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Joseph Pulitzer

quinta-feira, 5 de maio de 2016

Aposta no microcrédito para fazer crescer economia social lusófona

O presidente de Cabo Verde, Jorge Carlos Fonseca sublinhou o "importante e incontornável" contributo da economia promovida por cooperativas, associações mutualistas, associações comunitárias, fundações, e outras, no desenvolvimento dos países.


"A cereja em cima do bolo, neste sistema de coisas seria a 'bancarização' do sistema de microcrédito, com inclusão na Câmara de Compensação", sustentou.

O chefe de Estado cabo-verdiano falava para uma plateia de cerca de centena e meia de representantes das várias organizações de países lusófonos durante a sessão de abertura do I Congresso da Economia Social e Solidária do Espaço Lusófono, que decorre até sábado na capital cabo-verdiana.

Jorge Carlos Fonseca desafiou também os participantes a debruçarem-se sobre esta questão e incluírem nas recomendações do congresso a "criação de bancos de desenvolvimento social".

A economia social regista um crescimento significativo em vários países do mundo, segundo as Nações Unidas, mas entre os países lusófonos apenas o Brasil e Portugal têm contabilizado o seu peso no crescimento económico dos países.

Por isso, um dos objetivos do Congresso passa também por lançar as bases para a realização de uma avaliação global do peso da economia social na Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP).

"Uma das orientações deste congresso é fazer o mapeamento da realidade da economia social na CPLP e construir indicadores verificáveis e universalmente aceites", disse aos jornalistas Jacinto Santos, presidente da organização não-governamental (ONG) Citi-Habitat, anfitriã do congresso.

No caso concreto de Cabo Verde, Jacinto Santos adiantou que um estudo recente feito num universo de 724 organizações concluiu que só as associações e as ONG criavam mais de dois mil postos de trabalho diretos.

O responsável assinalou que a taxa de penetração associativa em Cabo Verde corresponde a 46 por cento da população cabo-verdiana, com grandes efeitos na formação profissional e na empregabilidade.

No entanto, Jacinto Santos adiantou que faltam ainda ao país muitos dados para conseguir construir uma conta satélite da economia social e solidária, como existe em países como Portugal, que prepara já a segunda edição deste instrumento de contabilidade.

"O nosso objetivo é caminharmos no sentido de vir a ter também uma conta satélite da economia social e solidária", disse, acrescentando que é também objetivo do congresso criar uma "rede lusófona da economia social solidária".

Eduardo Graça, da Cooperativa António Sérgio para a Economia Social, de Portugal, que representa a Organização das Cooperativas dos Países de Língua Oficial Portuguesa (OCPLOP), falou sobre a realidade portuguesa da economia social.

"É uma realidade expressiva do ponto de vista económico e da criação de emprego constituída por cerca de 63 mil entidades (organizações, associações, mutualistas, IPSS, etc.) com um contributo de cerca de 3% para o Valor Acrescentado Bruto e de pelo menos 5,5 % para o emprego remunerado. É já hoje em Portugal uma realidade com expressão económica e social", disse.

Eduardo Graça mostrou-se convencido que este congresso e outras iniciativas que estão previstas neste âmbito irão "desembocar num trabalho conjunto que permitirá valorar, valorizar e compreender no plano estatístico esta realidade no conjunto dos países lusófonos", acrescentou.

Presente na abertura do congresso, a representante do sistema das Nações Unidas em Cabo Verde, Ulrika Richardson, sublinhou os resultados positivos do modelo misto deste tipo de economia [público, privado, social e solidário) em países do norte da Europa como a Dinamarca, Holanda, Finlândia, Noruega e Suécia, onde a economia social e solidária representa cerca de 35 por cento do Produto Interno Bruto.

Apontou ainda o exemplo do Brasil, onde em 2014, mais de três milhões de pessoas trabalhavam de forma associativa em iniciativas de economia social e solidária.

"As cooperativas na Argentina, Brasil, Indonésia e Quénia empregam entre 250 mil e 300 mil pessoas em cada país. Em todo o mundo, as cooperativas asseguram 100 milhões de empregos", disse.
 
 
 
 

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