COM O TEMPO UMA IMPRENSA CÍNICA, MERCENÁRIA, DEMAGÓGICA E CORRUPTA, FORMARÁ UM PÚBLICO TÃO VIL COMO ELA MESMO

Joseph Pulitzer

sexta-feira, 3 de janeiro de 2014

Falta gasóleo nas bombas da Guiné-Bissau

A Guiné-Bissau iniciou 2014 com uma ruptura nas reservas de gasóleo nas bombas comerciais, o que está a causar transtornos aos automobilistas e obrigou à paragem parcial da central eléctrica de Bissau, disse à Lusa fonte governamental.

Segundo a fonte, das cinco bombas de venda de combustível oficialmente registadas em Bissau, apenas uma é que "ainda tem gasóleo" mas que deverá acabar ainda hoje, de acordo com a reserva disponível.

A fonte observou que a ruptura se deve à falta de aprovisionamento motivada por atrasos na chegada dos navios da empresa Petromar, subsidiária da Galp, que devem vir de Portugal.

Uma fonte da Petromar disse à Lusa que "na melhor das hipóteses" o navio carregado com o combustível da empresa deverá chegar à Bissau na madrugada de domingo, podendo o gasóleo estar disponível para venda nas bombas à partir de terça-feira.

A Petromar, por ser a única empresa guineense que importa gasóleo via marítima em grande quantidade a partir de Portugal, é aquela que faz a revenda para outras empresas de distribuição dos combustíveis na Guiné-Bissau.
Sempre que a Petromar se encontrar em situação de ruptura de 'stock' todas as outras empresas sentem os efeitos.

A Lusa pôde constatar durante toda tarde de hoje filas enormes de viaturas nalgumas bombas de Bissau à procura do gasóleo.
Muitos motoristas, quando informados que não havia gasóleo, não esconderam à sua insatisfação pelo incomodo da situação.
Alguns táxis e 'toca-tocas' (transportes colectivos semi-urbanos) já pararam de circular pelas ruas e bairros de Bissau.

Uma fonte da Empresa da Electricidade e Aguas da Guiné-Bissau (EAGB) disse à Lusa que por falta de gasóleo, a central eléctrica de Bissau funciona desde quinta-feira "a meio gás".

Depois de duas semanas de fornecimento regular de energia elétrica da rede pública, chegando durante os dias que antecederam o Natal e o Novo Ano a haver energia durante 24 horas ininterruptas, os lares de Bissau estão desde quinta-feira outra vez às escuras.




Coração de África a ferro e fogo

Duas «novas» guerras com a presença de tropas estrangeiras e cheiro a petróleo incendeiam o coração de África, provocando milhares de vítimas e incalculáveis prejuízos económicos.




 Na República Centro-Africana (RCA), onde a França interveio militarmente no início de Dezembro, multiplicam-se as acções violentas entre duas facções no terreno. De um lado estão os ex-rebeldes da Séléka («Aliança»), alegadamente muçulmanos, que em Março derrubaram o presidente eleito François Bozizé e colocaram o seu chefe, Michel Djotodia, no poder; e, do outro lado, milícias «anti-balaka» (anti-catanas), ditas cristãs, que exigem o afastamento dos golpistas e exercem represálias sobre a população islâmica.
No plano da segurança, de pouco tem valido a presença dos 1600 soldados franceses apoiados por blindados e helicópteros, no quadro da operação «Sangaris», ou dos 4000 homens da Misca, a força militar africana, uns e outros estacionados sobretudo em Bangui. 

Para além da versão de um conflito entre cristãos e muçulmanos, divulgada pelos media dominantes, há outras interpretações para o que se passa na RCA. Olivier Ndenkop desvenda, na revista «Afrique Asie», as razões ocultas da intervenção de Paris, cada vez mais o gendarme do imperialismo em África.
Rejeitando o «imperativo humanitário» invocado pelo «socialista» Hollande para justificar a agressão francesa, o artigo explica que a operação «Sangaris» pretendeu contrariar a crescente influência da China e garantir o controlo das reservas de ouro, diamantes e urânio no subsolo centro-africano. E, claro, do petróleo.

Ndenkop recorda que o ex-presidente Bozizé estabeleceu laços económicos com Pequim e entregou à empresa estatal CNPC (China National Petroleum Corporation) a exploração petrolífera de Boromata, no Nordeste do país, antes concessionada à companhia estado-unidense Grynberg RSM – o que provocou a cólera de Paris e Washington.
O próprio Bozizé, outrora aliado dos franceses, revelou à rádio RFI as razões do seu afastamento: «Fui derrubado por causa do petróleo». Pouco antes do golpe, já tinha declarado: «Dei o petróleo aos chineses e isso tornou-se um problema».
Em suma: os Estados Unidos e a França não toleraram que um seu «protegido» tenha ousado estabelecer relações de cooperação com a China. Por isso, armaram um grupo de «rebeldes», derrubaram o governo de Bangui e inventaram um conflito «religioso»…

Conflito fratricida no Sudão

Vizinho da RCA, o Sudão do Sul está desde 15 de Dezembro mergulhado numa guerra civil, que já causou milhares de mortos e de refugiados.
Travam-se combates entre tropas governamentais, leais ao presidente Salva Kiir, e forças ligadas ao antigo vice-presidente, Riek Machar, demitido em Julho e agora acusado de tentativa de golpe de estado. Os media têm sobrevalorizado a dimensão «tribal» do conflito, já que Kiir é da etnia dinka e Machar pertence ao grupo dos nuer.

As Nações Unidas e os países da região, liderados pelo Quénia e pela Etiópia, estão a tentar pôr termo à guerra, levando as partes beligerantes ao cessar-fogo e à mesa de conversações.
Há também tropas estrangeiras no país, independente desde 2011, quando se separou do Sudão, após um conflito armado de décadas. O Uganda já enviou 300 soldados para apoiar o presidente Kiir. A ONU reforçou a Minuss, elevando o contingente de «capacetes azuis» para mais de 12 500 militares. Também os Estados Unidos, principais padrinhos da independência do Sudão do Sul, enviaram para Juba, a capital, uma centena de fuzileiros para evacuar cidadãos norte-americanos.

E há, igualmente, o petróleo. O Sudão do Sul tem petróleo – a chinesa CNPC lidera a produção e pesquisa – e exporta-o pelo Mar Vermelho, através de oleodutos que passam pelo Sudão, o que transforma o «ouro negro» na principal fonte de receitas dos dois estados. 

As tragédias que os povos centro-africano e sul-sudanês vivem nestes dias são exemplos das consequências de intervenções militares estrangeiras em África visando a neocolonização do continente, a intensificação da exploração dos seus trabalhadores e do saque das suas riquezas. 

No quadro do agravamento da crise do capitalismo mundial, potências imperialistas como os Estados Unidos e a França, com o apoio de sectores corruptos das burguesias nacionais que elas alimentam, continuam hoje, também em África, a instigar divisionismos, acicatar conflitos étnicos ou religiosos, provocar golpes de estado, fomentar guerras civis – enfim, a recorrer ao seu vasto arsenal de armas e meios para dominar e pilhar os povos.


E agora ??

Mil passageiros da TAP retidos em Bissau

Cerca de mil passageiros da TAP estão retidos em Bissau sem poderem sair do país. Compraram bilhete de ida e volta e agora não sabem o que fazer, porque a TAP suspendeu todos os voos para a Guiné- Bissau.

 Reportagem RTP - AQUI


Movimento Patriótico da Guiné-Bissau promete impugnar o recenseamento eleitoral

A ameaça foi feita hoje em conferência de imprensa do pastor Augusto Paulo, que serviu para denunciar "irregularidades e vícios já visíveis" no processo do recenseamento eleitoral iniciado a 01 de dezembro passado.
O partido diz que tem sido "quase que impossível" obter informações precisas no GTAPE (Gabinete Técnico de Apoio ao Processo Eleitoral), instituição do Governo que coordena o recenseamento, sobre o andamento do processo.


Ex-primeiro-ministro, Carlos Gomes Júnior, quer participar das eleições

O ex-primeiro-ministro da Guiné-Bissau, Carlos Gomes Júnior, do PAIGC, garante que o seu recenseamento, na cidade da Praia, em Cabo Verde, marcou o processo da sua participação nas eleições gerais no seu país, previstas para 16 de março.


 O ex-primeiro-ministro da Guiné-Bissau, Carlos Gomes Júnior, do PAIGC, garante que o seu recenseamento, sábado passado, na cidade da Praia, em Cabo Verde, marcou o processo da sua participação nas eleições gerais no seu país, previstas para 16 de março próximo.
Em Portugal, desde o golpe de Estado de 12 de abril de 2012 contra o seu Governo, Carlos Gomes Júnior reafirma, desta forma, a sua determinação a regressar à Guiné-Bissau.
No entanto, para regressar, é fundamental que estejam reunidas as condições necessárias para que o processo eleitoral decorra com normalidade e segurança, nomeadamente as liberdades de expressão e de manifestação.
Destas condições consta também a segurança para que todos os guineenses que queiram regressar à terra mãe o possam concretizar, de acordo com as premissas de um Estado de direito democrático e garantias já avançadas pela comunidade internacional, nomeadamente as Nações Unidas e a União Africana, da realização de eleições livres e justas, inclusivas e transparentes.
O presidente do PAIGC, que passou a quadra festiva na cidade da Praia e que deve regressar  nos próximos dias a Portugal,  "acompanha com muita preocupação e tristeza o rumo que o seu país tomou desde o golpe de Estado", segundo a Panapress.
Carlos Gomes Júnior espera que as autoridades ilegais que assumiram de forma ilegítima o poder na Guiné-Bissau saibam terminar o processo de transição.
"Não é por ser um Governo inclusivo com todas as forças políticas presentes, incluindo os partidos políticos sem representação na Assembleia Nacional Popular, logo, sem legitimidade popular, que lhe confere a legalidade necessária para governar e representar o povo", frisou, citado pela agência de notícias.
Ele sublinhou que "urge concluir o processo de transição e devolver a palavra ao povo".
Para Carlos Gomes Júnior, "esta é a última oportunidade que a comunidade internacional oferece à Guiné-Bissau para que o país possa retomar o processo de normalidade democrática e de respeito pela ordem constitucional".
Carlos Gomes Júnior, que venceu a primeira volta das eleições presidências e era apontado como o favorito na segunda volta do escrutínio, interrompido pelo gole de estado de 12 de abril de 2012,  disse confiar na força e na determinação do povo guineense.
A seu ver, desde a interrupção do processo democrático no país, soube "resistir às adversidades impostas, nomeadamente a privação de liberdades fundamentais garantidas pela Constituição da República e a degradação crescente das condições sociais e económicas.
Também soube resistir ao isolamento internacional que priva os guineenses da ajuda e assistência internacionais fundamentais no domínio da saúde, da educação e do desenvolvimento económico", acrescentou.
Carlos Gomes Júnior disse acreditar que o tempo está a chegar para, juntos, os guineenses ultrapassarem os desentendimentos e os desafios e advogou "a conciliação e o empenho de todos na construção de um país melhor para todos".
O presidente do PAIGC conta regressar brevemente à Guiné-Bissau para, em conjunto com o Governo eleito nas próximas eleições, ajudar a realizar o sonho de Amílcar Cabral e guiar a construção de um Estado próspero".

 (in: pdigital)

Ministro das Relações Exteriores chinês visitará a África



  A escolha da África como o destino da primeira visita do ministro das Relações Exteriores chinês no ano novo mostra a importância da África para a China, segundo Qin Gang. 

  Ele acrescentou que tem sido uma tradição desde 1991 para os ministros das Relações Exteriores chineses visitarem primeiro a África a cada ano novo. 

  "Também é a primeira visita realizada pelo ministro das Relações Exteriores chinês à região sul do deserto Sahara da África depois que a nova administração da China assumiu o cargo", disse.
  A China acredita que a visita vai aprofundar a amizade, a confiança mútua e a cooperação entre os países, e promover a amizade sino-africana de cooperação, de acordo com o porta-voz.
  Wang viajará a convite dos ministros das Relações Exteriores da Etiópia, Tewodros Adhanom, do Djibouti, Mahamoud Ali Youssouf, de Gana, Hannah Tetteh, e do Senegal, Mankeur Ndiaye. 

(in: xinhua)

Kumba Ialá anuncia apoio a Nuno Nabian para presidente da G-Bissau

Numa conferência de imprensa na sua residência em Bissau, Kumba Ialá afirmou que se retirou da corrida eleitoral "a favor do engenheiro Nuno Nabian", que disse ser o "candidato ideal para a Guiné-Bissau". 


 

"Para mim, neste momento a pessoa ideal para dirigir o país na estabilidade é o engenheiro Nuno Nabian", destacou Kumba Ialá, acrescentando não ter encontrado nenhuma figura com perfil para ser presidente no seu Partido da Renovação Social (PRS). 
Kumba Ialá disse que a partir desta quinta - feira vai iniciar a campanha eleitoral a favor de Nuno Nabian nas 'tabancas' (aldeias) da Guiné-Bissau. Nuno Nabian é uma figura desconhecida do grande público guineense.
Engenheiro de aviação formado na antiga União Soviética, Nuno Nabian,de 50 anos, é o actual presidente do conselho de administração da agência guineense de aviação civil.
Sobre o apoio de Kumba Ialá à sua pessoa, Nabian afirmou tratar-se de uma "grande responsabilidade", o que, enfatizou, fará com que trabalhe para honrar a aposta do ex-presidente guineense. 
O apoio de Kumba Ialá "é a melhor prenda de Ano Novo" para Nuno Nabian, conforme disse o próprio que promete trabalhar para ser eleito e mudar a Guiné-Bissau.


Recenseamento eleitoral prolongado em 30 dias

O Governo de transição prorrogou por mais 30 dias o prazo para a inscrição dos cidadãos guineenses, com vista às eleições Gerais ainda agendadas para 16 de Março.


De acordo com Baptista Té, ministro da Administração Territorial e Poder Local, entidade encarregue de executar este processo através do seu Gabinete Técnico de Apoio ao Processo Eleitoral (GTAPE), a necessidade de alargar o prazo pela terceira vez prende-se com a abrangência de um maior número de pessoas que ainda não foram identificadas.

Um grupo de 17 partidos políticos chamou o Governo de transição a assumir as suas responsabilidades enquanto entidade organizadora do processo de recenseamento.

Em nota de imprensa à qual a PNN teve acesso, os signatários deste documento, entre os quais se destacam o Partido da Renovação Social (PRS) e o Partido da Republicano da Independência e Desenvolvimento (PRID), exigem que seja aumentado o número de «kits» eleitorais de forma a corresponder às exigências dos trabalhos, melhorando as condições de logística de todo o processo.

«A nível organizacional e logístico, o recenseamento está a ser realizada de forma insegura e triste porque, mesmo com a falta de informação e da campanha de educação cívica, os guineenses estão disponíveis para se recensearem mas, no entanto, as insuficiências de materiais estão a desencorajar e a irritar fortemente as pessoas», lê-se no documento.

O grupo advertiu ainda para que, em caso de insuficiência de eleitores necessários para as eleições deste ano, o colectivo de partidos políticos, junto do GTAPE, vai responsabilizar o Governo de transição pelas consequências que advierem deste processo.


Serifo incita cidadãos a «ajustarem contas através das urnas»

O Presidente de transição incitou os guineenses no sentido de fazerem um «ajuste de contas» nas urnas, em referência à realização das próximas eleições Gerais, agendadas para 16 de Março.



«Ajuste de contas nas urnas e não por via das forças, colocação de pessoas no poder pela via da força de voto e não por outras vias, é o que eu quero aqui apresentar ao povo da Guiné-Bissau», disse Manuel Serifo Nhamadjo, que fez estas declarações por ocasião da passagem do ano, durante a recepção que foi oferecida a 31 de Dezembro nas instalações da Agência de Cooperação de Timor-Leste em Bissau, na qual participaram representantes de algumas Embaixadas acreditadas no país.

O Presidente de transição disse esperar que 2014 seja o ano da reintegração da Guiné-Bissau no concerto das Nações Unidas e na estabilidade, sublinhando os esforços de todos os guineenses.

Ao nível da classe política Serifo Nhamadjo apelou o envolvimento dos políticos na coabitação, na inclusão e no sucesso do actual processo eleitoral em curso, para que, a quem for eleito, seja dada a oportunidade de governar e terminar o seu mandato.

«Que a família política guineense saiba fazer a inclusão para que possamos ter umas eleições justas, livres e transparentes e àquele que ganhar seja dada a oportunidade de concluir o seu mandato», frisou.

Com olhos postos no próximo poder, Nhamadjo lembrou que quanto mais dificuldades houver nesta transição, mais dificuldades enfrentará o próximo poder, que perderá muito tempo na gestão de problemas em vez de pensar no desenvolvimento. O Presidente de transição solicitou o empenho de Timor-Leste neste sentido.

No encontro, Nhamadjo agradeceu o empenho do Representante do secretário-geral das nações Unidas na Guiné-Bissau, José Ramos-Horta, e da comunidade timorense envolvida no processo eleitoral em curso.

quinta-feira, 2 de janeiro de 2014

Entre a visão e a consciencialização existe a Nação

É, sobretudo, através da Educação que formamos consciências, construímos personalidades e preparamos cidadãos capazes de perspetivar o futuro e participar na sua construção. Começa no pré-escolar e tem nas instituições de ensino superior consignatários de valores, atitudes, e, acima de tudo, fortes indutores de desígnios universais, ajudando a formar pessoas, a dar-lhes mundo.


Quando lhe perguntei o que pretendia para sua terra e seu povo respondeu-me, num tom suave e sincero, que tinha apenas uma “visão e um projeto de construção de valores através da educação e referências estáveis”.

Decorria o ano de 1999, um período de expansão e crescimento europeu consubstanciado numa lógica de parcerias entre as cidades e regiões que por força de uma estratégia regional comum poderiam ser alavancados programas e projetos de desenvolvimento com grande impacto nos territórios. Como é óbvio, tal como as organizações, também os países, as cidades e as regiões são diferentes, pois cada um tem uma cultura organizacional que a distingue e singulariza, uma identidade e uma linguagem social própria, pelo que o desenho dos programas e políticas públicas têm essencialmente a ver com as prioridades que cada um planeia na lógica de uma integração mais global e coesa.

As Nações precisam disso e regem por esse princípio de articulação e correspondência direta das políticas que defendem e desenvolvem. Porém, a falta de visão estratégica de alguns, tendo sobretudo uma identificação pouco precisa dos objetivos claros e coerentes, não conseguem lidar com os processos e nem com os fatores críticos de sucesso. Precisam, sobretudo, de encontrar um caminho para se manterem no quadro da competitividade, salvaguardando o bem-estar dos seus povos. Este é o espírito de missão que carateriza um político visionário com capacidade de decisão e determinação, capaz de combinar recursos técnicos, humanos, financeiros, materiais e gestão da informação colocados à sua disposição e projetar uma visão clara sobre a dinâmica da construção de uma cidade e/ou de um País.


Após 15 anos de forte investimento, em termos de capital financeiro e humano, infraestruturas básicas e científicas, tornou-se numa cidade moderna com referência mundial nas áreas da Educação e do Desporto. Infraestruturou a cidade com a rede de saneamento básico e de abastecimento de águas, procedeu a revisão do plano diretor municipal, defendeu um programa estratégico, equipou a mesma com centros escolares de topo, revitalizou o espaço industrial e criou uma área de localização empresarial, negociou o parque eólico e rede de energia elétrica, criou infraestruturas de apoio a idosos, investiu nas acessibilidades e redes de comunicação, dotou a cidade de equipamentos desportivos, creches, jardim-de-infância, centros de dia e lares de idosos, etc.

Hoje, quinze anos depois, já não é mais o alto dignatário do concelho/cidade, mas deixou um legado para o seu povo, pois cada criança que nasce a certeza de uma creche, jardim-de-infância, ciclo preparatório, ensino básico, secundário, escola profissional e ensino superior. Hoje, um idoso pode optar, caso pretende estar na companhia dos demais da sua idade, por um lar e um centro de dia. Se precisar de um médico e de um centro de saúde ou de um hospital tem à sua disposição equipa médica, material e medicamentos.

Tudo isso acontece num concelho com pouco mais de 272 km2 e com menos de 25 mil habitantes, onde o maior recurso são as pessoas, o povo, os homens e mulheres que acreditam numa causa, procuram cumpri-la com paixão, dedicação e trabalho, sendo a Educação a arma e a esperança.

Na verdade nada disso tem a ver com o ensaio que quero aqui reproduzir e que passa essencialmente por abordar a Guiné-Bissau e a forma como se pretende organizar o País, definindo uma ideologia enquanto “Entidade”, apostar numa cultura de valores e princípios que regem os homens e mulheres de bem.
A primeira parte do artigo poderia ser uma história, ou um acontecimento ocorrido em qualquer parte do mundo, sem identificação precisa do espaço, território e dimensão do objeto. Tudo depende da perspetiva e da forma como encaramos a consciencialização e a construção da Nação, colocando o bem comum e o interesse coletivo em primeiro lugar, abandonando o dogma da individualidade e o culto da posse.

Quando me confronto com o pensamento ideológico do fundador da nacionalidade guineense, Amílcar Cabral, vejo o homem e percebo o revolucionário, visionário que desenhou todo um projeto de construção da Nação tendo como pressupostos base a essência, a cultura e a identidade de um povo. Percebeu, desde logo, que a luta de libertação nacional exigia um sentimento de pertença e seria por ali que a organização e construção da Nação seria desencadeada, pois o que interessava, numa primeira fase, era expulsar o ocupante e destruir todas as formas de exploração do homem pelo homem. A seguir, era preciso realismo, ou seja, considerar a realidade concreta. Defendia que “nós temos que ter consciência da realidade, não só da realidade geral da nossa terra, mas das realidades particulares de cada coisa, para podermos orientar a luta corretamente. Os responsáveis ou os dirigentes que têm esse sentido da realidade em consideração, que não pensam que a verdade é aquilo que têm na cabeça, mas que a verdade é aquilo que está fora da sua cabeça, só esses é que podem orientar bem o seu trabalho de militantes, de responsáveis, numa luta como a nossa”. A propósito, sobre este assunto, recomendo a consulta da Revista Internacional de Estudos Africanos N.º 2, Junho/Dezembro, 1984, pp. 63-92, “As dominantes teóricas no pensamento de Cabral”, por Carlos Lopes.

Na verdade, as organizações surgem devido ao facto dos indivíduos terem objetivos que só podem ser alcançados mediante atividade organizada, sendo o elemento básico as pessoas cujas interações dão forma à organização. Assim acontece com as cidades, regiões, Estados e/ou Países, devendo ser essa a “condição sine qua non” para se alavancar projetos de construção das Nações, tendo como suporte básico “Educação, Valores, Referências Estáveis e Ética Política”.
No caso particular do nosso País, não existem dúvidas que os guineenses têm cada vez menos confiança nas instituições. O Estado e a Administração Pública Guineense é um conjunto de sistema mal compreendido e complexo. Para muitos é algo distante mas que, ao mesmo tempo, se intromete demasiado e com a qual tem que conviver. A mudança exige um envolvimento responsável e ativo, mas também inovação. Ou seja, o governo dá lugar à governação, que coloca a tónica na cidadania redefinindo fronteiras entre o Estado e a Sociedade, sendo valorizada a participação ativa desta para enfrentar os desafios da governação, nomeadamente a legitimação do poder das autoridades públicas. É importante que os governos tomem consciência de que não podem conduzir e implementar políticas, por muito boas que sejam, se os cidadãos não as entenderem e apoiarem. É necessário talento, criatividade, esforço e empenho da governação, dos cidadãos e das empresas, sem medo, sem “mas”, para encontrar soluções adequadas aos novos desafios. Nós os guineenses somos criativos, sabemos o que seria bom fazer, mas, normalmente, não fazemos, não damos o passo seguinte: Agir.

O Estado, o governo e as autoridades devem dar resposta às expectativas dos cidadãos em termos da participação ativa que no fundo desejam. A questão reside em tornar mais aberto o seu funcionamento. Tornar-se num instrumento ao seu serviço e não no seu encalço.

Citando o meu caro amigo e Prof. Mozzicafreddo (2003), “uma prática administrativa e política, alheada das exigências dos cidadãos em matérias de responsabilidade face à utilização dos recursos públicos, face às decisões vinculantes que afetam os indivíduos e face aos riscos e incertezas da sociedade, aprofunda o défice de legitimidade e desempenho dos sistemas administrativo e político, corroendo para o efeito a Nação e criando a lógica da corrupção e do facilitismo”.
Ora, a corrupção constitui uma ameaça para o Estado de direito, a democracia e os direitos do homem, mina os princípios de boa administração, de equidade e de justiça social, falseia a concorrência, entrava o desenvolvimento económico e faz perigar a estabilidade das instituições democráticas e os fundamentos morais da sociedade.

Por outro lado, o baixo nível de literacia ainda verificado na população guineense constitui um forte obstáculo ao envolvimento dos cidadãos nos assuntos públicos. A Educação é sobejamente reconhecida como um pilar de Cidadania, daí a sua importância para desenvolver os conhecimentos, atitudes e competências essenciais para se ser cidadão.

É, sobretudo, através da Educação que formamos consciências, construímos personalidades e preparamos cidadãos capazes de perspetivar o futuro e participar na sua construção. Começa no pré-escolar e tem nas instituições de ensino superior consignatários de valores, atitudes, e, acima de tudo, fortes indutores de desígnios universais, ajudando a formar pessoas, a dar-lhes mundo. Hoje, entendo o homem que há cerca de quinze anos atrás reforçou a lógica da construção de valores com base na identidade, cultura e educação.

Era isto que gostaria de partilhar convosco nesta primeira semana do ano 2014 que augura bons ventos por bandas da nossa terra amada. Um bem-haja a todos e a Pátria que amamos!

Lisboa, 02 de Janeiro de 2014.

Luís Vicente


Utopia ou realidade ?

C/ A DEVIDA VÉNIA, FOTO DE:

DANIEL RODRIGUES, PRÉMIO " WORLD PRESS PHOTO" - 2013


(Foto em GBissau de Daniel Rodrigues)

























2013 começou mal mas, depois, o sonho da minha vida realizou-se: ganhar um World Press Photo! Voltei a ter máquina para fotografar, fui a Amsterdão, onde passei uns dos melhores dias da minha vida, e depois realizaram-se projectos, viagens e um pouco de tudo! Apanhei malária, o que não foi lá muito fixe, mas é sempre uma experiência. Neste vídeo podem ver um pouco do que fiz este ano. A música é aquela que passou na gala do WPP na apresentação dos vencedores. Para 2014 espero ter mais viagens, trabalho, realizar os meus projectos e, claro, saúde Bom ano! (D.R.)

Video de Daniel Rodrigues, AQUI

Petróleo na Guiné-Bissau tem mais potencial que o previsto

O estudo independente encomendado pela CAP Energy a uma consultora francesa relativamente à exploração de petróleo na costa da Guiné-Bissau "confirmou não só o potencial [dos blocos], como parece estar acima das expetativas", anunciou a empresa num comunicado ao mercado.


"Os directores estão muito contentes, não só com o potencial do Bloco 5B, que foi confirmado, mas também parece estar acima das expectativas iniciais", lê-se no comunicado enviado pela CAP Energy, que explora petróleo nos blocos 1 e 5B na costa da Guiné Bissau em parceria com a Atlantic Petroleum Guinea-Bissau Limited, uma subsidiária da Trace Atlantic Oil.
No comunicado, explica-se que foi pedida à francesa Beicip-Franlab, uma subsidiária do Instituto Francês do Petróleo, uma interpretação independente relativamente à informação sísmica obtida durante este ano, já depois de outro estudo encomendado pela empresa.

(lusa-Londres)
 

Serifo Nhamajo elogia Ramos-Horta no discurso de fim-de-ano

O Presidente de transição da Guiné-Bissau, Manuel Serifo Nhamajo, na alocução de fim-de-ano no âmbito da Missão de Timor-Leste, agradeceu ao «ilustre timorense» José Ramos-Horta a sua «experiência e dedicação», exemplos «a transmitir a todos os guineenses».


Serifo Nhamajo falava na noite de passagem de ano na Missão (de Timor-Leste) de Apoio ao Processo de Recenseamento Eleitoral na Guiné-Bissau, num evento co-organizado pelo Representante Especial do Secretário-Geral das Nações Unidas e pelo Chefe daquela missão, o Secretário de Estado da Descentralização Administrativa timorense, Tomás Cabral.

O Presidente de transição guineense enalteceu na personalidade de José Ramos-Horta «a amizade, dedicação e solidariedade da comunidade timorense, neste caso não só com a capa da ONU como representante do secretário-geral, mas também como ilustre timorense, ex-Presidente da República e Nobel da Paz. Nós fazemos votos para que esta experiência e dedicação sejam transmitidas a todos os guineenses e que possamos retirar ilações positivas do seu empenhamento, bem como de toda a comunidade timorense».

O Chefe de Estado de transição afirmou que «é nos momentos difíceis que se conhece os irmãos, os amigos. Se todos nos juntarmos para que a transição seja pacífica, o próximo poder terá maior facilidade em galvanizar esforços para o desenvolvimento pretendido».

José Ramos-Horta referiu que «juntos vamos tentar contribuir, dentro da modéstia da ONU e juntamente com todos os outros parceiros, para levar a bom termo a realização das eleições em Março e o retorno à ordem constitucional, para que um novo capítulo de democracia, estabilidade e desenvolvimento se abra para a Guiné-Bissau».

Na mensagem de fim de ano, Manuel Serifo Nhamajo desejou «a todos um feliz Ano Novo e que a amizade Guiné-Bissau – Timor-Leste seja cada vez mais consolidada, bem como a da Guiné-Bissau com o mundo, através das Nações Unidas e dos outros parceiros, sejam a União Africana
(UA), a CEDEAO (Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental), a CPLP (Comunidade dos Países de Língua Portuguesa) e a UE (União Europeia). Que 2014 seja o ano da reintegração da Guiné-Bissau no concerto das Nações».

«Para que tenhamos um país estável e próspero, é preciso o esforço de todos sem excepção. Temos de fazer um esforço para coabitar na diferença e no respeito mútuo entre as pessoas, os Estados e, ao nível da política partidária, que também a família política guineense saiba fazer um esforço para a coabitação, para que haja inclusão, e não exclusão, para que possamos de facto fazer eleições tranquilas e transparentes», continuou o Presidente de transição.

Sobre o resultado das eleições, Serifo Nhamajo disse que, «àquele que ganhar, que lhe seja dada a oportunidade de terminar o mandato e, depois, ser sancionado nas eleições seguintes, de modo que a Guiné-Bissau possa definitivamente inaugurar um ciclo de eleições com o ajuste de contas (políticas) nas urnas e não pela via da força, com a colocação de pessoas no poder pela via do voto e não através de outras vias».

No acto participaram cerca de duas centenas de convidados, além do Presidente da República de transição da Guiné-Bissau, do Primeiro-ministro de transição, Rui Duarte de Barros, membros do Governo, altas patentes militares, líderes partidários do PAIGC e do PRS, corpo diplomático e representantes de organizações internacionais, de entre outras personalidades.


quarta-feira, 1 de janeiro de 2014

Nhamadjo aborda vários assuntos na mensagem de fim de ano

Na tradicional mensagem de fim de ano, o Presidente de transição, Manuel Serifo Nhamadjo, abordou vários assuntos a nível nacional e internacional.



Desde a economia da Guiné-Bissau, à ultima campanha de comercialização de castanha, à sociedade, aos sindicatos, transportes, infra-estruturas, electricidade e estradas, algumas das quais em vias de asfaltarão no que respeita ao interior do país.

A situação de reformas nos sectores da Defesa e Segurança, Justiça e o processo eleitoral em curso no país, assim como o caso dos cidadãos sírios que embarcaram em Bissau para Lisboa, também foram outros assuntos que não escaparam à atenção de Serifo Nhamadjo.

Neste sentido, Nhamadjo disse que a Guiné-Bissau ainda continua a passar por um período de muitas turbulências, iniciadas em 2012. «Não é dúvida para ninguém que o nosso país tem passado e continua a passar turbulências em todos os sentidos», disse.

Com efeito, o Presidente de transição afirmou que as consequências destas turbulências foram sentidas na vida económica e nos guineenses. Assim, sublinhou que tudo aconteceu numa altura em que a Guiné-Bissau ainda mais se precisa e foi virada as costas.

No que diz respeito ao sector da Justiça, Nhamadjo referiu que a mesma não pode ser imposta pela lei da força, manifestando-se preocupado com os processos judiciais.

A situação do clima de insegurança foi outro dos temas abordados pelo Presidente de transição.

Serifo Nhamadjo mostrou-se preocupado com a última campanha de comercialização de castanha de caju, sublinhando a necessidade de se trabalhar mais sobre a próxima campanha agrícola da castanha.

No que se refere a perspectivas, Nhamadjo anunciou o início das obras de reabilitação de vias rodoviárias no interior do país e a conclusão do estudo sobre a construção da Ponte de Rio Farim.

Sobre o assunto de destaque na actualidade guineense, ou seja, o caso do embarque dos cidadãos sírios no dia 10 de Dezembro, Nhamadjo disse que continua a esperar a reacção do chefe do Governo de transição sobre o pedido de demissão apresentado por Delfim da Silva e o facto de o ministro do Interior, António Suca Ntchama, ter colocado o seu lugar à disposição.

À comunicação social, apresentou uma curta nota, embora muito importante no alegado trabalho de reconciliação dos guineenses.

No que respeita ao falhanço no cumprimento da data inicialmente agendada para as eleições gerais, no dia 24 de Novembro, Nhamadjo disse que esta situação não aconteceu devido à falta de verbas, o que levou os chefes de Estado dos países membros da CEDEAO a reunir-se em Dakar para atribuir verbas ao país para que fosse possível iniciar o trabalho.

Em relação ao processo de recenseamento eleitoral em curso na Guiné-Bissau, o Presidente de transição apelou à participação de todos nesta inscrição, com o escrutínio agendado para 16 de Março. Nhamadjo aproveitou a ocasião para revelar que, neste momento, já se encontram no terreno 150 kits de recenseamento eleitoral, agradecendo o apoio prestado por Timor-Leste neste processo.

A terminar, o Presidente de transição afirmou que jamais haverá instabilidade militar na Guiné-Bissau, sublinhando que fará de tudo para que todas as pessoas possam recensear-se, mesmo que seja necessário solicitar à Assembleia Nacional Popular para reduzir as datas, com vista a não comprometer o dia 16 de Março 2014.


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