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Joseph Pulitzer

quinta-feira, 3 de dezembro de 2015

Novos passaportes na Diáspora

A pedido dos estudantes guineenses na diáspora, o Ministério dos Negócios Estrangeiros, Cooperação Internacional e Comunidades, emitiu um ofício para todas as nossas embaixadas, dando instruções para que os passaportes para os estudantes custem apenas 30€.


Esta medida tem em vista facilitar aos estudantes, a mudança dos seus passaportes para os novos passaportes digitais da Cedeao, dentro do prazo limite (31 de Dezembro).

A partir do dia 01 de Janeiro de 2016, só poderão circular os novos passaportes digitais.

Informação facilitada pela Secretária de Estado da Cooperação Internacional e Comunidades, Dra. Suzi Barbosa.via: radio jovem)
 
( via: Radio Jovem)
 
 
 
 

Líderes históricos defendem importância do português para independência

Vários líderes históricos timorenses consideram que o português é essencial para o presente e futuro do país e que o seu uso está a aumentar, mesmo em comparação com o período colonial.

"Vai levar tempo, naturalmente. Mas não é difícil. Difícil foi a independência. Mesmo assim conseguimos. Porque não o português?" -- questionou, o Presidente da República, Taur Matan Ruak.


Para muitos dos líderes políticos do país, num momento em que Timor-Leste comemora 40 anos da proclamação da independência e os 500 anos da chegada de portugueses à ilha, o ensino da língua está em curso mas será necessária ainda uma geração para consolidar a aprendizagem.
Reconhecendo que há pessoas contra essa opção, Taur Matan Ruak defende que "politicamente foi a escolha certa", porque a língua portuguesa é "um dos factores da identidade" timorense.

"A melhor coisa que fizemos foi escolher. Explicando que a escolha é uma questão identitária, não apenas política. É identitária. A língua e a religião: dois factores que sustentam toda a nossa estrutura identitária. É para permanecer. Retirar isso é deixarmos de ser diferentes na região", afirmou o chefe de Estado, reconhecendo as dificuldades do processo.
"Quando é que todo o timorense vai falar português? Vai levar anos. Especialmente quando há outras áreas prioritárias com as infraestruturas do país. Na medida em que reduzimos isso, os recursos podem ir para outras áreas. Uma delas é a língua", explicou.

Para Taur Matan Ruak, o facto de os jovens, que estudaram indonésio ou inglês, estarem agora "a aceitar o sacrifício" da reintrodução da língua portuguesa mostra que são uma geração "generosa"
José Ramos-Horta, Prémio Nobel e ex-chefe de Estado, também considera que a língua portuguesa não vai desaparecer - "antes pelo contrário" - e que em apenas 13 anos já aumentou muito o número de falantes no país.
"O português veio para ficar e vejo muitos políticos que na altura não falavam e hoje falam", disse.
Para Ramos-Horta, o país deverá consolidar-se como um espaço de quatro línguas, com "um tétum forte e mais modernizado e com bastante mais português pelo meio", o português, o indonésio e o inglês, cujo número de falantes também cresceu.

Francisco Guterres 'Lu-olo', ex-presidente do Parlamento Nacional e presidente da Fretilin (Frente Revolucionária do Timor-Leste Independente) atribui a um "sentimento de saudosismo" a opinião dos que pensam que o português não deve ser a língua para Timor-Leste.
O seu partido, assegura, continua a defender o português como língua oficial, a par do tétum, já que esta é "uma particularidade fundamental relativamente a outros países da região".
"Existem realmente pessoas que têm alguma dificuldade em falar português - eu também tenho - mas eu entendo porque é que devemos falar a língua portuguesa. No tempo da Indonésia, a escola Externato S. José foi alvo de perseguição das tropas indonésias precisamente por estarem a leccionar a língua portuguesa", disse.

"O que eles queriam era acabar com a língua portuguesa e com todos os sinais que os portugueses deixaram. Queriam combater isso tudo. Para quê? Para matar a alma deste povo. Eu devo dizer que era para matar a alma desse povo", insistiu Lu-Olo.
O responsável da Fretilin defende mais esforços do Governo nesta matéria, especialmente através das escolas de referência, e considera que quem não "mudar de mentalidade, vai ficar ultrapassado".

Também Mário Carrascalão, ex-vice-primeiro-ministro timorense, insiste que o português é essencial para o presente e futuro de Timor-Leste, especialmente numa região com vizinhos tão fortes como a Indonésia e a Austrália.
"Quem quiser pensar não só com o coração mas com a cabeça tem que pensar que o português é imprescindível para a sobrevivência de Timor como pais independente", afirmou.

"O único país nesta área que tem como língua oficial o português é Timor. É isso que marca a independência. É preciso que os governantes não tenham vergonha de dizer que se não fossem os portugueses a ocuparem essa parte, esta parte nunca seria independente sozinha", afirmou.
Recordando que as próprias resoluções da ONU sobre a descolonização de Timor-Leste se fizeram com base nas fronteiras coloniais, Carrascalão recorda a influência e o poder que a Indonésia continua a exercer e pode exercer sobre a identidade timorense.

"Etnicamente não somos diferentes, o povo timorense aprendeu rapidamente o indonésio, em Timor existem católicos em Atambua também", disse.
"Estamos economicamente altamente dependentes da Indonésia. Todo o nosso combustível vem da Indonésia, os bens de consumo quase todos são da Indonésia", afirmou.


(fot: lusa)

Timor-Leste espera assinar em breve novo protocolo na área da justiça com Portugal

"Sei que ainda precisamos de apoio dos actores internacionais, nomeadamente de Portugal", disse à Lusa, explicando que já escreveu à nova sua homóloga portuguesa, Francisca Van Dunem, que tomou posse na semana passada.


"Espero que em breve possamos assinar um novo protocolo para continuar o apoio, incluindo o apoio ao centro de formação jurídica", disse.

Ivo Valente falava à agência Lusa à margem de uma cerimónia do 13.º aniversário do Centro de Formação Jurídica de Timor-Leste que, explicou, está a ser alvo de uma reforma.

"Estamos a preparar uma reforma do centro de formação jurídica e nesta reforma vamos alterar muitas coisas. Dar mais independência ao centro, criar um centro de formação judiciária e de direito", disse.

"Esperamos que no início de 2016 estejam já aprovados os três diplomas para este centro e com essa reforma podemos ver qual é a nossa capacidade", sublinhou.

Na sua intervenção na cerimónia, Ivo Valente sublinhou que Timor-Leste precisa de um "sector judicial autónomo e independente" com "recursos humanos adequadamente formados".

Neste âmbito, considerou que o centro de formação jurídica e as várias áreas da justiça em que actua tem "um papel importante no fortalecimento do sistema judiciário".

"Só nos últimos três anos, entre cursos de formação, das mais variadas temáticas, cursos de tradutores jurídicos, cursos de auditores, cursos de língua portuguesa e de cursos de preparação em língua portuguesa, passaram pelo Centro de Formação Jurídica mais de mil formandos", afirmou.

Ivo Valente sublinhou ainda que apesar das deficiências e limitações de tempo, o centro foi responsável "pela formação certificada de 34 juízes, 33 procuradores, 30 defensores públicos, 72 advogados e 21 notários e conservadores".

Entra-se agora num novo ciclo em que é "necessário reforçar o número dos actores judiciários para ocuparem as posições das instituições judiciárias que falta ainda implementar" e para expandir geograficamente os serviços, acrescentou.

Assim, disse ser "indispensável desenvolver programas de formação estruturados e apostar na formação contínua especializada dos vários profissionais da justiça", com uma "mudança de paradigma" no que toca a "parcerias internacionais".

"Uma nova fase que implicará, necessariamente, uma maior responsabilização de todos os actores e intervenientes, tanto internacionais, como, em especial, os nacionais", frisou, acrescentando: "É chegado o momento de regular, de modo claro e objectivo, as actividades de formação dos profissionais do sector da justiça, com vista à criação, capacitação e ao fortalecimento de carreiras técnica e deontologicamente preparadas, de elevada isenção e competência, que possam assegurar a vitalidade do sistema de garantias dos direitos dos cidadãos".

Em paralelo, sublinhou ser ainda necessário promover "uma política bilingue, através do reforço do ensino da língua portuguesa e do desenvolvimento do tétum jurídico".

Durante o evento de hoje foi ainda assinado um contrato de 4,2 milhões de dólares entre o Governo timorense e uma empresa indonésia para a implementação do sistema de emissão do passaporte electrónico, que deverá começar a ser impresso no início de 2016.
 
 
 

Política criminal e projeto de Código da Justiça Militar em debate

O sector da Justiça da Guiné-Bissau está reunido a partir de hoje para preparar novas leis sobre política criminal e um projecto do Código da Justiça Militar, anunciou o Governo e a missão da ONU no país.


O 5.º Fórum Nacional de Justiça Criminal inclui na agenda “a elaboração de uma lei-quadro sobre política criminal, assim como a conformidade do projecto do Código da Justiça Militar com padrões internacionais”, refere a organização em comunicado.

Vão estar também em debate “a reforma dos sistemas de justiça criminal comum e de justiça militar” e os casos de “crimes ambientais” cometidos no país.

Os trabalhos decorrem até Sexta-feira no Palácio do Governo, em Bissau.
“O Fórum Nacional Anual de Justiça criminal é o único evento dessa natureza a congregar todos os actores do sistema de justiça criminal na Guiné-Bissau, a vários níveis, envolvendo diversos sectores, e ainda os parceiros regionais e internacionais”, destaca a organização.

Uma relatora especial das Nações Unidas, a argentina Mónica Pinto, avaliou o sector em Outubro e concluiu que a justiça “não chega às pessoas”.
Por outro lado, referiu que a impunidade “é quase crónica” e a investigação “tem pernas curtas”.

Face a este cenário, que inclui ainda baixos salários e falta de segurança para os agentes de Justiça, Mónica Pinto concluiu que “o risco para a independência judicial é muito grande e o terreno é cada vez mais fértil” para que “a corrupção possa dominar”.

O acesso à Justiça faz parte dos objectivos de desenvolvimento sustentável até 2030, subscritos pelas Nações Unidas.
 
 
 
 

Organizações pela libertação dos 17 ativistas não acreditam na justiça angolana

"Este julgamento não me deixa dormir descansado à espera do resultado", pois "a 'confiança' não é a primeira palavra que me ocorre" perante a forma como está a ser conduzido o processo, explicou o músico luso-angolano Pedro Coquenão à Lusa, no Rossio, onde cerca de 70 pessoas se concentraram em resposta a um apelo do grupo de cidadãos LAPA (Liberdade aos Ativistas Presos em Angola).


Como forma de chamar a atenção para um julgamento que consideram uma farsa, os organizadores da concentração exibiram o vídeo "JES [José Eduardo dos Santos] - Momento de Fra(n)queza", uma montagem disponível no YouTube (https://www.youtube.com/watch?v=JxtUL64DlMA), e exibiram um cartaz onde se lia "Liberdade Presos Políticos" e uma faixa com a inscrição: "Democracia de Verdade Já!".

Para o músico, a forma como o caso evolui "não abona a favor da competência, da retidão e da imparcialidade" do sistema judicial angolano, pois "a avaliação da situação foi feita antes", aguardando-se apenas "que seja comunicada a decisão que já terá sido tomada".

"O sistema de justiça em Angola está muito aquém do desejável" e, "quando os advogados de defesa vão para julgamento sem ter tido acesso a todo o processo, há más intenções", declarou, por seu lado, Timóteo Macedo, da Solidariedade Imigrante, para quem o julgamento "está a ser manipulado pelo sistema político" angolano.

Segundo o presidente da associação, em Angola "não há liberdade de expressão, não há liberdade de reunião, e as pessoas são presas por dá cá aquela palha".

"Estas pessoas [os activistas detidos] têm de ser libertadas de imediato", sublinhou Timóteo Macedo, ele próprio um ex-preso político de Angola, onde esteve preso por 18 meses nos anos de 1978 e 1979.

Na opinião de João Paulo Batalha, da associação Transparência e Integridade, o julgamento dos 17 activistas "é mais um passo numa sucessão de aumento da repressão e limitação da liberdade de expressão, da liberdade de protesto, da liberdade de organização".

O processo "é uma tentativa do regime de suprimir o descontentamento e a liberdade de expressão do povo angolano, para conseguir que continue viva a cultura de impunidade que tem governado aquele país desde há décadas e que, finalmente, está a ser questionada, não só por organizações internacionais como pela própria população angolana, que é o que tanto assusta o regime", afirmou ainda.

"No plano judicial, este é um processo que está a ser politicamente patrocinado e em que todo o sistema judicial está ao serviço do objetivo político e isso, obviamente, não nos faz prever um desfecho animador ou positivo", declarou o responsável da Transparência e Integridade, para quem "não têm sido garantidos aos réus direitos elementares de defesa".

Todavia, "aquilo que foi libertado da vontade de expressão, da vontade de organização e da vontade de mudança da sociedade angolana já não pode ser reprimido, já não pode ser suprimido, por muito que o regime tente, e a esperança que temos é de que, com organizações internacionais no terreno e a sociedade civil de vários países mobilizada, consigamos a mudança a que o regime resiste", concluiu.

Presente na acção, a Amnistia Internacional aproveitou para recolher assinaturas para uma petição que tem em curso, com vista à libertação dos 17 activistas angolanos, 15 dos quais detidos desde junho, e que conta já com mais de 40.000 subscritores.
 
 
 
 

Conflitos ou desastres. Cinco países lusófonos entre os mais vulneráveis - ONU

Cinco países lusófonos estão entre os países mais vulneráveis a situações de conflito ou desastres num mundo cada vez mais propenso a crises, segundo um relatório da ONU sobre o estado da população global.


Guiné-Bissau, Angola, Moçambique, Timor-Leste e São Tomé e Príncipe estão na lista de países e territórios vulneráveis a conflitos e desastres de acordo, sendo a Guiné-Bissau considerada um caso mais grave em termos de falta de recursos para responder a acontecimentos imprevistos.

Todos os países têm carências em duas ou mais de cinco dimensões: violência; acesso à justiça e estado de direito; eficiência, responsabilização e abrangência das instituições públicas, estabilidade económica; e resiliência a choques e desastres.

O relatório do Fundo para a População das Nações Unidas (FNUAP) refere que, nas últimas décadas, têm-se verificado cada vez mais desastres relacionados com catástrofes naturais ou meteorológicas e um grande movimento migratório por causa de pobreza ou insegurança.

Indica também que houve uma alteração do perfil dos países considerados vulneráveis, que deixaram de ser exclusivamente apenas pobres em termos de rendimentos para passarem a incluir também países com rendimentos médios, mas com problemas de violência e um grande emprego jovem.

Este ano, o relatório sobre "O Estado da População Mundial" salienta que os conflitos, desastres naturais e outras situações de emergência humanitária estão a ter maior um grande impacto na saúde e bem estar das mulheres e raparigas devido às necessidades específicas em termos de saúde sexual e reprodutiva.

Estima-se que cerca de 26 milhões, um quarto do total de 100 milhões de pessoas vítimas de crises humanitárias em termos de saúde e bem estar, são mulheres e raparigas em idade reprodutiva, ou seja, entre os 15 e 49 anos.
 
 
 

Enviado da ONU diz que acordo pode estreitar entre facções em conflito na Líbia

Facções em conflito da Líbia estão muito perto de um acordo para a formação de um governo de unidade e poderiam assinar um acordo há muito esperado em um mês, disse o novo enviado da ONU.


Os governos ocidentais estão pressionando para que o acordo apoiado pela ONU como a única maneira de acabar com o caos na Líbia, onde dois governos rivais e suas facções armadas estão lutando pelo controle.

Moderados têm apoiado a proposta martelada em um ano de negociações, mas extremistas em ambos os lados têm vindo a exigir mais condições e concessões do outro lado.

"Estamos muito perto de um acordo, mesmo que alguns obstáculos permanecem. Acredito que podemos assinar em um mês. As negociações duraram um ano e agora é hora de assinar um acordo", enviado da ONU Martin Kobler à Reuters por telefone na noite de terça-feira durante conversações em Argel.

"O governo de união deve ser baseada em Trípoli."

Kobler disse que não havia nenhuma conversa de sanções contra aqueles que resistem o negócio para o momento, mas sim os esforços para "encorajar os líbios para ir para uma solução".

A proposta da ONU pede um conselho presidencial de seis membros executivos que tenta representar powerbases regionais tradicionais da Líbia, junto com o Congresso Câmara dos Representantes e uma segunda câmara consultiva do Conselho de Estado.

Quatro anos após a revolta contra Muammar Gaddafi, ex brigadas rebeldes transformaram em cada, disputando poder e controle sobre as reservas de petróleo da OPEP produtores.

No caos, os militantes Estado Islâmico também ganharam terreno e controlar a cidade de Sirte.

Desde o ano passado, Tripoli tem sido controlado pela Líbia Amanhecer, uma aliança de facções armadas ligadas com a cidade de Misrata, e mais grupos armados islâmicos de tendência que assumiu a capital e estabelecer seu próprio governo e restabeleceu o antigo Parlamento.

O governo internacionalmente reconhecido e parlamento eleito, desde então operado fora do leste, apoiado por uma coalizão de outras facções armadas, incluindo uma liderada pelo general Khalifa Hafter, uma vez que um aliado de Gaddafi.

quarta-feira, 2 de dezembro de 2015

Eurodeputados portugueses querem Europa a assumir responsabilidades em Calais

Os eurodeputados Marisa Matias (BE) e Miguel Viegas (PCP) criticaram esta terça-feira as instituições europeias por não assumirem responsabilidades em relação a refugiados, como os que estão na denominada selva de Calais (França).


Integrados numa delegação do Parlamento Europeu (PE) da Esquerda Unitária Europeia/Esquerda Verde Nórdica (GUE/NGL), os dois eurodeputados portugueses mantiveram durante todo o dia contactos com associações de apoio e habitantes do acampamento francês, situado junto à fronteira com o Reino Unido.

Depois de percorrer chão enlameado e ver tendas que servem de casas temporárias, Marisa Matias garantiu não ser aquela "seguramente a Europa que nós queremos" e que o "velho continente" deve "assumir responsabilidades pelas consequências associadas a conflitos".

Para a eurodeputada, "não pode ser possível achar que é possível conviver com estas condições de vida" sem "nenhum dos valores europeus associado".

Relatando a experiência de receber pessoas nomeadamente na fronteira da Síria em "situação muito dramática", a bloquista assumiu que para Calais tinha "expectativa e algum nervosismo" por ir encontrar pessoas que fizeram um caminho de "mais dois/três anos" até França.

"De certa maneira surpreendeu-me a calma, a organização, a forma como as pessoas se tentam organizar em comunidade, em circunstâncias abaixo de qualquer condição de dignidade humana. Mas obviamente não me descansa, não me resigna e é preciso vir aqui, vir aos sítios, não é só falar sobre as pessoas, é falar com as pessoas", resumiu.

Marisa Matias quer o fim da "lógica securitária e da criminalização das pessoas que procuram uma vida melhor", argumentando que os "países europeus têm obrigação de pôr a vida humana à frente dos negócios das armas e do petróleo".

"Aqui é mais um monumento à hipocrisia. Temos uma união europeia que manda bombas para a Líbia, para a Síria, para o Iraque, e para o Afeganistão e depois quando se trata de arcar com as consequências, assobia para o lado", afirmou, por seu lado, Miguel Viegas.

O eurodeputado do PCP notou que União Europeia "tem todas as condições para resolver desde que haja vontade política e assumir as suas responsabilidades", dizendo que as condições em que se encontram os refugiados em Calais deviam "levantar a maior indignação".

"É preciso resolver a questão da aspiração de qualquer pessoas de chegar a um destino e poder efectivamente optar por uma vida diferente da que tinha no país de origem", defendeu o português, que ouviu no acampamento exemplos de situações de famílias separadas.

Para o eurodeputado comunista, as "instituições europeias têm de olharem para este problema de frente, têm que se deixar de hipocrisias e devem dar condições para as pessoas viverem".

Pela sua parte, o eurodeputado garantiu que ir ao terreno deu "conhecimento concreto e mais força, alento e convicção para através de todos os instrumentos do PE confrontar a Comissão Europeia" e evitar que seja um assunto que seja esquecido.

(© Philippe Wojazer / Reuters)
 

Por fraude e contrabando, detido General Konate (UA)

O comandante da força regional da União Africana, o guineense (conakry) General Konate, foi preso em um aeroporto dos EUA no Estado da Virgínia durante a tentativa de deixar o país.


Ele se declarou "culpado de contrabando" no tráfico de dezenas de milhares de dólares em dinheiro.

Konate foi presidente da Guiné. Na época dos factos que lhe eram imputados, ele invocou a sua imunidade para atrasar a investigação desses fatos.

Seu julgamento é esperado na próxima semana no tribunal Alexandria. Ele se declarou culpado de contrabando de dezenas de milhares de dólares nos Estados Unidos. Ele enfrenta uma pena de prisão até 5 anos de prisão.

Os promotores disseram que o Sr. Konate tentou trazer mais de $ 64.000 em dinheiro nos Estados Unidos para Etiópia em 2013, quando ele declarou às autoridades aduaneiras que detinham menos de US $ 10.000.
 
 
 
 

Recomendações da I Conferencia Nacional de Adolescente e Jovens sobre VIH e SIDA

A I Conferencia Nacional de Adolescente e Jovens sobre VIH e SIDA na Guiné-Bissau, terminou mas deixou 13 recomendações e sugestões dos meninos e meninas que participaram do encontro.

 
Cinco dessas recomendações são endereçadas ao Governo e oito a sociedade civil. Por iniciativa do Secretariado Nacional de Luta contra a SIDA (SNLS), com o apoio do UNICEF, o Forum Nacional de Juventude e População (FNJP), realizou o encontro em Bissau reunindo cerca de 100 jovens e adolescentes das oito regiões da Guiné-Bissau e mais sector autónomo de Bissau. Durante os dois dias (25 e 26 de novembro) os jovens discutiram os desafios sobre o tema e produziram documento com as seguintes propostas e recomendações:

Para o governo, os meninos apontam cinco recomendações:


1. Introdução no currículo escolar, a disciplina: “Saúde Sexual e Reprodutiva”;
2. Reforçar no Orçamento Geral do Estado verba para o combate ao VIH e SIDA;
3. Reforço regular de capacidade dos técnicos de saúde em temática dA I Conferencia Nacional de Adolescente e Jovens sobre VIH e SIDA na Guiné-Bissau, terminou mas deixou 13 recomendações e sugestões dos meninos e meninas que participaram do encontro.o VIH e Saúde Sexual e Reprodutiva;
4. Reforçar e melhorar os serviços de prevenção, cuidados e tratamentos pelo VIH;
5. Maior aplicação e fiscalização da lei tipo (lei que protege as pessoas viventes com o VIH e SIDA);

Já para os parceiros e para a sociedade civil, são oito recomendações:


1. Criar novos mecanismos de abordagens sobre a matéria do VIH e SIDA;
2. Formar e reforçar capacidades de pares educadores em matéria do VIH e SIDA, particularmente no domínio da comunicação para a mudança de comportamentos e atitudes;
3. O maior cumprimento da ética e deontologia profissional por parte dos profissionais de saúde em relação ao estado serológico das pessoas portadoras do VIH e SIDA;
4. Reforçar as campanhas de sensibilização nas escolas e comunidades;
5. Sensibilizar e envolver os líderes comunitários nas acções de luta contra o VIH e SIDA;
6. Sensibilizar e consciencializar os pais e encarregados de educação a respeito da sexualidade, de modo a proporcionar um diálogo aberto no seio da família;
7. Maior envolvimento e articulação dos parceiros de desenvolvimento no combate ao VIH e SIDA;
8. Maior implicação e participação dos adolescentes e jovens na pesquisa e busca de informação para melhor se protegerem.

A primeira Conferencia Nacional também teve o objectivo de marcar o Primeiro de Dezembro, Dia Mundial de Luta contra Aids, cujo tema deste ano chama atenção para o fato que os jovens e os adolescentes têm sido o grupo mais vulnerável ao VIH e a SIDA nos últimos anos.

Segundo dados divulgados globalmente pelo UNICEF no último dia 27, o número de mortes de adolescentes provocadas pela SIDA triplicou nos últimos 15 anos. E a doença já é a causa número um de mortes entre adolescentes na África e a segunda principal causa de morte entre adolescentes em todo o mundo. Entre as populações afetadas pelo VIH, os adolescentes são o único grupo em relação ao qual os números de mortalidade não estão diminuindo. Por isso, precisamos todos ouvir o que esses meninos e meninas têm a dizer e agilizarmos as nossas respostas a esses desafios.
 
 (in: UNICEF, Guiné-Bissau)

 
 

UE pagou 6,2 milhões de euros no quadro do Acordo de Pescas

A União Europeia (UE) efectuou, em novembro, o segundo pagamento anual no valor de 6,2 milhões de euros, no âmbito do Acordo de Pescas assinado entre o executivo de Bissau e Bruxelas.


Segundo um comunicado da delegação da UE na Guiné-Bissau, a par desta compensação financeira, «foi ainda aprovado um programa de apoio ao setor pesqueiro guineense no valor de três milhões de euros, para, nomeadamente, o reforço do controlo e vigilância marítima e investigação científica».

Ainda de acordo com a nota, para além destas contribuições, os armadores europeus vão continuar a pagar respectivas taxas para beneficiarem das licenças de pesca, que variarão segundo o tipo de navio e a quantidade de pescado.

O acordo de parceria no sector das pescas entre Guiné-Bissau e UE entrou em vigor a 16 de junho de 2007.

Os armadores europeus estão autorizados a capturar nas águas guineenses espécies como o atum, cefalópodes e camarão.
 
 
 
 

terça-feira, 1 de dezembro de 2015

Portugal: A Constituição no banco das escolas

Trinta e nove anos depois de aprovada, para os alunos, a Constituição é algo «de abstracto» e pouco fazem ideia do papel do governo, da assembleia e para que serve um deputado... As questões que levanta a proposta (a semana passada aprovada) de introdução do estudo da Constituição da República no 3º ciclo e no Secundário.


A par do fim dos exames no ensino básico, a recomendação da divulgação e estudo da Constituição da República na escolaridade obrigatória (projecto do grupo parlamentar de Os Verdes) foi aprovada pela Assembleia, depois de ter sido rejeitada em legislatura anterior. Na ocasião, face à proposta dos Verdes, o então presidente da Comissão dos Assuntos Constitucionais, o deputado social-democrata Fernando Negrão entendeu que «os alunos não deveriam ter nenhum contacto com esta constituição». Apesar da perplexidade da deputada Heloísa Apolónia, que alegava um desconhecimento inadmissível dos cidadãos face à sua Lei fundamental, «sobretudo nas camadas mais jovens», Negrão sustentou, em Maio de 2013, que a Constituição de 1976 era «datada» e tinha «uma carga ideológica muito forte».

O projecto, agora aprovado, destaca o facto de a Constituição de 2 de Abril de 1976 encerrar em si «o produto de uma democracia conquistada pela revolução de 25 de Abril de 1974»: «É uma Constituição progressista, pese embora algumas revisões que lhe amputaram bases importantes de consolidação de direitos e garantias». «Nos seus 296 artigos trata de matérias relevantíssimas, entre as quais dos princípios relativos ao nosso Estado Democrático, aos direitos, liberdades e garantias dos cidadãos, à organização do poder político, ou à estrutura dos órgãos de soberania».

Embora no 9º ano do Ensino Básico conste, no programa de História, o estudo da organização do poder político, 39 anos depois, a Lei-Mãe do país continua a ser uma total desconhecida para muitos portugueses. O projecto recomenda ainda a disponibilização gratuita a todos os estudantes, do 3º ciclo e do ensino secundário, de um exemplar da Constituição da República Portuguesa.

A professora e socióloga Ana Isabel Pena há muito que tinha dado pela ignorância dos seus alunos. «Para eles, não só a constituição, mas os órgãos soberanos, e os seus poderes, são encarados como algo totalmente abstracto. Não faziam ideia dos poderes da Assembleia, do Governo, do Presidente, do Tribunal Constitucional, nem para que servia um deputado...». Tanto que decidiu, por sua iniciativa, incluir nos seus tempos lectivos várias aulas exclusivamente dedicadas à Constituição e à Declaração Universal dos Direitos do Homem. Os programas fazem uma breve menção, mas a professora entendeu que era fundamental, importante demais para não ser discutido e debatido em sala de aula, alvo de vários trabalhos. Afinal, trata-se de alunos que já votam, «cidadãos de pleno direito» e que devem ser integrados nos valores plenos da cidadania, para não se deixarem facilmente manipular e equivocar.

«É um perfeito disparate aquela velha ideia de que não se deve falar de política, de religião e futebol (sexo já se pode..) nas aulas. Porque pode instalar um clima de instabilidade e conflitos na sala... É claro que é difícil, os alunos tendem a achar tudo uma seca, coisas de políticos, como se fosse um 'assunto lá deles', que não lhes diz respeito... Mas depende da maneira como se dá a matéria. Se dermos a Constituição como no meu tempo se aprendiam os Lusíadas, se basearmos as aulas no «empinanço» não vale a pena. Se assentarmos as aulas em discussões, debates, em reflecções, em trabalhos, garanto que eles nunca mais vão esquecer», continua a professora que lecciona num externato em Lisboa, com população escolar complicada, historial de chumbos, e excluída do ensino regular. Mas, acrescenta, trata-se de um externato com tradições republicanas, fez feriado no 5 de Outubro, e colocou uma faixa pelos atentados em Paris e por todas as vítimas do terrorismo.

«Não me interessa nada que saibam artigos de cor, nem que saiam daqui constitucionalistas, mas que percebam as linhas gerais, os direitos, liberdades e garantias, que não confundam conceitos, que percebam que nada disto é adquirido e garantido, qual o papel da constituição na sociedade, que nem sempre foi assim. E eles, que têm um pensamento muito pouco estruturado, começam a pensar. É muito estimulante 'picá-los'...»,conta. O programa não lhe «dá» tanto tempo quanto isso para estas questões, mas a professora considera que não é uma perda, mas «um ganho».

No entanto, para além das boas intenções da iniciativa, há outras questões que se levantam. Quem vai formar os professores para abordarem estas matérias? Será admissível exigir-lhes mais esta missão? A classe docente anda exaurida, atolada em burocracias, é-lhe exigida cada vez mais, tem problemas gravíssimos com a autoridade, casos de indisciplina, torna-se muito desgastante; os próprios professores não tiveram estas matérias nos seus currículos... e pode bem acontecer o que sucedeu com as aulas de educação sexual, que deixaram muito a desejar. «É uma reflexão que se tem de fazer. A introdução da Constituição no programas escolares é fundamental e já peca por tardia; passamos a vida a dizer que o desconhecimento da lei não beneficia o infractor, mas não damos aos alunos as bases para construírem uma cidadania livre, numa sociedade democrática. Mas na prática, como funciona? Quem vai dar essas aulas?», questiona-se.

Já Ana Cristina Silva, escritora e professora universitária, doutorada em psicologia educacional, concorda que «seja feita uma abordagem à Constituição nas escolas no sentido de se trabalhar a cidadania ( aliás como outras dimensões da cidadania)»: «Parece-me uma forma de incentivar a participação política e cívica dos jovens , assim como um meio para eles conhecerem alguns dos princípios e garantias que orientam a vida politica». Porém, adverte: «É como tudo, depende da forma como é abordado.... que terá de ser sempre na forma de debate e discussão».

Teresa Santa-Clara, Mestre em Ciências da Educação, entende que «sendo a Constituição da República Portuguesa um texto normativo fundamental para o funcionamento da nossa sociedade, faz todo o sentido que, ao longo da escolaridade obrigatória, os jovens possam ler e analisar, pelo menos, os seus artigos mais importantes». Defende que este estudo deva ser feito numa disciplina de formação geral. «Neste momento, algumas disciplinas de formação específica incluem este tema nos seus conteúdos, como é o caso de Ciência Política, disciplina de opção do 12º ano. Mas o importante é proporcionar a todos os alunos o contacto com este texto e não apenas àqueles que frequentam disciplinas de formação específica ». Filosofia seria uma boa opção, uma vez que o seu programa inclui temas como «Ética, direito e política» ou «Construção da cidadania»

Quanto ao Ensino Básico, para Teresa Santa-Clara, «o estudo da Constituição deveria surgir no 9º ano, na Disciplina de História, cujo programa inclui o tema ‘Portugal Democrático’, no âmbito do qual não se prevê o estudo da Constituição – embora se recomende, e bem, leituras muito diversificadas de documentos (poesias, romances, testemunhos, filmes e documentários, etc.) para abordagem a esta época».

«Curiosamente», nota, «o estudo de trechos da Constituição é especificamente recomendado no 6º ano (2º ciclo do Ensino) na disciplina de História e Geografia de Portugal»: «Creio que tal não deve ser invocado como justificação para se não incluir o estudo da Constituição no 3º ciclo e/ou no Secundário, uma vez que a verdadeira compreensão do texto constitucional e das suas implicações exige, claramente, maior maturidade do que aquela que os alunos apresentam no 6º ano».

No âmbito da educação para a cidadania, quarta-feira, dia 2 de Dezembro (11:30), a Escola Secundária Camões abre as portas para o lançamento da reedição da Educação Cívica de António Sérgio, no centenário da sua primeira edição (1915). A sessão conta com a presença de Matilde de Sousa Franco, familiar de António Sérgio, e inclui uma ‘Aula Aberta’ por Guilherme d’Oliveira Martins (administrador da Fundação Calouste Gulbenkian) sobre a Educação Cívica e o pensamento de António Sérgio.

Nesta ocasião vai ser assinado um protocolo entre a Rede de Bibliotecas Escolares (RBE) e a Cooperativa António Sérgio para a Economia Social (CASES) que vai permitir disponibilizar o espólio de António Sérgio, que a CASES tem vindo a tratar, a todas as bibliotecas.Ana Margarida de Carvalho)

(Ana Margarida de Carvalho)



Nota do Conselho Português para os Refugiados

LISBOA, 28 de novembro de 2015 (CPR) - Um artigo de ontem do Diário de Notícias com o título "Portugal ofereceu-se para receber 5 mil refugiados. Só 50 aceitaram." gerou uma sucessão de equívocos na comunicação social. Aparentemente, o jornal chegou a esse “título bombástico" a partir de declarações de Luís Gouveia, director adjunto do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras, que, mais tarde, recusou a forma como as suas palavras foram interpretadas.


O título do DN pode vender muitos jornais, mas é claramente demolidor do sentimento de solidariedade para com os refugiados que emana da maioria do povo português. Afinal, existiria por parte dos refugiados uma enorme ingratidão perante um pequeno país que, apesar das dificuldades impostas pela grave crise económica e financeira que atravessa, se dispunha a recebê-los de braços abertos. O título prejudicaria também todo o trabalho de esclarecimento e sensibilização que está a ser feito pelo CPR e outras organizações junto das escolas, autarquias e colectividades que irão acolher os refugiados. "Para quê preocuparmo-nos com os refugiados se eles não querem que os acolhemos?" seria uma pergunta óbvia que muitos portugueses fariam depois de verem o artigo do jornal. Na página do DN online que publicou a notícia, os comentários, assumindo o título como verdadeiro, reflectem bem a indignação dos leitores. A coberto do anonimato, muitos leitores resvalaram, até, para o insulto primário e extremo.

Mais tarde, o mesmo jornal ouviu a Presidente do Conselho Português para os Refugiados (CPR), Teresa Tito Morais, que afirmou não ter elementos suficientes para dizer que há uma recusa por parte dos refugiados em virem para Portugal: “Os refugiados dirigem-se para países onde têm mais referências: amigos, familiares, que necessariamente lhes dão mais confiança",

"A União Europeia acordou recolocar 160.000 candidatos a asilo e até agora só recolocou 159."

acrescentando, "Contudo, não posso deixar de chamar a atenção para a grande inabilidade com que a Europa e os Estados europeus continuam a lidar com este problema, porque perante uma situação dramática que já se vive há largos meses, impunham-se medidas mais concretas e agilizadas no sentido de uma maior mobilização dos Estados".

O próprio director do SEF, Luís Gouveia, esclareceu depois na comunicação social que "o facto dos refugiados preferirem países onde têm familiares, amigos, vizinhos, conhecidos ou, pelo menos, saberem que existem comunidades dos seus países de origem é diferente de dizer que não querem vir para Portugal" recusando a forma como foram interpretadas as suas declarações ao Diário de Notícias, "O processo está a ser mais lento do que o previsto", admite aquele responsável, não lhe parecendo que seja um problema de Portugal. A União Europeia acordou recolocar 160.000 candidatos a asilo e até agora só recolocou 159.

O CPR já foi confrontado com situações idênticas no passado. Por exemplo, quando se organizou a ponte aérea entre Skopje (Macedónia) e diversos países da NATO para evacuação dos campos de trânsito de refugiados kosovares. Nesse caso, a "competição" entre países até era mais forte do que a actual, dado que nela também participaram os EUA, o Canadá e o Reino Unido. O processo de colocação passava também por uma entrevista individual em que era assegurado que cada refugiado sabia qual era o país de destino e que aceitava voluntariamente ser nele instalado. Acontece que muitos refugiados nem sequer sabiam que existia um país chamado Portugal e o esclarecimento passava por questões muito básicas como clarificar, desde logo, que não era uma província espanhola, que as suas fronteiras eram das mais antigas da Europa, etc.

Sendo a maioria dos refugiados constituída por famílias numerosas, uma das perguntas que todos faziam era onde e como seriam acolhidos, se iriam para campos de refugiados, se ficariam isolados dos centros urbanos, etc. Outras perguntas passavam por aspectos relacionados com o emprego, educação, saúde, etc. Mas, para estas pessoas, que fugiam de situações de guerra, de violência e intimidação generalizadas, assegurar que viveriam em tranquilidade, em segurança e num clima de tolerância e de respeito, no seio das comunidades de acolhimento, terão sido os aspectos mais determinantes para a decisão de embarcarem. Contra os receios iniciais, a ponte aérea para Portugal decorreu como previsto, com os aviões sempre cheios, sem faltas ao embarque, numa operação em que foram evacuadas 1270 pessoas em apenas 6 semanas. A recepção e acolhimento dos refugiados por parte dos portugueses foi excelente. Os órgãos de comunicação social desempenharam, em todo este processo, um papel muito relevante.

Estamos certos que após a vinda dos primeiros refugiados ao abrigo do Programa de Recolocação, prevista para muito brevemente, a aceitação de Portugal crescerá exponencialmente, caso não haja obstáculos burocráticos, - "Portugal é uma excelente terra de asilo", será a mensagem que se propagará rapidamente.
 
 

Quinzena Dedicada aos Direitos Humanos

De 1 a 14 de dezembro de 2015, a Casa dos Direitos e as organizações da sociedade civil associadas promovem a Quinzena dos Direitos, com actividades em torno dos direitos humanos na Guiné-Bissau. Conferências, exposições, feira do livro, música, cinema, teatro e sessões para os mais novos constituirão pretexto para falar sobre direitos humanos. As diversas sessões ao longo das duas semanas são organizadas em parceria com os projectos de direitos humanos Observatório dos Direitos, Ora di Diritu e Vozes de Nós, levados a cabo pelas organizações parceiras e financiadores. O Camões, I.P. apoia esta iniciativa.


A primeira semana é dedicada aos Direitos das Crianças, com a realização do encontro internacional Vozes de Nós – Crianças em Situação de Vulnerabilidade nos Países da CPLP. Trata-se do produto de mais de cinco anos de trabalho conjunto entre diversas organizações que se dedicam à promoção dos direitos das crianças nos oito países de língua portuguesa.

A Feira do livro será inaugurada no dia 4, às 16h30 e apresenta as edições produzidas pela UCCLA e que assinalam os 50 anos do fecho da Casa dos Estudantes do Império, em Lisboa, que foi espaço de resistência anti-colonial, nomeadamente através da cultura.

No sábado, dia 5 de dezembro, serão apresentadas as histórias dos “mais velhos e dos mais novos em Bissau Velho”, reunidas num catálogo e retratadas em duas exposições. Uma exposição, no salão da Casa resulta de ateliers de fotografia e escrita de histórias de vida de quem vive ou trabalha em Bissau Velho, participados por membros de OCS e apoiados pela Fundação Gulbenkian e pela Embaixada de Portugal. A outra exposição apresenta fotografias em tela gigante afixadas em edifícios de Bissau Velho. A sessão terá início às 17 horas, na Casa dos Direitos.

As comemorações do Dia Internacional dos Direitos Humanos, que se celebra a 10 de dezembro, integram também a Quinzena dos Direitos, com a entrega do Prémio “Jornalismo e Direitos Humanos”, aos melhores trabalhos realizados por jornalistas guineenses sobre direitos humanos ao longo de 2015. Este prémio é uma iniciativa no quadro do projecto do Observatório dos Direitos, financiado pela União Europeia e pela Cooperação Portuguesa. A cerimónia terá lugar pelas 12h30, no Hotel Azalai, no âmbito de iniciativa da União Europeia para assinalar este dia.

(A Radio Jovem associa-se a este evento, com programas especiais e reportagens das iniciativas da Quinzena, reforçando assim o alcance desta iniciativa.)
 
 
 

De 1 a 14 de dezembro de 2015, a Casa dos Direitos e as organizações da sociedade civil associadas promovem a Quinzena dos Direitos, com atividades em torno dos direitos humanos na Guiné-Bissau. Conferências, exposições, feira do livro, música, cinema, teatro e sessões para os mais novos constituirão pretexto para falar sobre direitos humanos. As diversas sessões ao longo das duas semanas são organizadas em parceria com os projetos de direitos humanos Observatório dos Direitos, Ora di Diritu e Vozes de Nós, levados a cabo pelas organizações parceiras e financiadores. O Camões, I.P. apoia esta iniciativa.
A primeira semana é dedicada aos Direitos das Crianças, com a realização do encontro internacional Vozes de Nós – Crianças em Situação de Vulnerabilidade nos Países da CPLP. Trata-se do produto de mais de cinco anos de trabalho conjunto entre diversas organizações que se dedicam à promoção dos direitos das crianças nos oito países de língua portuguesa.
A Feira do livro será inaugurada no dia 4, às 16h30 e apresenta as edições produzidas pela UCCLA e que assinalam os 50 anos do fecho da Casa dos Estudantes do Império, em Lisboa, que foi espaço de resistência anti-colonial, nomeadamente através da cultura.
No sábado, dia 5 de dezembro, serão apresentadas as histórias dos “mais velhos e dos mais novos em Bissau Velho”, reunidas num catálogo e retratadas em duas exposições. Uma exposição, no salão da Casa resulta de ateliers de fotografia e escrita de histórias de vida de quem vive ou trabalha em Bissau Velho, participados por membros de OCS e apoiados pela Fundação Gulbenkian e pela Embaixada de Portugal. A outra exposição apresenta fotografias em tela gigante afixadas em edifícios de Bissau Velho. A sessão terá início às 17 horas, na Casa dos Direitos.
As comemorações do Dia Internacional dos Direitos Humanos, que se celebra a 10 de dezembro, integram também a Quinzena dos Direitos, com a entrega do Prémio “Jornalismo e Direitos Humanos”, aos melhores trabalhos realizados por jornalistas guineenses sobre direitos humanos ao longo de 2015. Este prémio é uma iniciativa no quadro do projeto do Observatório dos Direitos, financiado pela União Europeia e pela Cooperação Portuguesa. A cerimónia terá lugar pelas 12h30, no Hotel Azalai, no âmbito de iniciativa da União Europeia para assinalar este dia.
Radio Jovem associa-se a este evento, com programas especiais e reportagens das iniciativas da Quinzena, reforçando assim o alcance desta iniciativa.
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O país continua vulnerável ao tráfico de droga

A iniciativa organizada pelo Instituto de Defesa Nacional da Guiné-Bissau, que também conta com a participação de elementos do gabinete local das Nações Unidas, vai analisar, durante dois dias, a situação do tráfico de estupefacientes no país e medidas para o combater.


O seminário, que decorre entre hoje e terça-feira, junta técnicos do Instituto da Defesa, do setor judiciário, elementos da sociedade civil guineense e diversos representantes de organizações internacionais parceiras da Guiné-Bissau.

No discurso de abertura, a ministra Adiato Nandigna, afirmou que as estatísticas apontam para um decréscimo do nível do tráfico de droga na África Ocidental, embora na Guiné-Bissau o arquipélago dos Bijagós continue a ser uma zona problemática.

"O arquipélago dos Bijagós, que conta com mais de 80 ilhas, a maior parte das quais desabitadas, situa-se num caminho entre o grande produtor de estupefaciente que é a América Latina e o grande consumidor que é a Europa. Constitui a área geográfica mais vulnerável ao tráfico", na Guiné-Bissau, disse a ministra da Defesa.

Adiato Nandigna afirmou ainda que as autoridades guineenses esperam continuar a ter o apoio da comunidade internacional para equipar as forças de defesa e segurança no combate ao flagelo.

Em representação do Gabinete Integrado das Nações Unidas para a Consolidação da Paz na Guiné-Bissau (UNIOGBIS), Antero Lopes reforçou o compromisso da comunidade internacional em apoiar os planos das autoridades guineenses no combate ao crime organizado no país.

Antero Lopes realçou ainda que as causas dos conflitos "já foram estudadas" por diversas entidades nacionais e internacionais e apontam que a instabilidade na Guiné-Bissau "também estão relacionadas" com aquele tipo de criminalidade.

Para o responsável da ONU, existe vontade política para a combater, existem planos concretos, o que falta, ressalvou, são os meios financeiros e técnicos que a sua organização irá ajudar a mobilizar, referiu.