sexta-feira, 21 de outubro de 2016
Bastaaaa !!!
Deixem-nos viver em Paz na nossa terra!
Fui ao aeroporto internacional Osvaldo Vieira fazer a cobertura
jornalística da vinda do jornalista português da RTP, José Rodrigues dos
Santos, que participa na próxima semana no 5° encontro das Entidades
Reguladoras da Comunicação Social dos Países e Territórios de língua
oficial portuguesa, e deparei com uma situação triste e de total
desespero que me deixou sem forças nesta sexta-feira.
Esperava
tudo, menos encontrar um companheiro de luta de malas feitas para virar
costas à sua terra natal de forma indesejável.
Um amigo de
apenas 27 anos de idade, quadro formado no Brasil, não posso revelar a
sua identidade porque assim o quis, decidiu pegar no seu diploma de
mestrado e nos parcos meios para deixar tudo para trás e dar um novo
impulso à sua vida.
Extremamente aborrecido pela atual situação
de um país literalmente parado, de falta de emprego, de falta quase
total de dinâmica na função pública, e onde só se fala da política
partidária; de um país de salários baixíssimos, com o agravante de não
serem pagos a tempo - o rapaz decidiu partir para bem longe em busca de
melhores condições de vida, ainda que o seu coração permaneça em Bissau,
como sublinhou.
Com lágrimas nos olhos, disse estar ciente de
que as coisas na Europa "também não estão fáceis", mas na Guiné-Bissau
ficara "estagnado", daí a sua preferência em continuar os estudos
académicos ou fazer outras atividades "onde der".
Chegara à
conclusão que "a crise política vigente não ficará resolvida com a
nomeação de um novo Primeiro-ministro do tal governo de consenso e
inclusivo.
" O rapaz salienta que "a legislatura está perdida e vai-se perder muitos anos nesta brincadeira".
Lembra que a idade não pára e não perdoa no tempo. Nota que pelas
reações dos atores políticos qualquer figura escolhida pelo Presidente
da República será ponto de partida para uma nova fase da crise, que, na
sua opinião, poderá ser "mais morosa e perigosa ainda".
Durante a
conversa, reparei que tinha voltado com enorme vontade de servir o seu
país, colaborando em vários projectos ligados à sua área, acabando por
apanhar uma grande deceção pelo bloqueio a que foi sujeito.
Deixou bem claro que irá bloquear-me no Facebook porque não quer saber
nada, "absolutamente nada", da política nacional. Eu apenas pude
responder: "Entendo, meu amigo de peito!"
Há dias, escrevi a história do nosso colega Júlio Pereira que é espelho de vários jovens quadros guineenses.
Há muitos jovens quadros guineenses neste dilema de viver num mundo de
incertezas; uns que foram começar do zero no estrangeiro; outros que
querem ir, mas não têm como, outros que não têm condições de partir com a
mulher e os filhos, outros que lutam dia e noite (correm atrás dos
políticos) para entrar no sistema, e ainda os que estão no sistema, mas
que constituem uma minoria insignificante para mudar o rumo dos
acontecimentos na Guiné-Bissau.
Trocamos impressões sobre a
esperança num futuro melhor para a Guiné-Bissau como forma de encorajar
outros jovens a persistirem, apesar dos sinais adversos evidenciados
pela classe política, mas mutuamente admitimos que é extraordinariamente
difícil lidar com a política vigente, sobretudo quando são muito jovens
e estão, como se diz, na "primavera da vida".
A expressão pode
ser popular, mas revela a sabedoria dos que olhando para os jovens vêem
neles apenas talentos prontos a florir e a multiplicarem-se. Ou seja,
não esperam que rapazes e raparigas tão novos sujeitem os seus talentos a
uma lenta asfixia e muito menos que os enterrem em lugar algum, dizia
um colunista português.
Quando foi chamado para se dirigir à
sala de embarque, o jovem murmurou no meu ouvido: "Esperar pela
resolução desta crise é como esperar que o mar corra para os rios".
A história do meu amigo contrasta com os apelos feitos pelas
autoridades guineenses aos emigrantes para voltarem ao país. Para virem
fazer o quê?
Haverá emprego digno?
Se os que estão cá não têm onde é que estão os empregos para os reforços?
Por exemplo para um médico que receba um salário de 4 milhões de
francos CFA na Europa, só por ser guineense deve regressar a Bissau para
vir receber 150 mil?
E trabalhar com equipamentos da década de 90?
Para um jornalista que ganhe 650 mil francos CFA na Europa, só por ser
guineense deverá regressar ao país para vir trabalhar na Rádio Nacional e
ter um salário de 60 mil?
Fica aqui a pergunta aos dirigentes
políticos: porque é que não convidam os quadros guineenses doutorados
nas Ciências Políticas a vir ajudar a endireitar as vossas políticas e
consequentemente os vossos partidos?
A sua Excelência Sr.
Presidente da República, Dr. José Mário Vaz, Chefe da Nação,
Comandante-em-chefe e Presidente de todos nós, não estou contra as suas
constantes deslocações ao estrangeiro, mas gostaríamos que visitasse
também com mais frequência as zonas rurais onde a pobreza está
acentuada e ou bairros periféricos de Bissau para conversar, sem
intermediários, diretamente com o povo. Ali terá conselhos dos anciões,
Régulos, jovens, mulheres e até crianças sobre o quão é importante
reunir consensos à volta da causa nacional. Sua Excelência estaria a
conversar com a Sociedade Civil e não a Organização da sociedade civil.
Lembro que depois do golpe militar de Abril de 2012, o antigo
representante do Secretário-geral da ONU para Guiné-Bissau, José Ramos
Horta, quebrava os protocolos, saía do escritório e descia do carro
blindado para romper as ruas das zonas mais pobres para constatar a
real dificuldade que povo atravessa no dia-a-dia.
PAIGC e PRS
porque é que não vão às vossas bases ouvir do militante anónimo o que
pensa do caminho que estão a seguir enquanto dois dos maiores partidos
políticos guineenses?
Ou reunirem os órgãos do vosso partido, que no fundo acaba por ser a mesma gente da direção, o que significa ouvir as bases?
Uma coisa é constatar no terreno e outra, bem diferente, é ouvir
através de um terceiro que muita das vezes frequenta mais a sede do
partido do que estar a par do que acontece nas bases dos partidos.
Quando forem nomeados novos membros do governo gostaria que dedicassem
horas e horas em reuniões, negociações e auscultações sobre os temas
mais importantes de desenvolvimento.
Que tenham a coragem de
apresentar e discutir propostas de soluções para a Saúde, Educação,
Ambiente, Emprego Jovem, a implementação da democracia, entre vários
outros temas. Se for preciso que sejam discussões promovidas e
transportadas desde Bissau a Conacri, passando por Bruxelas até
Washington.
Chega de governar a brincar com a vida de uma geração!
Chega de pôr interesses superiores da nação em último plano em detrimento dos interesses particulares ou de grupos!
Chega de ostentar luxos; chega de ostentar carros de alta cilindrada nas degradadas redes de estradas!
Chega de serem ricos num instante, aos olhos dos pobres da nação mais pobre do mundo!
Chega de dividir o povo para se servir do Estado!
Chega de sucessivas greves nas escolas públicas quando os vossos filhos estudam na escola Portuguesa!
Deixem-nos desfrutar desta linda fatia do Planeta Terra, que se chama Guiné-Bissau, nossa Terra, nossa Amada!
Chega de tanta vergonha e humilhação perante outros países e povos!
Deixem-nos viver na nossa terra!
E façam o favor de rasgar aquele acordo de Conacri porque se nem serve a vocês, que fará para o povo…
Respeitem o povo guineense, Senhores Homens do Estado.
Parem de nos matar já!
Braima Darame, 21.10.2016
(in: Rádio Jovem)
domingo, 2 de outubro de 2016
Presidente promove militares
A medida pretende "contribuir para a elevação da dignidade no exercício dos cargos perante os seus homólogos estrangeiros" sem implicar qualquer "agravamento das despesas públicas", refere a resolução 1/2016 do órgão liderado pelo Presidente da República, José Mário Vaz.
Pela história do país, Biague Na Ntan é o segundo Chefe militar a
beneficiar da mais alta promoção, a General da Divisão, depois de João
Bernardo Vieira, antigo Presidente do Conselho de Estado no regime mono
partidário.
A promoção do Chefe do Estado-maior General das Forças Armadas, de
tenente-general para a General de Quatro Estrelas, aconteceu no último
Conselho Superior da Defesa Nacional.
Na resolução, assinada pelo Presidente da República, lê-se que o
reajuste não acarreta despesas ao Estado e visa contribuir para a
elevação da dignidade do exercício dos cargos perante os homólogos
estrangeiros.
Ao todo são cinco promoções; o Chefe do Estado-maior da Armada, o
Comodoro Carlos Alberto Mandughal foi promovido a Contra Almirante e o
seu adjunto Armando Siga saiu de capitão-de-fragata para Comodoro.
No exército, o vice-chefe do Estado-maior, o coronel Steve Lassana Massaly é agora Brigadeiro-general.
O coronel Albertino António Cuma, Comissário político do Estado Maior General das Forças Armadas, foi promovido a Brigadeiro-general.
O coronel Albertino António Cuma, Comissário político do Estado Maior General das Forças Armadas, foi promovido a Brigadeiro-general.
Estas promoções acontecem numa altura que em que o país, afectado
pela grave crise político-institucional, procura implementar as reformas
nos sectores da Defesa e Segurança.
Derigente da Associação "SUL" de Aveiro acusada de peculato
O Tribunal de Aveiro no passado dia 30, condenou a três anos de prisão, com pena suspensa, o ex-secretário geral da associação de cooperação para o desenvolvimento "SUL", por se ter apropriado indevidamente de dinheiro e bens da instituição.
Durante a leitura do acórdão, a juíza presidente referiu que a
suspensão da pena fica condicionada ao pagamento de 13.470 euros à
associação sediada em Aveiro, no prazo de três anos.
O arguido, que foi julgado na ausência por se encontrar a residir no
estrangeiro, estava acusado de três crimes de peculato, mas foi
condenado apenas por um único.
O coletivo de juízes decidiu absolver o arguido de um crime de fraude
na obtenção de subsídio e declarou extinto o procedimento criminal
relativamente a três crimes de falsificação e um de desvio de subvenção,
por entender que os mesmos prescreveram.
O tribunal julgou ainda "totalmente procedente" o pedido de
indemnização civil deduzido pela associação "SUL" e, em consequência, o
arguido foi condenado a pagar a quantia de 27 mil euros.
O caso envolve ainda a ex-companheira do arguido, em relação à qual o
tribunal ordenou a separação dos processos, por se encontrar em parte
incerta.
A investigação partiu de uma queixa formalizada em 2000 pelos órgãos
sociais daquela Organização Não Governamental (ONG) para o
Desenvolvimento contra a conduta do seu então secretário-geral e da sua
companheira, que fazia parte da comissão executiva.
Segundo a acusação do Ministério Público (MP), entre agosto de 1999 e
fevereiro de 2000, os dois arguidos ter-se-ão apropriado de quase 20
mil euros de subsídios obtidos pela associação.
A maior parte desta verba diz respeito a apoios concedidos pelo
Instituto Português da Juventude, no âmbito de projetos a que a
associação se tinha candidatado.
De acordo com os investigadores, os arguidos utilizaram este dinheiro
em proveito próprio, adquirindo bens e serviços, ou fazendo suas
determinadas quantias em numerário as quais utilizaram no uso corrente
da sua vida e bem assim na satisfação das suas obrigações quotidianas.
O MP diz ainda que os arguidos abriram uma conta em nome da
instituição, que apenas poderia ser movimenta pelos mesmos, e promoveram
campanhas de recolha de fundos, sem conhecimento dos órgãos sociais,
chegando a forjar uma declaração do então ministro da administração
pública e do trabalho de São Tome e Príncipe.
Constituída em 1990, a associação "SUL" realizou várias ações de
apoio ao povo de Timor-Leste e de São Tomé e Príncipe e, atualmente, não
tem nenhuma atividade.
quarta-feira, 28 de setembro de 2016
Março 2016 ONG portuguesa de ajuda humanitária pondera deixar Guiné-Bissau devido à burocracia
Natália Rocha, diretora da "Viver 100 Fronteiras", ONG que já enviou 44 contentores de ajuda humanitária para a Guiné-Bissau, num valor estimado em 52 milhões de euros, indicou serem agora necessárias pelo menos sete autorizações para retirar a carga da alfândega.
Uma organização não-governamental portuguesa que opera desde 2009 na
Guiné-Bissau está a ponderar abandonar as operações nesse país devido à
"cada vez maior burocracia" para desalfandegar a ajuda humanitária,
disse este domingo à agência Lusa a responsável da ONG.
Com um
contentor "preso" há três meses com vários produtos perecíveis - queimou
uma tonelada de medicamentos que entretanto ficaram fora de prazo após
demasiado tempo na alfândega - Natália Rocha explicou serem necessárias
autorizações dos ministérios do Plano, Economia e Finanças, Saúde,
Educação e Solidariedade Social, da Secretaria de Estado dos Transportes
e Comunicações e da Alfândega.
"Há outras ONG que retiram a carga
dos contentores com rapidez. Há aqui filhos e enteados. Recuso-me a dar
dinheiro para desbloquear os sucessivos impedimentos. É ajuda
humanitária a um país e parece que não a querem receber", explicou,
indignada.
Por outro lado, os pedidos de autorização nos diversos
departamentos governamentais estão sucessivamente a "desaparecer
misteriosamente", pelo que a missão médica realizada em fevereiro, com a
deslocação de pessoal médico e paramédico a Bissau para montar o
"contentor-hospital", acabou sem efeitos práticos por a carga, na
Alfândega desde dezembro, não ter sido desbloqueada.
O mesmo se passa com o "contentor-escola", que se encontra nas mesmas
circunstâncias, inviabilizando a missão prevista para abril.
"Não se pode trabalhar assim. Não se consegue planear nada", acrescentou.
Natália
Rocha sublinhou que estes dois projetos deverão ser "desviados" para
Dacar, no vizinho Senegal, onde os contactos nesse sentido estão já bem
avançados.
Paralelamente, a Viver 100 Fronteiras está também já a
"desviar" projetos para São Tomé e Príncipe e para Cabo Verde, onde a
ajuda humanitária "é bem tratada e bem recebida".
Criada em 2009, a
Viver 100 Fronteiras tem sede em Fiães, no concelho de Santa Maria da
Feira (norte de Portugal), desenvolve desde então operações de cariz
humanitário com vários hospitais e escolas guineenses.
A
organização não-governamental portuguesa tem trabalhado com os hospitais
e centros de saúde de Bor, Comura, Simão Mendes (os três em Bissau),
Mansoa (centro), Bafatá, Geba e Gabu (leste) e Catió (sul), bem como com
orfanatos e associações de deficientes e de cegos e ainda com
instituições muçulmanas.
Missão humanitária à G-Bissau parte de Pombal com material médico
Sete viaturas e duas ambulâncias vão partir no dia 04 de outubro do Castelo de Pombal rumo à Guiné-Bissau, numa missão humanitária que pretende levar material médico, roupa e livros a instituições não-governamentais daquele país pelo terceiro ano.
Para Nuno Rebocho, o coordenador, é importante entregar todo o material em mãos, porque
"as pessoas questionam-se, muitas vezes, se o que oferecem chega
realmente a quem precisa". Estando lá, a entrega está garantida.
Os voluntários vão em coluna e têm o itinerário "mais ou menos"
programado. "Vamos em autossuficiência e levamos material de campanha.
Vamos passar por Marrocos, deserto do Saara ocidental, Mauritânia,
Senegal e Gâmbia”.
"Esta é uma missão com menos gente do que o habitual, porque vamos na
época pós-chuva, que coincide com o início do nosso ano letivo. Vamos
também experimentar se é preferível levar menos gente, mas poder ir mais
vezes e assim levar ajuda de forma mais frequente", adiantou Nuno
Rebocho.
Dos bens recolhidos estão 140 mil agulhas para seringa, 84 mil pares
de luvas de exame, 28 mil seringas de insulina com agulha, 20 mil pares
de luvas cirúrgicas, 3.600 ligaduras, 2.200 frascos de desinfetante de
solução cutânea, 600 termómetros, mais de 2.500 equipamentos
ortopédicos, "no valor de cerca de 65 mil euros", 476 ‘kits’ escolares e
mais de 20 mil peças de roupa.
Suspeita fundação de apoio à G-Bissau ligada a pessoas investigadas na Alemanha
Alegada fundação de apoio à Guiné-Bissau ligada a pessoas investigadas na Alemanha
A Westafrika não existe legalmente nem na Alemanha nem
na Guiné-Bissau. Teme-se que os seus membros se queiram aproveitar das
fragilidades da Guiné-Bissau, para daí tirarem benefícios ou para o
branqueamento de capitais.
Apesar de não existir legalmente, a Westafrika foi apresentada ao
Governo e ao Presidente da Guiné-Bissau a 26 de agosto último, por um
grupo de cidadãos alemães.
Fonte do sistema judiciário guineense, contactada pela DW, que pede o anonimato, teme que este grupo se queira aproveitar das fragilidades da Guiné-Bissau, para daí tirar benefícios ou pior, para o branqueamento de capitais.
Um dos cidadãos alemães, de nome Andreas Brandl, que esteve na apresentação da Westafrika na presidência da República em Bissau, é portador dum passaporte diplomático da Guiné-Bissau. Tem escritório na embaixada guineense em Berlim e está a pagar os custos do funcionamento da embaixada, segundo fontes da própria embaixada ouvidas pela DW África.
Fonte do sistema judiciário guineense, contactada pela DW, que pede o anonimato, teme que este grupo se queira aproveitar das fragilidades da Guiné-Bissau, para daí tirar benefícios ou pior, para o branqueamento de capitais.
Um dos cidadãos alemães, de nome Andreas Brandl, que esteve na apresentação da Westafrika na presidência da República em Bissau, é portador dum passaporte diplomático da Guiné-Bissau. Tem escritório na embaixada guineense em Berlim e está a pagar os custos do funcionamento da embaixada, segundo fontes da própria embaixada ouvidas pela DW África.
Andreas Brandl também está a ser investigado pela justiça alemã, em vários casos de fraude contra centenas cidadãos alemães.
As investigações foram confirmadas à DW pela procuradoria da cidade alemã de Heilbronn. Brandl é acusado de ter burlado investidores na sua função de diretor da empresa de energia solar Neckermann Neue Energien AG. Oficialmente não tem funções na fundação Westafrika, mas esteve presente na sua apresentação em Bissau.
E a própria fundação tem o endereço físico idêntico ao do escritório de Andreas Brandl e da Embaixada da Guiné-Bissau em Berlim: Kronenstrasse 72.
O alegado presidente oficial da fundação Westafrika, Olaf Baumgarten, é um empresário que atua na área da venda de lenhas e madeiras. Contactado pela DW África, admite que o processo de legalização da fundação, que se arrasta há dois anos, ainda não foi concluído.
Baumgarten também esteve presente na delegação da fundação Westafrika que se apresentou em Bissau, no passado dia 26 de agosto, juntamente com um funcionário do escritório de representação da Embaixada da Alemanha de Dakar.
Diplomacia alemã apoia ou não a Westafrika?
As investigações foram confirmadas à DW pela procuradoria da cidade alemã de Heilbronn. Brandl é acusado de ter burlado investidores na sua função de diretor da empresa de energia solar Neckermann Neue Energien AG. Oficialmente não tem funções na fundação Westafrika, mas esteve presente na sua apresentação em Bissau.
E a própria fundação tem o endereço físico idêntico ao do escritório de Andreas Brandl e da Embaixada da Guiné-Bissau em Berlim: Kronenstrasse 72.
O alegado presidente oficial da fundação Westafrika, Olaf Baumgarten, é um empresário que atua na área da venda de lenhas e madeiras. Contactado pela DW África, admite que o processo de legalização da fundação, que se arrasta há dois anos, ainda não foi concluído.
Baumgarten também esteve presente na delegação da fundação Westafrika que se apresentou em Bissau, no passado dia 26 de agosto, juntamente com um funcionário do escritório de representação da Embaixada da Alemanha de Dakar.
Diplomacia alemã apoia ou não a Westafrika?
Os alemães reuniram-se com o primeiro-ministro, Baciro Djá, assim
como com o Presidente da Guiné-Bissau, José Mário Vaz, prometendo apoiar
o país com um contentor de medicamentos e equipamentos hospitalares e
na reabilitação de uma escola na vila de Bula, num valor total de 350
mil euros – informação divulgada na rede social Facebook, pela empresa
de comunicação que trabalha para a alegada fundação.
Contactado pela DW África, o ministério dos Negócios Estrangeiros alemão diz que a fundação Westafrika não conta com o apoio da Embaixada da Alemanha. O funcionário do escritório da embaixada de Dakar terá apenas estado "presente aquando a entrega de uma dádiva", em Bissau. No entanto, em conversa com a DW, o presidente da fundação Westafrika, Olaf Baumgarten, salientou o "valioso apoio" prestado pela embaixada alemã.
Justiça inoperante perante casos complexos
Contactado pela DW África, o ministério dos Negócios Estrangeiros alemão diz que a fundação Westafrika não conta com o apoio da Embaixada da Alemanha. O funcionário do escritório da embaixada de Dakar terá apenas estado "presente aquando a entrega de uma dádiva", em Bissau. No entanto, em conversa com a DW, o presidente da fundação Westafrika, Olaf Baumgarten, salientou o "valioso apoio" prestado pela embaixada alemã.
Justiça inoperante perante casos complexos
Para
o magistrado do Ministério Público da Guiné-Bissau, casos como estes
são complicados de investigar. Sobre o uso indevido de documentos de
identificação da Guiné-Bissau, por parte de indivíduos que estão a ser
investigados pela justiça em outros países, o magistrado Júlio Vieira
Nsumbo entende que “as instituições do Estado [guineense] estão em
conluio com esses supostos empresários”.
“São concedidos indevidamente documentos da Guiné-Bissau, prejudicando o
bom nome do país. Dão-se passaportes diplomáticos a pessoas
estrangeiras que não têm esse direito na lei guineense”, lamenta o
magistrado guineense.
Além disso, mesmo que se iniciem investigações a este tipo de casos, dificilmente há resultados concretos, segundo Júlio Vieira Nsumbo. “Há poucas denúncias que são levadas aos tribunais e há poucos casos que chegam ao fim. Vendo as estatísticas, podemos ficar com a ideia que o fenómeno de branqueamento de capitais não existe na Guiné-Bissau, porque não há condições para proceder a investigações. Usam dinheiro sujo no circuito comercial ou de caridade para poderem retirar dividendos que aparentam ser lícitos”, afirma o magistrado.
No entender do magistrado Julião Nsumbo, o aparecimento em cena de falsos cooperantes tem prejudicado muito o Estado da Guiné-Bissau. “Há uma sensação de impunidade no sector da justiça, que se tem revelado incapaz de fazer face a esses fenómenos.”
Por um lado, “o investimento estrangeiro cria riqueza, cria emprego, mas não podemos ao desbarato entender que há efeitos benéficos nesses investimentos e pôr em causas interesses fundamentais do país”, avalia Julião Nsumbo, que defende que o Estado guineense deve tomar mais atenção no relacionamento com pessoas que na realidade não conhece.
A DW África tentou, sem êxito, abordar o assunto com o Governo guineense, assim como com a presidência da República.
Além disso, mesmo que se iniciem investigações a este tipo de casos, dificilmente há resultados concretos, segundo Júlio Vieira Nsumbo. “Há poucas denúncias que são levadas aos tribunais e há poucos casos que chegam ao fim. Vendo as estatísticas, podemos ficar com a ideia que o fenómeno de branqueamento de capitais não existe na Guiné-Bissau, porque não há condições para proceder a investigações. Usam dinheiro sujo no circuito comercial ou de caridade para poderem retirar dividendos que aparentam ser lícitos”, afirma o magistrado.
No entender do magistrado Julião Nsumbo, o aparecimento em cena de falsos cooperantes tem prejudicado muito o Estado da Guiné-Bissau. “Há uma sensação de impunidade no sector da justiça, que se tem revelado incapaz de fazer face a esses fenómenos.”
Por um lado, “o investimento estrangeiro cria riqueza, cria emprego, mas não podemos ao desbarato entender que há efeitos benéficos nesses investimentos e pôr em causas interesses fundamentais do país”, avalia Julião Nsumbo, que defende que o Estado guineense deve tomar mais atenção no relacionamento com pessoas que na realidade não conhece.
A DW África tentou, sem êxito, abordar o assunto com o Governo guineense, assim como com a presidência da República.
![]() |
| Apresentação da Westafrika ao Presidente guineense José Mário Vaz |
![]() |
| As autoridades guineenses não terão investigado a transparência e a veracidade da alegada fundação alemã |
Novo representante da UNICEF, na G-Bissau
O Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) tem novo Representante na Guiné-Bissau. Chama-se Christine Jaulmes, de nacionalidade francesa, casada, e Mestrada em Ciências Políticas.
Antes de ser designada Representante do UNICEF para a Guiné-Bissau, a Dra. Jaulmes desempenhou as funções de Representante Adjunta do Escritório do UNICEF Lomé, no Togo, período durante o qual coordenou todos os programas do escritório.
Com larga experiência no domínio da Comunicação, Christine foi Jornalista free-lancer, articulista e autora de várias publicações em diferentes Jornais e Revistas. A Dra. Christine Jaulmes foi também responsável de relações públicas, incluindo com a imprensa, na Federação das Associações e Movimentos de Inserção Social em França, e Chefe da Secção de Comunicação nos escritórios do UNICEF em Chade, Nigéria e Bangladesh.
A diplomata francesa desempenhou ainda varias outras funções, nomeadamente: foi responsável pela planificação, seguimento e avaliação do programa de informação e advocacia; encarregada de mobilização de recursos para o sector privado; assim como providenciou aconselhamento técnico em advocacia e comunicação para a criação da rede a favor dos direitos da criança.
Christine Jaulmes substitui no cargo, o moçambicano Abubacar Sultan, designado para as mesmas funções no Escritório do UNICEF em Lunda, Angola.
terça-feira, 27 de setembro de 2016
Greve de professores entra no segundo dia em um país com governos politicamente atrofiados.
Os professores da Guiné-Bissau cumpriram esta terça-feira, a segunda jornada de uma greve de dez dias, para exigir do governo a implementação de um chamado estatuto de carreira docente conducente a melhorar a pensão de reforma, após à sua retirada do serviço activo.
"O objectivo da mobilização é forçar o
governo a aplicar o estatuto de carreira docente", declarou a uma rádio
francesa, o presidente do Sindicato democrático dos professores
(Sindeprof), Laureano Pereira da Costa.
Precisou que a greve deve
durar inicialmente dez dias e os pontos fundamentais estão relacionados
com o estatuto porque uma pessoa que trabalha há mais de 15, 20 anos,
não tem progressão de carreira, com um salário inferior a 100 euros, o
que resulta gravíssimo.
Neste momento, denunciou, temos professores que ganham mais ou menos 50 euros por mês, perante um nível de vida muito elevado.
Pereira
da Costa referiu que "o governo deverá cumprir os seus compromissos",
pois é ele o principal responsável desta situação em alusão a
interrupção das aulas durante uma semana, após o início do ano lectivo.
"Se emerge um acordo entre as partes, cessa a paralisação", prevista para 07 de Outubro", sublinhou o sindicalista.
segunda-feira, 26 de setembro de 2016
FMI contra o resgate bancário
O chefe da missão do Fundo Monetário Internacional (FMI) afirmou hoje, em Bissau, que não se pode dar ao luxo de realizar na Guiné-Bissau um oneroso contrato de resgate bancário que só beneficiou os ricos e tem prejudicado os pobres, disse Félix Fisher em conferência de imprensa.
"Essa operação bancária, na nossa opinião, não resultou em nada. O
Governo comprou uma dívida dos riscos da praça publica que tinham
condições financeiras de as pagar e não o fizeram, prejudicando o
Estado. Saudamos o facto de atual Governo ter declarado nulo o oneroso
contrato de resgate bancário ( 5, 1/2 por cento do PIB)", disse Félix
em conferência de imprensa no Ministério da Economia e Finanças.
Uma missão do FMI visitou a Guiné-Bissau entre 13 e 26 de Setembro a fim
de levar a cabo as negociações sobre a primeira é segunda avaliação do
programa ao abrigo da Facilidade de Crédito Alargada. O programa visa à
consolidação da posição orçamental através de uma melhor gestão da
despesa e de uma maior mobilização de recursos, reformas institucionais
aprofundadas e do desenvolvimento do sector privado para apoiar o
crescimento e a criação de emprego.
Uma providência cautelar
entretanto interposta e decretada pelo Tribunal suspendeu o resgate
bancário até à sentença a proferir quanto à validade deste salvaguarda
das finanças públicas.
Para o Fundo Monetário Internacional, a
situação da segurança permaneceu estável no decurso dos últimos seis
meses. Uma boa campanha de caju forneceu liquidez à economia e trouxe um
alívio muito necessário aos inúmeros pequenos proprietários de terra
espalhados pelo país.
FMI considera que as perspectivas
económicas a curto e médio prazo continuam positivas. Embalados pelo
aumento de preços no mercado global, espera-se que o rendimento da
campanha de caju aumente ainda mais em 2016 e que o crescimento se cifre
perto dos 5% também em 2016.
A inflação dos preços ao consumidor que estava em média nos 1 por cento em 2015 deverá continuar a manter-se baixa.
A missão congratula-se com a decisão do Governo liderado por Baciro Djá
de vender parte da Madeira apreendida, o que será para o governo uma
receita importante para colmatar o fosso orçamental em 2016.
As
projecções para 2017, de acordo com FMI, contemplam um endurecimento da
posição fiscal, que será apoiada por fortes mobilizações de receita e
uma despesa criteriosa. Este facto será sublinhado pelo contínuo reforço
da administração tributária e dos procedimentos de gestão de finanças
públicas.
Uma vez assente o atual impasse político, será
fundamental para o Parlamento, que este aprove os orçamentos de 2016 e
2017 alinhados à necessária consolidação orçamental a médio prazo, bem
como Leiria da Dívida Pública que melhore a sua regulação.
FMI
fez saber que as negociações sobre medidas fiscais necessárias para
colmatar o fosso fiscal de 2016, que são necessárias para dar por
completas estas avaliações, encontram-se em fase avançada e continuarão
em Outubro em Washington durante as reuniões anuais do FMI.
(in: R.Jovem)
Drª Carmelita Pires (ex-ministra da justiça): O que corrompeu o "setembro vitorioso" ?
SETEMBRO VITORIOSO
De derrota em derrota, quando vemos o país eternamente adiado, como podemos cantar com a mesma alegria que em 1973 e 1974?
O que terá corrompido o nosso glorioso «Setembro Vitorioso»?
Muitas coisas.
Como por exemplo, a repetição dos mesmos erros, vezes sem conta. O povo
começa agora a aperceber-se que não são simples «erros» mas antes todo
um sistema, cujo objectivo é precisamente sujeitar a sociedade à
mediocridade, à miséria, parasitando todas as instâncias de poder
político, até ao esqueleto nacional de um NÃO ESTADO.
Como por exemplo, continuar na senda da INCLUSÃO GOVERNAMENTAL, expediente inaugurado no pós-guerra civil e que sempre acarretou maus resultados, apenas favorecendo um cliché para estrangeiro ver, e nunca o Estado ou a população.
Como por exemplo, alimentar a hipocrisia, FINGIR DIÁLOGO, quando este não existe.
Como por exemplo, manter o Estado refém de mecanismos de enriquecimento ilegítimo, elevando ao rubro os INTERESSES PARTICULARES e conservando na governação pessoas impreparadas, quer do ponto de vista da capacidade e da competência, quer da idoneidade e da moral, tudo isto apenas na base desses mesmos interesses. Dando assim péssimos exemplos de corrupção, ostentação e delapidação de fortunas do erário público, em proveito próprio.
Como por exemplo, na actual conjuntura do país e num crescendo de DEMAGOGIA POPULISTA, abusar da memória de Amílcar Cabral, quando o actual Partido, e os seus dirigentes, representam a perfeita antítese dos ideais por este defendidos.
Celebrar, comemorar e homenagear? Hoje? NÃO!
Porquê?
Estamos no séc. XXI e estamos num dos PAÍSES MAIS POBRES do mundo, apesar de uma fachada marítima incrivelmente fértil, tal como o são igualmente as terras de aluvião, logo além do tarrafe.
Mas a «Independência» reverteu-se na DEPENDÊNCIA POLÍTICA E ECONÓMICA: chegámos ao ponto de ver a CEDEAO, o Conselho de Segurança da ONU, os «parceiros de desenvolvimento», a cozinhar uma solução política; as instituições da Bretton Woods, a UEMOA e, uma vez mais, os «parceiros de desenvolvimento», a abanar com dinheiro (que, a seguirmos pelo mesmo caminho, se realmente esse dinheiro vier, logo se perderá pelos mesmos meandros); enquanto o Estado, continua a não possuir nem solução política nem, muito menos, qualquer visão económica, que dê consistência a uma política de crescimento e desenvolvimento sustentável.
O poder judicial continua reconhecidamente INOPERANTE E CADUCO, senão mesmo corrupto, conforme os diagnósticos elaborados ao longo do tempo no Ministério da Justiça (e a opinião do Presidente da República, publicamente partilhada), não apenas com Carmelita Pires como titular, mas também quando esta pasta esteve sob a tutela de Djaló Pires, contribuindo para uma percepção de ausência de imparcialidade e de impunidade.
Não havendo perspectivas para o Estado a curto prazo, no âmbito de uma gestão pontual, prevalecerá sempre tendencialmente a LUTA DESMEDIDA PELO PODER e pela sua manutenção, o nepotismo, a clientela, a falta de escrúpulos, o despesismo, a mediocridade, a inércia, a inveja, a não responsabilização, a péssima produtividade, entre mil outras coisas más, que estarão a reforçar a maldita sina que se parece ter apropriado deste nosso país.
Celebrar e comemorar, homenagear? Daqui a uns anos, talvez. Porquê?
Porque continuamos OPTIMISTAS E PERSEVERANTES. Quando?
Quando o Estado recuperar a sua CREDIBILIDADE e for institucionalmente reabilitado, dando passos significativos na consolidação do sistema de governação, no combate à corrupção e à impunidade.
Quando estiver definitivamente estabilizado o fornecimento normal da ELECTRICIDADE E DE ÁGUA.
Quando já não houver SALÁRIOS EM ATRASO e estes forem reajustados ao nível da sub-região.
Quando se encetar o PROGRAMA DE MODERNIZAÇÃO do sector de Defesa e Segurança.
Quando o COMBATE AO ANALFABETISMO registar sucessos significativos, e passarmos a desenvolver conteúdos culturais nacionais.
Quando os hospitais estiverem apetrechados com recursos humanos minimamente qualificados e com materiais e equipamentos indispensáveis para o seu funcionamento e a SALVAGUARDA DA VIDA humana, que para um tratamento simples não seja necessário ir a Dakar ou a Lisboa.
Quando os IDH (Índices de Desenvolvimento Humano) derem um bom pulo, teremos então um bom pretexto e uma boa razão para comemorar.
Até lá, não podemos falar em «VITÓRIA», pois assemelha-se mais a «VERGONHA».
Mas continuo a acreditar que muitos de nós, antes de morrer, ainda iremos, POR DIREITO PRÓPRIO, celebrar esse famoso «Setembro Vitorioso», que para já, não passa de uma miragem.
(in: Pa Lantanda)
Como por exemplo, continuar na senda da INCLUSÃO GOVERNAMENTAL, expediente inaugurado no pós-guerra civil e que sempre acarretou maus resultados, apenas favorecendo um cliché para estrangeiro ver, e nunca o Estado ou a população.
Como por exemplo, alimentar a hipocrisia, FINGIR DIÁLOGO, quando este não existe.
Como por exemplo, manter o Estado refém de mecanismos de enriquecimento ilegítimo, elevando ao rubro os INTERESSES PARTICULARES e conservando na governação pessoas impreparadas, quer do ponto de vista da capacidade e da competência, quer da idoneidade e da moral, tudo isto apenas na base desses mesmos interesses. Dando assim péssimos exemplos de corrupção, ostentação e delapidação de fortunas do erário público, em proveito próprio.
Como por exemplo, na actual conjuntura do país e num crescendo de DEMAGOGIA POPULISTA, abusar da memória de Amílcar Cabral, quando o actual Partido, e os seus dirigentes, representam a perfeita antítese dos ideais por este defendidos.
Celebrar, comemorar e homenagear? Hoje? NÃO!
Porquê?
Estamos no séc. XXI e estamos num dos PAÍSES MAIS POBRES do mundo, apesar de uma fachada marítima incrivelmente fértil, tal como o são igualmente as terras de aluvião, logo além do tarrafe.
Mas a «Independência» reverteu-se na DEPENDÊNCIA POLÍTICA E ECONÓMICA: chegámos ao ponto de ver a CEDEAO, o Conselho de Segurança da ONU, os «parceiros de desenvolvimento», a cozinhar uma solução política; as instituições da Bretton Woods, a UEMOA e, uma vez mais, os «parceiros de desenvolvimento», a abanar com dinheiro (que, a seguirmos pelo mesmo caminho, se realmente esse dinheiro vier, logo se perderá pelos mesmos meandros); enquanto o Estado, continua a não possuir nem solução política nem, muito menos, qualquer visão económica, que dê consistência a uma política de crescimento e desenvolvimento sustentável.
O poder judicial continua reconhecidamente INOPERANTE E CADUCO, senão mesmo corrupto, conforme os diagnósticos elaborados ao longo do tempo no Ministério da Justiça (e a opinião do Presidente da República, publicamente partilhada), não apenas com Carmelita Pires como titular, mas também quando esta pasta esteve sob a tutela de Djaló Pires, contribuindo para uma percepção de ausência de imparcialidade e de impunidade.
Não havendo perspectivas para o Estado a curto prazo, no âmbito de uma gestão pontual, prevalecerá sempre tendencialmente a LUTA DESMEDIDA PELO PODER e pela sua manutenção, o nepotismo, a clientela, a falta de escrúpulos, o despesismo, a mediocridade, a inércia, a inveja, a não responsabilização, a péssima produtividade, entre mil outras coisas más, que estarão a reforçar a maldita sina que se parece ter apropriado deste nosso país.
Celebrar e comemorar, homenagear? Daqui a uns anos, talvez. Porquê?
Porque continuamos OPTIMISTAS E PERSEVERANTES. Quando?
Quando o Estado recuperar a sua CREDIBILIDADE e for institucionalmente reabilitado, dando passos significativos na consolidação do sistema de governação, no combate à corrupção e à impunidade.
Quando estiver definitivamente estabilizado o fornecimento normal da ELECTRICIDADE E DE ÁGUA.
Quando já não houver SALÁRIOS EM ATRASO e estes forem reajustados ao nível da sub-região.
Quando se encetar o PROGRAMA DE MODERNIZAÇÃO do sector de Defesa e Segurança.
Quando o COMBATE AO ANALFABETISMO registar sucessos significativos, e passarmos a desenvolver conteúdos culturais nacionais.
Quando os hospitais estiverem apetrechados com recursos humanos minimamente qualificados e com materiais e equipamentos indispensáveis para o seu funcionamento e a SALVAGUARDA DA VIDA humana, que para um tratamento simples não seja necessário ir a Dakar ou a Lisboa.
Quando os IDH (Índices de Desenvolvimento Humano) derem um bom pulo, teremos então um bom pretexto e uma boa razão para comemorar.
Até lá, não podemos falar em «VITÓRIA», pois assemelha-se mais a «VERGONHA».
Mas continuo a acreditar que muitos de nós, antes de morrer, ainda iremos, POR DIREITO PRÓPRIO, celebrar esse famoso «Setembro Vitorioso», que para já, não passa de uma miragem.
(in: Pa Lantanda)
sábado, 24 de setembro de 2016
Acordos em papel de jornal !!!...
Os parceiros externos da Guiné-Bissau têm vindo intensificar acções de lobbying junto dos actores políticos guineenses para um entendimento com base no acordo de 10.Set alcançado em Bissau, após uma missão de alto nível da CEDEAO. Prevê-se para os próximos dias o arranque negociações directas entre os partidos, em Abuja (Nigéria) ou Conacri (Rep Guiné), por delegações a constituir. A negociação deverá ser conduzida pelo presidente da comissão da CEDEAO, Marcel Souza.
(ANTECEDENTES)
Na reunião de 20.Set da Comissão das Nações Unidas para consolidação da
paz (PBC) na Guiné-Bissau, a margem do debate anual
da Assembleia Geral/ONU, o acordo foi considerado uma “conquista
significativa”, e a sua implementação pedida com “rapidez”. Para a
mediação do acordo contribuíram Alpha Condé, PR da Guiné, Ernest Bai
Koroma, PR da Serra Leoa, com apoio dos presidentes Ellen
Johnson Sirleaf (Libéria) e Macky Sall (Senegal). O secretário-geral da
ONU, Ban Ki-moon, aceitou receber o PR da Guiné-Bissau, José Mário Vaz,
a quem incentivou a conclusão do acordo.
Publicamente,
ambos os líderes do PAIGC e PRS têm demonstrado cautelas. Domingo
Simões Pereira (PAIGC), no acto central de comemoração do
60º aniversário do PAIGC, a 19.Set na sede do partido, manifestou
disponibilidade para o “diálogo inclusivo, a reconciliação e a coesão
interna do partido”, sublinhando que o PAIGC deve ser reconhecido “como a
formação política escolhida pelo povo para governar
nesta legislatura”. Da reunião do Comité Central do PAIGC, 16.Set, não
saiu qualquer decisão sobre a participação no futuro governo. Victor
Pereira, PRS assumiu que o acordo é omisso quanto a qual dos partidos
irá chefiar o governo – PIGC ou PRS, mais próximo
do PR José Mário Vaz, cujo antagonismo em relação a Domingos Simões
pereira tem servido de força motriz do diferendo político.
JMV,
que deverá regressar no final da semana de Nova Iorque, tem-se
desdobrado em deslocações ao estrangeiro, acompanhado do MNE Soares
Sambu
e de Umaro Ccissoko, figura apontada por fontes em Bissau como
empenhada em encabeçar o novo governo, promovendo lobbying interno nesse
sentido, a nível externo e junto dos dois partidos, com resistências
sobretudo no PAIGC (AM 106). Depois do Sudão no inicio
de Set.2016, JMV regressou a 16.Set de um périplo pela República do
Congo, Chade e Senegal. Internamente, tem-se esforçado por isolar DSP
(AM 1062). A crescente impaciência da comunidade internacional perante a
incapacidade de ser encontrada uma solução a
nível interno, com as instituições paralisadas por conflitos
interpartidários (AM 1059), levou ao acordo, que prevê a formação de um
governo de consenso e inclusivo para a implementação da plataforma
resultante da mesa redonda de Bruxelas (2015), para dirigir
o país até as próximas eleições em 2018 e incumbido de revisão da
Constituição, que redefina o papel do executivo, do Parlamento e do
aparelho judicial.
O
acordo seguiu-se a um “forcing” de mediação em Bissau, no inicio
Set.2016, dos chefes de diplomacia da Libéria, Togo e Guiné-Conacri,
juntamente
com Marcel de Souza, em missão de mediação da crise política. Reuniões a
06.Set com o ministro dos Negócios Estrangeiros Soares Sambu, PM Baciro
Djá, direcções de PAIGC e PRS, e grupo dos 15 deputados expulsos do
PAIGC. A 07.Set, mantiveram encontros de trabalho
com o presidente da ANP Cipriano Cassamá e PR José Mário Vaz.
Os
apelos da CEDEAO têm sido paralelos a incentivos, como a
disponibilidade para desbloquear brevemente fundos para o inicio do
programa
de reforma do sector militar guineense, nunca implantado devido á
instabilidade governativa, e ameaças de desmantelamento, dentro de 6
meses da ECOMIB, força de interposição instalada em Bissau desde 2012
Em
declaração divulgada a 04.Set, na sequência de Briefing de 30.Ago pelo
Representante Especial do Secretário-Geral e Chefe do gabinete
da ONU na Guiné-Bissau (ONIOGBIS), Modibo Touré, o conselho de
Segurança da ONU já havia reafirmado a “necessidade urgente de garantir
um governo funcional.”. PAIGC e o PRS deveriam “ainda mais trabalhar
neste sentido”, dada “a importância de garantir a estabilidade
em toda presente legislatura”. O comunicado incluía também uma
referência à necessidade de “respeitar a Constituição do Estado de
direito ” na busca de soluções.
(ANÁLISE)
O acordo de 10.Set representa a mais significativa evolução política
recente na crise da Guiné-Bissau. Contudo, fontes em Bissau
vêem o mesmo com reserva, apontando-lhe fragilidades – a saber:
-
A não atribuição ao PR de um papel claro na solução, antes remetendo a
responsabilidade para os dois partidos, a solução, é também interpretada
como uma tentativa de remeter o PR para o papel menos interventivo, a
ser formalizado na posterior revisão da Constituição, mas JMV tem vindo a
afirmar e estender o seu poder e, sobretudo desde a demissão de DSP, e à
luz do persistente conflito entre ambos,
é improvável que venha a abdicar da actual influência.
-
A questão de qual dos partidos – ou se uma terceira figura
“independente” - deve assumir a presidência é controversa, mesmo dentro
do PAIGC
– onde se advoga o direito de governar em resultado da vitória nas
legislativas de 2014, ao mesmo tempo que outros questionam a sensatez de
assumir a chefia de um governo a prazo, numa situação de grande
influência por parte do PR, no PRS há focos de oposição
à entrega doo governo ao PAIGC e, mais intensamente, a que o posto de
PM seja assumido por DSP.
-
Fontes em Bissau indicam que a CEDEAO, promoveu um acordo verbal entre
as partes de que seria o partido vencedor das eleições (PAIGC) a
constituir governo, optando por não inscrever esta disposição no texto
assinado, com fim de preservar o estatuto de mediador isento entre as
partes.
-A
oposição do PR a uma solução que reforce o poder do PAIGC, e sobretudo a
obtenção de pastas chave no executivo, sobre o qual tem actualmente
preponderância, é esperada por fontes habilitadas da política
guineense; com as recentes visitas ao estrangeiro, JMV procurou quebrar o
isolamento a que estava a ser sujeito, sobretudo entre parceiros
influentes (AM 1047); terá também obtido fundos necessários
ao exercício de poderes fácticos no meio político e judicial.
-
Não é considerado claro, face às disposições constitucionais actuais, e
às de acordo, qual a margem do PR para rejeitar uma solução de
governo que lhe venha a ser apresentada, depois do beneplácito da
CEDEAO ao mesmo.
Além
da atribuição do posto de PM, é esperada disputa entre os 2 partidos em
torno de ministérios a assumir por cada partido, e mesmo secretarias
de Estado. Energia, Economia, Finanças e Transportes são identificados
por fontes habilitadas em Bissau como os Ministérios alvo de maior
disputa, devido ao fluxo de verbas.
À
pressão externa sobre os principais actores da crise – JMV e DSP – a
obtenção de um acordo, soma-se sobre DSP pressão dentro do partido
para que aceite uma solução de governo, aproveitando a “brecha” aberta
pelo acordo para assumir poder em relação ao PR, legitimando o resultado
eleitoral de 2014.
A
incapacidade de convivência política entre DSP e JMV – e em particular
objectivo do PR apagar politicamente o líder do PAIGC- é o elemento
gerador de maior tensão no país, a nível partidário e político, com
ramificação às principais instituições do país. A possibilidade de
sucesso do acordo, cuja negociação será necessariamente prolongada, é
vista por fontes diplomáticas na revisão da Constituição,
potencialmente remetendo o PR a um papel de arbitragem, vedando a
actividade governativa da sua influência. Dada a esperada forte posição
de JMV a tal solução, um governo a emergir do actual acordo estará
sempre sujeito a fortes pressões na sua actuação, com
efeito desestabilizador, previsivelmente limitando a sua longevidade.
sexta-feira, 23 de setembro de 2016
UE apoia criação de agência de promoção de investimentos
A Guiné-Bissau vai ter uma agência de promoção de investimentos criada com o apoio da União Europeia, anunciou hoje a delegação da UE em Bissau.
A Guiné-Bissau Investimentos vai funcionar sob tutela do Ministério
da Economia e Finanças guineense e servir como "interlocutor principal
dos investidores", referiu a delegação europeia em comunicado.
Com a iniciativa, a UE espera melhorar o ambiente de negócios,
promover o desenvolvimento sustentável e inclusivo do país, assim como
reforçar o setor privado, em alinhamento com o plano e os objetivos
estratégicos nacionais.
"Estas ações adquirem uma importância ainda maior no quadro do Novo
Plano Europeu de Investimento Externo", que visa "incentivar o
investimento, especialmente em África", acrescentou.
Cabo Verde reafirma compromisso de cooperação militar com a CPLP
"Reafirmo a disponibilidade e empenho de Cabo Verde em colaborar com a CPLP na construção de iniciativas no domínio da defesa, que visem, fundamentalmente, o fortalecimento, a cooperação e o aprimoramento das Forças Armadas, e em contribuir para a manutenção de paz e segurança internacionais", disse o ministro da Presidência do Conselho de Ministros, Fernando Elísio Freire.
O ministro presidiu ao encerramento do exercício militar em
substituição do seu colega da Defesa, que está em Nova Iorque para
participar na Assembleia-Geral das Nações Unidas.
O exercício militar Felino2016 da Comunidade de Países de Língua
Portuguesa (CPLP), que decorreu durante duas semanas nas instalações da
chefia do Estado Maior das Forças Armadas de Cabo Verde, juntou na
cidade da Praia, 90 militares dos nove países que integram a organização
lusófona.
O Felino2016, que tem como objetivo a preparação de uma força
conjunta da CPLP, otimizando a sua capacidade de intervenção em missões
humanitária e de paz, decorreu no formato carta e antecede o exercício
com forças no terreno agendado para o próximo ano no Brasil.
Portugal participou no exercício com 10 elementos dos três ramos das Forças Armadas - Exército, Força Aérea e Marinha.
O exercício decorreu no continente fictício "Gama", "instalado" em
três pisos do edifício do Estado Maior General das Forças Armadas (EMFA)
e onde, ao longo de duas semanas, os militares foram confrontados com
situações simuladas de incidentes para testar a capacidade de reação das
diversas forças.
Todas as ações foram executadas com recurso a mapas, cartas e meios
de comunicação e, os cenários simulados no formato Exercício em Carta
(EC), serão depois aplicados na modalidade Exercícios com Forças no
Terreno (EFT).
Segundo o oficial coordenador do exercício, Armindo Miranda, ao longo
de duas semanas as delegações de militares foram confrontadas com 41
incidentes, tendo resolvido 33, o que representa uma taxa de sucesso de
80 por cento.
O ministro da Presidência sublinhou a importância dos exercícios
Felino, considerando tratar-se de uma oportunidade para aprimorar e
harmonizar a interoperacionalidade das Forças Armadas dos Estados
Membros da CPLP.
O Exercício Felino2016, em que participaram delegações de Angola (9),
Brasil (17), Guiné-Bissau (5), Guiné Equatorial (7), Moçambique (2),
Portugal (10), Timor-Leste (10) e São Tomé e Príncipe (2), terminou com a
entrega simbólica da bandeira da CPLP ao chefe da delegação do Brasil,
acolhe o Exercício Felino 2017.
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