderiram em massa à não prática, abandonando-a e tornando-se vigilante quanto à mesma. Para tal houve declarações públicas efectuadas pelos Chefes-de-bairro, Imames, homens, mulheres e fanatecas, que mesmo não entregando a faca em acto simbólico, assinaram a declaração e comprometeram-se a abandonar a prática da excisão. Foram feitas até hoje 10 Declarações Públicas que envolveram mais de 10 mil pessoas. Existem 20 Clubes de Meninas. Foi feita uma Conferencia Islâmica e uma Declaração Islâmica contra o fanado que envolveu mais de 500 Imames. Foi feita formação a mais de 300 polícias sobre as consequências da Mutilação Genital Feminina e a lei que a criminaliza.

A título de curiosidade, até à década de 90, o pagamento normal a uma profissional do fanado, consistia num galo, 1 pano e um litro de óleo. A partir daí, começaram a exigir também 5 mil Francos CFA, cerca de 8 euros, hoje. Infelizmente até hoje nunca o governo da Guiné-Bissau conseguiu a reconversão sócio-económica das fanatecas que abandonaram a prática em outros sectores como por exemplo, como parteiras tradicionais nos centros de saúde ou como facilitadoras no sector da educação para o abandono do fanado das meninas.

Outra forma encontrada de integração, foi também o surgimento de “Clubes de Meninas”, onde não se faz a distinção entre excisadas e não excisadas e onde crianças de diferentes faixas etárias têm formação em Direitos Humanos e da Criança, em Higiene pessoal, colectiva e saneamento básico, aprendem a bordar, a fazer crochet, a pintar, escrever, a contar e a rezar. Tudo feito pela comunidade e para a comunidade.

Ora aqui está uma boa notícia sobre a Guiné-Bissau, as comunidades quando precisam organizam-se. Outra vantagem é o facto de se tratar de um país pequeno, onde todos se conhecem. Esta vigilância às práticas nefastas que se estenda ao abuso sexual de menores, ao radicalismo islâmico e demais seitas religiosas, que ao abrigo da pobreza e da ignorância se têm alastrado por toda a África.

A Dinopi é uma boa notícia. Os tambores deixaram de rufar!



Raúl M. Braga Pires

Doutorando ISCSP e Investigador CINAMIL, Centro de Investigação Desenvolvimento e Inovação da Academia Militar
 
 
 
 

Como se previne o zika? O que é o zika?











Dia do Professor em Cabo Verde

O Dia do Professor Cabo-verdiano que se assinala a 23 de Abril, vai ser comemorado "em grande" este ano, em Santa Catarina (Santiago), com palestras, noite cultural e homenagens, informou hoje o delegado do Ministério da Educação e Desporto, Adalberto Varela.


Segundo o responsável, a delegação tem agendando um conjunto de actividades que iniciaram no dia 09 de Abril com um encontro entre os professores e vai até 30 deste mês, com destaque para o Fórum "Educação/Ensino no Concelho de Santa Catarina", a realizar-se no dia 21, durante o qual vão ser debatidos dois painéis "O professor e os desafios das NTIC na sala de aula e a Motivação e Ética Profissional".
 
Conforme indicou o delegado, ainda no mesmo dia vão ser homenageados 10 professores que completam "Bodas de Prata em Educação", ou seja, 25 anos de carreira. “Durante estes anos, eles têm dado uma grande contribuição para o sucesso do ensino aprendizagem no concelho", sublinhou.
Já no dia 22, vão realizar uma noite cultural com desfile de moda entre os professores, jantar de gala, música, poesia, entre outras actividades culturais.

Outras actividades marcam ainda esta data, como torneio quadrangular de futsal e andebol, caminhada ecológica, exposição de livros infantis e conto de histórias, palestra sobre “Relações interpessoais entre professores e alunos", feira de expressão plástica, feira de saúde, entrega de materiais didácticos e pedagógicos a algumas escolas básicas e secundárias.

"Vamos ter um mês muito bem preenchido para homenagear a todos os professores que merecem, por aquilo que têm estado a fazer na nossa sociedade", enfatizou o delegado do MED.
 

quarta-feira, 13 de abril de 2016

Jovem moçambicano é semi-finalista do concurso internacional GIST Tech

O moçambicano Guidione Machava, da startup UX, foi eleito semi-finalista do GIST Tech I 2016, uma competição internacional para empreendedores dos sectores das ciências e tecnologias. O concurso é organizado pelo Departamento de Estado Norte-Americano e pela American Association for Advancement of Science (AAAS) e nesta fase junta representantes de 51 países de economias emergentes.


Guidione Machava participa na competição com o Xtique, um aplicativo para a gestão de grupos de poupança e crédito com o mesmo nome, prática largamente conhecida no país, sendo a competição ao mesmo tempo uma oportunidade para divulgá-la e criar uma solução efectiva para a seu bom manuseio.

Na primeira fase da competição participaram mais de mil candidaturas, tendo sido seleccionadas os 102 semi-finalistas, que agora vão a eleição pública. Os finalistas participarão, entre 23 e 24 de Junho, na Global Entrepreneurship Summit, na Califórnia (Estados Unidos), tendo a possibilidade de apresentar as suas ideias para um painel de investidores.

Guidione Machava é estudante de Economia e trabalha no sector de tecnologias de informação e comunicação há cinco anos, actuando em iniciativas para o desenvolvimento do ecossistema de startups. É o único representante moçambicano na competição.
 
Para votar no Guidione Machava, aceda à página oficial do concurso, clicando AQUI.
 
 
E VEJA AQUI A APRESENTAÇÃO DO PROJECTO PELO PRÓPRIO, GUIDIONE MACHAVA:  
 
 
 

25º Colóquio da Lusofonia, com a presença de Dom Ximenes Belo, Nobel da Paz 1996

Montalegre recebe, pela primeira vez, e de 21 a 25 de abril, o 25º Colóquio da Lusofonia da AICL, com o patrocínio da Câmara Municipal e apoios da SATA, Governo Regional dos Açores (Secretaria Regional da Cultura, Secretaria Regional de Turismo, Direcção Regional do Ambiente e Mar), UTAD, Tertúlia João Araújo Correia e AGLP (Academia Galega da Língua Portuguesa.

 
Vários são os autores que se irão deslocar a Montalegre para divulgar a vigorosa literatura açoriana.
Os convidados de honra deste 25º colóquio são o Prémio Nobel da Paz 1996, Dom Ximenes Belo, que fará a apresentação do seu novo livro ‘Um missionário açoriano em Timor’, editado pelo Moinhos Terrace Café de José Soares com apoio AICL; José António Cabrita que apresenta o seu novo livro ‘Na lonjura de Timor / Iha dook rai timor’ e o Dramaturgo Norberto Ávila, homenageado AICL 2016, cuja vasta obra será evocada com a representação de uma peça de Álamo Oliveira.
 
Serão ainda homenageados dois escritores transmontanos de relevo Bento da Cruz e João Araújo Correia. Montalegre contará ainda com a presença do Embaixador Eugénio Anacoreta Correia da CPLP, e de Bonifácio Belo, Secretário da Embaixada de Timor-Leste em Lisboa. Será ainda firmado um Convénio com o Observatório da Língua Portuguesa, informa a organização.
Neste colóquio, as sessões abordam três temas genéricos: ‘Lusofonia e Língua Portuguesa’, ‘Açorianidades’ e ‘Tradutologia’. Haverá ainda sessões científicas, apresentações literárias, recitais de Poesia e Teatro.
 
No decorrer do evento, vão ainda realizar-se apresentações literárias de livros sobre Timor-Leste, três recitais de poesia, dois recitais do cancioneiro açoriano e de poetas açorianos, teatro da UTAD e actuações do Grupo de Cantares da Galiza ‘Terra Morena’, de alunos da Escola de Música Tradicional do Larouco, do Rancho da Venda Nova e do grupo Filarmonia.
Em todos os intervalos serão visionados vídeos sobre as 9 ilhas dos Açores, refere ainda a organização.
 
As 18 regiões e países representados neste colóquio são: Alemanha, Açores, Austrália, Bangladeche, Bélgica, Brasil, Canadá, Espanha, França, Galiza, Goa, Índia, Itália, Luxemburgo, Malaca, Portugal, Macau, e Timor-Leste, incluindo 13 académicos representando três academias de língua portuguesa e membros de 13 universidades e politécnicos.
 
A entrada é aberta ao público, sendo que os almoços, jantares e passeios são reservados aos inscritos oficiais.
 
 
 
 

O português Fernando Guerra vence Prémio Architizer de arquitectura

O fotógrafo Fernando Guerra venceu o Prémio do Público da plataforma norte-americana 'online' Architizer A+, especializada em arquitectura, com as imagens da sede do Parque Natural da Ilha do Fogo, em Cabo Verde, foi hoje divulgado pela plataforma.


O projecto, concebido pelo atelier português OTO, dos arquitectos André Castro Santos, Nuno Teixeira Martins e Pedro Teixeira, foi inaugurado em março de 2014, mas destruído poucos meses depois, em novembro desse ano, pela erupção vulcânica daquela ilha do arquipélago.
 
"É óptimo ganhar qualquer prémio, mas vencer numa categoria de fotografia de arquitectara, e por votação do público, é ainda melhor. O edifício único, dos arquitectos OTO, construído numa das ilhas mais doces que conheço, já não existe, infelizmente, e estas imagens são tudo o que resta. Este prémio é um tributo especial aos esforços de tantos" envolvidos no projecto, escreveu hoje Fernando Guerra, na sua página oficial no Facebook, reagindo à vitória.

Fernando Guerra, arquitecto, é fotógrafo de arquitectura, trabalha regularmente com o seu irmão, Sérgio Guerra, que o acompanhou no projecto da Ilha do Fogo.

A dupla Fernando e Sérgio Guerra (FG+SG) trabalha com diversos arquitectos portugueses como Álvaro Siza Vieira, Manuel Mateus, Manuel Graça Dias, Gonçalo Byrne e João Luís Carrilho da Graça, assim como, com arquitectos internacionais como Márcio Kogan, Isay Weifeld, Arthur Casas, Pei Cobb Freed. Era também um colaborador regular da arquitecta de origem iraquiana Zaha Hadid, que morreu no passado dia 31.

No ano passado, Fernando Guerra foi o vencedor da edição do prémio de fotografia Arcaid Images, com imagens de diferentes projectos, duas das quais do edifício na Ilha do Fogo em Cabo Verde.

Fernando Guerra, que iniciou a carreira em Macau, como arquitecto, venceu igualmente o Grande Prémio de Fotografia da Plataforma Arquitectura Archdaily 2015, com o trabalho sobre a Faculdade de Economia da Universidade Diogo Portales de Santiago do Chile.

A sede do Parque Natural da Ilha do Fogo, no ano passado, foi também um dos vencedores do Prémio Internacional Archdaily Building of the Year (Edifício do Ano ArchDaily), na categoria de arquitectura cultural.

Na plataforma Architizer, o projecto do Parque Natural da Ilha do Fogo estava nomeado na categoria de Arquitectura/Fotografia e Vídeo.

Outro finalista português nesta votação do público para o Architizer A+ era o edifício De Lemos, em Passos de Silgueiros, Viseu, criado pelo ateliê português Carvalho Araújo, na categoria dedicada materiais de construção (Arquitetura/Concrete/Betão), tendo vencido um projecto do arquitecto turco Erdil Insaat, construído em Çesme, na Turquia.

A votação do público para a plataforma Architizer A+ repartiu-se por mais de cem categorias e terminou no passado dia 05. Os vencedores, decididos numa combinação de votos do público e do júri, foram divulgados na noite de terça-feira, nos Estados Unidos.

O arquitecto português Pedro Gadanho, director do Museu de Arte, Arquitectura e Tecnologia da EDP, a inaugurar este ano, que foi responsável pelo departamento de arquitectura do Museu de Arte Moderna de Nova Iorque (MoMA), fez parte do júri, composto por mais de duas centenas de profissionais.
 
 
© Fernando Guerra/Reprodução Architizer
 
 

terça-feira, 12 de abril de 2016

7ª edição do Festival de Cinema Itinerante da Língua Portuguesa

A 7ª edição do Festival de Cinema Itinerante da Língua Portuguesa (FESTin) começa dia 4 de maio, quarta-feira, às 21h, com a presença de directores de cinema, cineastas, actores, jornalistas, autoridades e o público amante da Sétima Arte.

A partir de 4 de maio, o Cinema São Jorge receberá a exibição de 74 filmes, entre longas, curtas-metragens e documentários, o que torna a capital portuguesa a maior anfitriã de obras cinematográficas faladas em português.
Para além da mostra competitiva de curtas, documentários e longas, o festival conta com outras sessões tradicionais, como a Mostra de Cinema Brasileiro, a Mostra de Inclusão Social, o FESTin +, a Festinha e, para reforçar o aspeto experimental do festival, a nova rubrica FESTin Arte.

A cada ano o FESTin homenageia um país de língua portuguesa, mas 2016 faz uma homenagem ao 20º aniversário da CPLP.

O festival proporciona a ponte entre os povos lusófonos e cria uma nova dinâmica para a realização de festivais e mostras, no contexto de sua programação, incentivando e ampliando a visibilidade da produção cinematográfica de língua portuguesa.

O FESTin tem sido levado também a países onde existem poucas oportunidades e lugares para os filmes poderem ser exibidos, como é o caso de Timor-Leste e Guiné-Bissau.

– Estas mostras atraem especialmente, as crianças… Elas vibram e pedem que voltemos – explica Léa Teixeira, uma das directoras do evento.

É o único festival português inteiramente dedicado à lusofonia e cuja programação é composta por produções oriundas dos nove países que compõem a CPLP – Portugal, Brasil, Angola, Moçambique, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Guiné Equatorial, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste – comenta Adriana Niemeyer, também directora do FESTin.

O júri do festival é formado por representantes dos nove países, entre jornalistas, cineastas, produtores e pessoas ligadas ao cinema.
 
 
 

Português a quarta mais falada no mundo

O português é actualmente a quarta língua mais falada no mundo, segundo dados apresentados na exposição “Potencial Económico da Língua Portuguesa”, que esteve em Fevereiro em exibição no Parlamento Europeu, em Bruxelas.


A língua portuguesa é usada por mais de 250 milhões de pessoas como idioma oficial. Este universo de falantes representa mais de sete por cento da superfície continental da Terra. São oito os países de língua oficial portuguesa, Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste, todos eles países “plantados à beira-mar” e que representam quatro por cento da riqueza mundial.
Em 2050, mais 100 milhões de pessoas se vão juntar ao número de falantes de português. 350 milhões vão manter a língua portuguesa no topo de idiomas mundiais, a terceira mais falada na Europa, depois do inglês e do espanhol, e tem as mais elevadas taxas de crescimento nas redes sociais.
 
 
 

G-Bissau aos olhos de uma portuense

Fara Caetano tem, de há cinco anos a esta parte, a vida dividida entre duas pátrias. A natural do Porto tem passado o tempo entre Portugal e a Guiné-Bissau, onde tem trabalhado na área da educação. O Porto24 foi conhecer as histórias que se acumulam ao trabalhar em várias cidades, de Bissau a Canchungo passando pela Mansoa.

É sobre a Guiné que incide a entrevista, mas é a história de vida de Fara que a pontua, numa dedicação à educação e à melhoria das condições de vida e acesso ao ensino do país que marca uma carreira “feliz” que a ensinou a “relativizar os problemas”.

Licenciou-se em 2010 em História, na Faculdade de Letras da Universidade do Porto. Dois anos depois, tornava-se mestre em História, Relações Internacionais e Cooperação, na mesma instituição.

Em setembro de 2011 deu-se o primeiro contacto com a Guiné-Bissau, ao dar aulas a uma turma de 7º ano numa escola da capital, Bissau, enquanto investigava “o tema da cooperação portuguesa e o impacto na educação no país”, para a tese de mestrado. Voltou em março de 2012, mas o regresso não tardaria.

No primeiro mês de 2013 estava de regresso, como voluntária num jardim infantil em Mansoa. Foram dez meses de estada antes do regresso a Portugal. A viagem para terras africanas continuou a chamar por Fara Caetano, que experimentou em fevereiro de 2015 a experiência de formar professores, novamente em Mansoa, durante seis meses. “Uma experiência muito gratificante”, conta.

Findas as viagens de ida e volta, chegamos ao ponto actual. A professora dá agora aulas de História a cinco turmas do 11º e 12º anos no Liceu Regional de Canchungo, no norte da Guiné, um trabalho “exigente mas muito compensador”, até porque as condições de ensino “não são as melhores”, por várias razões, da escassez de materiais às infraestruturas precárias e ao atraso na formação dos professores. Além disso, cada turma tem 40 alunos, elevando o total de alunos a aprender História com a portuense para os 200. “Mas sinto diariamente que estou a fazer a minha parte para poder ajudar quem mais precisa”, explica ao Porto24.

As histórias vividas na Guiné-Bissau, bem como o relato único vivido por dentro do modo de vida e dos progressos no ensino no país africano, são inúmeras ao longo das quatro estadas da professora em três localidades diferentes.

Aos 27 anos, radicada em Canchungo com o namorado, um guineense que estudou na Faculdade de Direito da Universidade do Porto, Fara Caetano deixa ao Porto24 o relato de um trabalho em prol dos outros, por entre recomendações musicais, histórias curiosas e um retrato social e político de um “país em construção”. 

Como surgiu o primeiro contacto com a Guiné-Bissau?

O interesse por África começou a crescer durante a faculdade, quando comecei a despertar um grande interesse pelas temáticas africanas no curso de História da Faculdade de Letras da Universidade do Porto. A vinda para a Guiné-Bissau acabou por acontecer quase que de repente, no âmbito do mestrado, embora que não por acaso. Apesar de, desde a adolescência, ter aquela vontade (quase cliché) de um dia poder fazer uma missão em África, nunca pensei que pudesse acontecer tão cedo [tinha 22 anos na altura]. 

Porquê a Guiné-Bissau e não outro país africano?

Por motivos afectivos essencialmente, uma vez que o meu namorado é guineense e foi ele o grande impulsionador do início desta minha aventura em terras africanas. 

Como classificarias as condições de vida no país e na região onde vives?

A Guiné-Bissau é um país em construção. Tal como um qualquer outro país em desenvolvimento, apresenta muitas fragilidades no que respeita às condições de vida, nas mais diversas áreas, nomeadamente na área da saúde e da educação. O país está na cauda do o Índice de Desenvolvimento Humano (2013) da Organização das Nações Unidas [em 176º num total de 187 países], portanto só por aí já podemos ter uma noção do estado do seu desenvolvimento.

As necessidades do país ainda são básicas: ter acesso a água potável (e canalizada) e electricidade, e sem estes dois elementos é muito difícil um país conseguir desenvolver-se. Cerca de 70% da população não tem acesso a electricidade e esta circunscreve-se, basicamente, a Bissau. A esperança média de vida à nascença é muito baixa [48 anos] e o acesso a cuidados de saúde ainda é muito limitado, tanto por falta de equipamentos hospitalares como de recursos humanos. Além disso, a maioria da população vive em zonas rurais e aí o acesso é ainda mais escasso. E depois existem todos os outros problemas, não menos importantes, como a instabilidade política, o desemprego, o trabalho infantil, o casamento precoce e forçado, a mutilação genital feminina, as desigualdades sociais, a inacessibilidade à justiça…

É preciso uma reforma profunda do sistema de ensino guineense”

Quais as condições de ensino no país?
(foto DR)


Para mim, a educação é, a par da saúde, o principal pilar de um país. E na
Guiné-Bissau ainda é uma área muito menosprezada. Ser professor na Guiné-Bissau é um desafio constante. Têm salários baixos, muitas vezes pagos com meses de atraso, ou simplesmente que não são pagos, e as condições de trabalho são muito precárias. Há muitas greves e estas podem durar meses ou mesmo períodos lectivos. Aqui existem, essencialmente, três tipos de escolas: públicas, privadas e de auto-gestão, e a qualidade de ensino varia entre elas. O conceito de privado não é igual ao de Portugal, já que existem escolas privadas que são barracas, por exemplo. É comum vermos crianças a levarem a própria cadeira de casa para a escola, diariamente. Os livros escolares são escassos, a matéria é ditada para o caderno e o sistema de ensino/aprendizagem é lento. Muitos alunos fazem quilómetros para poderem ir à escola, a pé ou, se tiverem sorte, de bicicleta, e com o estômago vazio. É a força de vontade que comanda as suas vidas.

Para além disso, em geral, a entrada na escola é tardia e ainda existem muitas disparidades quanto ao género. Ainda persiste a ideia de que as meninas não devem ir à escola, mas sim dedicar-se apenas às actividades domésticas. A educação pré-escolar é vista como desnecessária. As crianças não são estimuladas.

Depois há o problema da língua, o português é a língua oficial no país e obrigatório nas escolas, mas no quotidiano toda a gente fala crioulo e/ou as línguas étnicas. Na maioria dos casos, o primeiro contacto com o português dá-se na escola, quando se aprende a ler e a escrever. Como é que uma criança que só fala o crioulo vai conseguir aprender a escrever, ler e falar uma língua que mal conhece? 

Com um cenário tão negro, que hipóteses há para melhorar as condições?

Mudar as condições do sistema educativo na Guiné-Bissau passa, em grande parte, pelo interesse político e pela sua consciência da importância da educação para o desenvolvimento do país. O orçamento do Estado para a educação não é suficiente nem faz parte das prioridades e para haver mudanças esse aspecto teria de ser alterado.

Para além disso, teria de haver uma reforma profunda, de base mesmo, do sistema educativo, adequando os programas à realidade guineense. Estar à espera de projectos de cooperação internacional não é a solução, tem que haver interesse político e mudança por parte dos próprios governantes guineenses. 

Há algum projecto em curso para minimizar os efeitos do subdesenvolvimento? 

Existem muitos projectos de cooperação no terreno, alguns deles com um trabalho muito importante e resultados visíveis, principalmente na área da educação e da saúde também. Mas isso não é suficiente. A mudança tem e deve partir de dentro. O apoio internacional é importante, mas não é suficiente nem sustentável. O país (poder político) é que deve tomar a iniciativa de promover mudanças com vista ao desenvolvimento, aproveitando o apoio da cooperação internacional para tentar criar alguma independência e autonomia e não o contrário, a constante dependência do exterior, como se verifica.

Permanente é uma palavra forte, não tem muito a ver comigo” 


É a quarta estada na Guiné-Bissau desde 2011. Há quanto tempo estás em Canchungo?

É verdade, desde 2011 que me divido entre Portugal e a Guiné-Bissau e esta temporada está a ser a mais longa. Já cá estou há mais de um ano e já vivo em Canchungo há cerca de 8 meses. 

Ficar permanentemente no país já é uma possibilidade?

Não tenho por hábito fazer muitos planos na minha vida. Deixo que as coisas vão acontecendo e vou tentando fazer as escolhas certas quando tenho que as fazer. Permanentemente é uma palavra forte, que sugere limites e acho que não tem muito a ver comigo. Para já estou aqui e gosto muito de cá estar. Gosto de viver o presente. Apesar de todos os problemas e adversidades que a Guiné-Bissau apresenta, é um país tranquilo, muito acolhedor e cativante, mas só se percebe isso quando cá se está e se sente o calor, não só das temperaturas elevadas, mas essencialmente das pessoas. Gostaria de continuar a dar o meu (ínfimo) contributo para este país por mais tempo, sim, mas não tracei esse objectivo de ficar cá de vez.

O que é que ainda te falta fazer?

A nível profissional estou muito feliz e realizada e sinto que é isto que gostaria de continuar a fazer o resto da minha vida, e, se puder, gostaria de fazer mais e melhor do que tenho feito. Esse é o meu sonho. Gosto de estar perto das pessoas e de trazer alguma mudança na vida delas, por mais insignificante que seja. Na vida, os objectivos que me faltam alcançar são o poder viajar mais e ser mãe. Não sonho muito alto e contento-me com o que tenho. Cada vez mais sinto que sou uma sortuda por ter a vida que tenho, que foi a que escolhi e que não me permite ter muitos luxos, mas que me dá a oportunidade de ser feliz e de ter o essencial. Aqui aprende-se a relativizar os problemas. Viver num país como a Guiné-Bissau ajuda-nos a ver a vida desta forma. 

Que diferenças traças entre os dois países?

É tudo diferente. A primeira diferença que se sente logo no primeiro segundo quando se abrem as portas do avião é o clima: abafado, húmido e pesado. Se chegarmos na época das chuvas, como aconteceu na minha primeira vez na Guiné, sentimos o cheiro a terra molhada, uma sensação indescritível de contacto directo com a natureza, acompanhada de uma sensação térmica bastante quente e, ao mesmo tempo, húmida. Se for na época da seca levamos de imediato com um bafo entre os 35 e os 40 graus. Portanto, o clima por si só, já é uma grande diferença, antes mesmo de chegarmos ao choque cultural.

Depois podemos falar das condições de vida, do contacto directo com a pobreza, dos hábitos, comportamentos, costumes e tradições, da religião (há uma minoria cristã, a maior parte da população é animista ou muçulmana), da cultura, da gastronomia, das acessibilidades, enfim, tudo é completamente diferente. Quando chego a Portugal e me perguntam como é viver aqui e quais as diferenças, sinto muita dificuldade em dizê-lo, porque há coisas muito difíceis de explicar. Vejo, sinto, não esqueço, mas não consigo expressar tudo o que vivo aqui.

Também há muitas semelhanças. Pessoas com os mesmos problemas, as mesmas preocupações, os mesmos projectos, sonhos, ambições. Apercebemo-nos que somos seres humanos iguais em qualquer parte do mundo, mas em cenários distintos. Acho que a música “Tás a ver”, do Gabriel o Pensador, ilustra na perfeição essa ideia do sermos no fundo todos muito semelhantes apesar de tudo o que nos diferencia.

“As crianças aqui são príncipes e princesas num lugar onde não existem contos de fadas”


O que mais te impressionou pela positiva?

A capacidade de sofrimento e de resiliência dos guineenses. Acho que têm uma força incrível para ultrapassar os obstáculos da vida. Com pouco fazem muito e com esse pouco conseguem construir felicidade. E este conceito de felicidade é relativo. Para mim, por exemplo, era impensável ver uma criança a viver num bairro pobre, sem as condições que para mim são básicas, sem amor e sem o mínimo conforto, ser feliz. Mas essas crianças existem aqui. Elas têm pouco, mas acabam por nos dar muito, muitos ensinamentos, muitas lições de vida. Estão sempre a sorrir e sei que sorrir não significa estar feliz. Mas é um passo. Elas dão esses passos que eu acho que seria incapaz de os dar. Elas têm a verdadeira sabedoria da vida. São príncipes e princesas num lugar onde não existem contos de fadas.

Outra coisa que me impressionou pela positiva foi a segurança e tranquilidade do país. Há realmente instabilidade política, mas a vida quotidiana é tranquila. Nunca tive problemas com a questão da segurança e nunca me trataram mal. Os guineenses são um povo muito acolhedor e hospitaleiro e não senti nunca racismo.

Mas também há aspectos negativos, naturalmente.

Sim. Pela negativa, impressionou-me a pobreza extrema, a falta de condições nos hospitais e nas escolas, a desorganização e a ambição pelo poder. Este é um país pequenino, com potencialidades no turismo, por exemplo, mas que ainda não teve a sorte de ter as pessoas certas na política. Ninguém quer passar férias num país instável a nível político. Desde a independência do país, a Guiné foi sobressaltada por crises políticas (e uma Guerra Civil de quase um ano), como uma doença crónica grave. A vida das pessoas está sempre em segundo plano e os políticos têm o dom de retirar a esperança ao povo que vive todos os dias à espera de dias melhores.

Aqui existe uma expressão muito comum e que acaba por ser sempre a resposta final para tudo: “djitu ka ten”, que significa em português “não há jeito”. E é este o sentimento das pessoas. Não têm escolha, não podem tomar decisões, não conseguem mudar as suas vidas, por mais vontade que tenham. E isso é triste num país que se define democrático. Todas as democracias têm as suas fragilidades, mas em alguns países africanos, em que são mais jovens, essas democracias são puras utopias. São apenas um papel escrito. 

Aprendo mais do que ensino”

(foto DR)
De que forma é gratificante poder ensinar num país em desenvolvimento?

Ser professora num país em desenvolvimento tem sido, para mim, um privilégio e um desafio enorme. É muito gratificante, porque sinto que a minha presença dentro da sala de aula é valorizada e muito respeitada.

Sei que a minha presença não muda muito, porque fazer a diferença não é fácil, e eu sou mais uma gota no oceano como tantas outras, mas estou a dar o melhor de mim. Se conseguir melhorar, de alguma forma, a vida de um aluno meu já fico feliz. Nem que seja através de um conselho que dei ou de um gesto que fiz. Tudo conta. Ainda assim, e para ser completamente sincera e nada modesta, na verdade quem tem aprendido mais sou eu. Que aprendo mais do que ensino, não tenho a menor dúvida. 

Mostra-nos como é um dia típico em Canchungo. 

A minha vida em Canchungo é muito simples e normal. Acordo cedo para ir para o liceu, por volta das 06h:20, porque as aulas iniciam às 07h:30 e saio de lá por volta do 12h:10, quando as aulas terminam. Tenho apenas o período da manhã preenchido com aulas, apesar de passar muito tempo do período da tarde também no liceu, porque sou directora de turma e dou algum auxílio à direcção do liceu, nomeadamente nas actividades escolares. Entretanto almoço e, nas tardes em que não tenho que ir para o liceu, aproveito para aceder à Internet, falar com a minha família e amigos e pesquisar matéria que eventualmente necessite, uma vez que é o professor que elabora os apontamentos que vai dar nas aulas, seguindo o programa do Ministério da Educação, claro. Faço também a manutenção do site e da página Facebook do liceu, actualizando todas as informações e actividades que vão decorrendo. Para além do liceu, também dou aulas na Escola Nacional de Administração, no horário pós-laboral, entre as 19h:00 e as 22h:00.

Fora do trabalho gosto muito de ler, ouvir música e dar uns passeios ao fim da tarde até ao rio (quando é possível). 

Nas tuas várias passagens pelo país, deves ter vivido uma montanha de aventuras.

Sim, várias. Aliás, é raro não ter um episódio marcante a cada dia que passo cá, seja ele positivo ou negativo. Há sempre uma história para contar. Uma que me aconteceu logo nos primeiros tempos em que estive cá e que me marcou pela simplicidade. Sempre que venho para cá arranjo um canto generoso da minha mala para brinquedos e presentes para as crianças e, certo dia, dei uma boneca a uma vizinha minha, que tinha uns sete ou oito anos de idade. Ela agradeceu, ficou sem jeito e foi-se embora. Passados uns cinco minutos bateu-me à porta e ofereceu-me uma cenoura. Inicialmente não percebi aquele gesto, mas rapidamente percebi que aquela era a forma que tinha de me agradecer pela boneca que eu lhe tinha oferecido. Não tinha outra forma de o fazer. No final quem ficou sem jeito fui eu. Esta espontaneidade é o que mais me impressiona aqui e o que me faz “esquecer” tudo o resto.

Outra história engraçada tem a ver com os transportes públicos que existem na cidade de Bissau e que têm o nome de “toka-toka”. São carrinhas que fazem o papel da nossa STCP no Porto, mas que funcionam de forma diferente. Chamam-se “toka-toka” porque quando uma pessoa entra e já não existe muito espaço para ela se sentar, o ajudante pede para as outras pessoas se encostarem mais umas nas outras para haver lugar para o passageiro que acabou de entrar, dizendo “toka um bocado” (chega para lá um pouco). Então as pessoas acabam por fazer a viagem todas apertadas, como sardinhas enlatadas, até quando já não couber uma agulha entre ninguém. E durante a viagem acontecem sempre histórias engraçadas. 

De que sentes mais saudades?

Da família e dos amigos, sem dúvida. Viver num país, neste caso num continente, diferente não é fácil, principalmente quando não temos as pessoas mais importantes da nossa vida por perto. Não me posso dar ao luxo de dizer “vou apanhar o comboio e vou até ao Porto”. Sempre que venho para cá sei de antemão que é a longo prazo, sem data de regresso e sem possibilidade de uma escapadela para matar as saudades quando me apetecer. As viagens de avião são caras e de Bissau para o Porto ainda não existem viagens low cost. Felizmente tenho o meu namorado que me ajuda bastante nos momentos mais complicados, nas datas mais especiais em que dava tudo para poder estar em Portugal, nos momentos de solidão, mas mesmo assim não é fácil. É preciso ter um bom controlo emocional e espírito de sacrifício.

E depois sinto falta daquelas coisas mais simples, mas que fazem muita falta quando estamos longe, como o conforto da minha cama em Portugal, da comida da mãe, das idas ao cinema, de comer um crepe com chocolate com uma amiga, essas pequenas coisas. E claro, da minha maravilhosa cidade, o Porto.

(in: porto24)
(foto DR)



















sábado, 9 de abril de 2016

World Press Photo no Museu da Eletricidade


A Fundação World Press Photo, a revista Visão e a Fundação EDP apresentam a exposição 'World Press Photo 16' 


World Press Photo no Museu da Electricidade
De 28 de abril a 22 de maio de 2016 

O Museu da Electricidade recebe, de 28 de abril a 22 de maio de 2016, a World Press Photo, a mais reconhecida exposição de foto-jornalismo a nível internacional. 

Das dezenas de fotografias em exibição, constam os trabalhos do australiano Warren Richardson, que conquistou o 1º prémio com uma fotografia que mostra dois refugiados a fazerem passar um bebé através de uma vedação de arame farpado na fronteira entre a Sérvia e a Hungria. 

Na edição deste ano marca também presença o trabalho do fotógrafo português Mário Cruz, da agência Lusa, vencedor na categoria "Assuntos Contemporâneos". O jornalista concorreu com um ensaio fotográfico sobre a escravatura de crianças no Senegal e na Guiné- Bissau, intitulado "Talibes, Modern Day Slaves". 

À 59ª edição do concurso World Press Photo concorreram 5.775 fotógrafos de 128 países, num total de 82.951 imagens.
 
 
 
 

sexta-feira, 8 de abril de 2016

Orquestra Clássica do Centro faz segunda digressão a Cabo Verde

Do programa da digressão, hoje anunciado, consta uma actuação, no domingo, do grupo de câmara da OCC na sessão solene de inauguração daquele equipamento cultural vocacionado para o ensino da música, teatro, dança e artes plásticas e a pré-apresentação, na mesma cerimónia, do cd "Viagens no imaginário da Morna", com composições do cabo-verdiano Vasco Martins, que a OCC gravou em Coimbra em março.


"Trata-se de um trabalho inspirado na morna, a canção nacional cabo-verdiana, e uma das suas vertentes é a exploração das semelhanças com o fado, a canção nacional portuguesa", sustenta, em nota de imprensa, a direcção da orquestra.

Na segunda-feira, o grupo de câmara da OCC integra-se na Orquestra Nacional de Cabo Verde, da qual foi fundadora em 2014, no concerto de abertura da 4.ª edição da feira internacional de música AME (Atlantic Music Expo) e na terça-feira dedica um concerto ao jornal Artiletra, uma publicação de artes, educação e cultura que comemora o seu 25.º aniversário "e é actualmente o mais antigo órgão de comunicação social impresso em actividade no país".

Na nota de imprensa, Emília Martins, presidente da Associação da Orquestra Clássica do Centro, afirma que a colaboração com Cabo Verde "é um fortíssimo incentivo" para o trabalho que a orquestra tem desenvolvido, "sempre baseado no objectivo superior de construir pontes entre culturas diferentes e separadas no espaço".

A digressão de quatro dias resulta de um convite do ministro da Cultura de Cabo Verde, Mário Lúcio Sousa, e a colaboração com a cultura cabo-verdiana tem o apoio dos ministérios da Cultura de Cabo Verde e de Portugal, além da Câmara Municipal de Coimbra, adianta.




Coimbra: Estudantes guineenses na "Queima das Fitas"

Queima das Fitas – é o nome comum da Semana Académica em Portugal, que é a maior festa estudantil portuguesa. Este evento realiza-se anualmente, durante uma semana, no mês de maio.


Ao longo da QUEIMA DAS FITAS, realiza-se diversas actividades, dentre quais estão a Serenata Estudantil, os Concertos Musicais e o Cortejo Académico. Normalmente, no cortejo académico que é uma das actividades académicas da QUEIMA DAS FITAS, os finalistas celebram a conclusão do curso, enquanto que os caloiros deixam de ser caloiros e passam a pastranos.

Em Coimbra, a QUEIMA DAS FITAS é coordenada pela Associação Académica de Coimbra (A.A.C.), organização mãe, onde diferentes organizações/associações estudantis estão filiadas. Assim sendo, a Organização dos Estudantes da Guiné-Bissau em Coimbra (OEGB/C), como de costume, vai realizar a sua QUEIMA DAS FITAS a moda GUINEENSE que vai permitir todos os guineenses e amigos da Guiné-Bissau espalhados em diferentes cantos de Portugal viver este carnaval estudantil, na conceituada cidade de conhecimento, Coimbra, cidade onde tudo isto começou.

Tu que és guineense ou amigo da Guiné-Bissau, convidamos-lhe para tomar parte neste grande evento que costuma fazer e vai fazer vibrar os quatro cantos de Portugal durante uma semana.

Venha viver o espírito de Guineendade com a Organização dos Estudantes da Guiné-Bissau em Coimbra!

Caso precisar de mais informações, não hesite em contactar-nos através dos números no cartaz ou envie mensagem para este evento no facebook.
 
 

Prémio Literário UCCLA: Novos Talentos, Novas Obras em Língua Portuguesa

As candidaturas ao “Prémio Literário UCCLA - Novos Talentos, Novas Obras em Língua Portuguesa” promovido pela UCCLA, Editora A Bela e o Monstro e Movimento 2014 ultrapassaram todas as expectativas.


Até ao último dia do prazo, 31 de março passado, deram entrada 865 obras, num total de 722 autores provenientes de todos os países e regiões onde se fala português e de diversos países onde residem falantes da nossa língua comum.

Como foi divulgado no regulamento, as candidaturas premiadas serão divulgadas no próximo dia 5 de maio - Dia da Língua Portuguesa - divulgando-se, ainda, os nomes dos concorrentes que se apresentaram ao concurso e os títulos das obras.

A UCCLA honra-se de ter levado a efeito esta iniciativa que, repete-se, ultrapassou todas as expectativas, registando-se, com orgulho, o contributo dos parceiros que, desde a primeira hora, a apoiaram, no caso a Editora A Bela e o Monstro e o Movimento 2014.
 
 
 
Às personalidades de reconhecido mérito que assumiram a responsabilidade de seleccionar, agora, as obras apresentadas, a UCCLA expressa a sua gratidão.

Exposição "Casa dos Estudantes do Império, 1944-1965. Farol da Liberdade" na cidade do Mindelo

Terá lugar no dia 25 de abril, pelas 18h30, a inauguração da exposição "Casa dos Estudantes do Império, 1944-1965. Farol da Liberdade", no Salão Júlio Resende do Centro Cultural Português do Mindelo, em Cabo Verde.


Desde outubro de 2014 que a UCCLA tem vindo a promover uma vasta homenagem à Casa dos Estudantes do Império - criada em 1944, pelo regime do Estado Novo, para responder ao reforço do convívio dos estudantes universitários das ex-colónias portuguesas, que não possuíam instituições de ensino superior nos seus países e que tinham que continuar a frequência universitária em Portugal.

Esta exposição pretende dar a conhecer um pouco melhor da história e da realidade vivida por estes jovens. É uma mostra documental, com fotografias, publicações periódicas, livros, documentos oficiais, etc, cedidos ou disponibilizados pelos associados e por algumas instituições.

A exposição decorrerá no âmbito das comemorações da revolução dos cravos e estará patente até ao dia 30 de abril, de segunda a sexta-feira, das 9 às 12h30 e das 15 às 19 horas. A entrada é livre.

De referir que esta exposição já esteve patente nas cidades de Lisboa (Portugal), Maputo (Moçambique), Praia (Cabo Verde), seguindo, no próximo dia 25 de abril, para a cidade do Mindelo (Cabo Verde) e, posteriormente, para Luanda (Angola).
 
 
 
 

quinta-feira, 7 de abril de 2016

Retratos do brilho de África, por uma jornalista portuguesa

Prefaciado pelo escritor Mia Couto, o livro da jornalista portuguesa Maria Pereira dos Santos apresenta em retratos o outro lado de África: o brilho.


São histórias retratadas em imagens que a autora captou em alguns países africanos para mostrar os encantos de um continente muitas vezes conotado com o mau: guerras, fome, seca, doenças e desastres.

É verdade que África tem disso, mas não é só isso. Fazem parte deste lugar pessoas com sonhos de uma vida melhor e que mesmo com dificuldades não deixam de sorrir para a vida, e são esses sorrisos que a jornalista procura mostrar ao mundo através deste livro.

– Quero mostrar que África é também alegria, beleza e música. É verde, vermelho e amarelo. É novo e velho juntos. E que toda a gente vai ter sempre um sorriso para partilhar – diz a autora.

Influenciada pelos encantos do continente africano, Maria Pereira dos Santos produziu textos que acompanham as belas fotografias que compõem a obra “Africa – The Bright Side of the Earth”, descrevendo o continente como um local de alegria.

O livro, que reúne textos e fotografias, é resultado de experiências da jornalista no continente africano, especificamente em Moçambique, Nigéria, Namíbia, África do Sul, Tanzânia e Malawi durante cerca de cinco anos.

No prefácio, o escritor moçambicano Mia Couto escreveu que “ao invés do estereótipo de uma África sofrida e alojadora da desgraça, Maria escolheu a esperança que se revela num sorriso. E assim, nesta colecção de imagens cabe uma nação inteira. Vinte e seis milhões de almas estão espelhadas neste pequeno álbum. Bastaria isso para saudar Maria Pereira dos Santos. Mas ela fez mais do que isso: de modo despretensioso, ela fez a máquina fotográfica corresponder a esse sorriso. Não ‘tirou’ fotos. Ela devolveu, na imagem produzida, o sinal de esperança e afabilidade que nasciam do objecto da imagem.”

Maria começou a fotografar em Moçambique em 2010. Deste trabalho surgiu uma exposição intitulada “Owitho – Um Retrato da Ilha”, que foi apresentada em Lisboa.

O livro “Africa – The Bright Side of the Earth” foi apresentado em Maputo pela jornalista moçambicana Ângela Chin.
 
 
(Imagem: Reprodução Instagram @maison_voyage)
 
 

De geração em geração, a arte em madeira

Muitas vezes, o gosto pela arte e o talento no artesanato são herança familiar, passando de geração em geração. Crescer num ambiente de artesãos é um primeiro estímulo para gostar de arte.


Foi o que aconteceu com o jovem Mamadú Conte, que desde criança aprendeu a arte de esculpir em madeira. O seu trabalho consiste em fazer figuras com os variados tipos de madeiras, mas segundo Mamadú, Pó di Sangui é a madeira que mais lhe agrade talhar.

Aos sete anos, em Fariam, Mamadú Conte começou a aprender a arte das madeiras com um senhor que diz ser o seu mestre, mas cujo nome não se recorda. Ao completar onze anos, se trasladou para a capital do país, onde passou a vender as suas próprias figuras de madeira na Avenida Amílcar Cabral, na praça de Bissau.

– Estou aqui desde os onze anos, sempre vendo cá as minhas peças mas as coisas já não são como antes.

O jovem afirma que depois do 12 de Abril de 2012, as vendas decresceram bastante, ao ponto de vender três ou quatro peças diárias, quando já chegou a vender mais de dez em um só dia.

– Antes do golpe de Estado, vinham muitos turistas de vários cantos do mundo e sempre levavam peças que identificasse de alguma forma a Guiné-Bissau, o que era obviamente muito bom para nós. Agora, o que se ganha não é muito, mas sempre ajuda – explica.

Mesmo sendo uma forma legítima de sustento, a profissão de artesão não está regulamentada no país. Existe uma Associação de Artesãos Da Guiné-Bissau, a qual ainda não está legalizada, por falta de meios financeiros. Pelo espaço que ocupam para expor e vender as suas obras, os artesãos pagam uma taxa diária de 150 Francos CFA (aproximadamente 0,20€) à Câmara Municipal de Bissau.