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Joseph Pulitzer

segunda-feira, 16 de setembro de 2013

Repensar é urgente

Repensar o nosso papel enquanto cidadãos



Hoje, mais do que nunca, impõe-se que a participação cívica e política seja a base para uma reforma séria e profunda do conceito Estado e nação guineense. Por tudo o que tem acontecido na Guiné-Bissau, não fosse a mera ausência de uma cidadania forte e exigente, talvez deveríamos repensar o nosso papel enquanto cidadão, bem como a nossa capacidade de analisar e compreender correctamente o exercício do poder.
Na realidade, manifestamos as nossas angústias e projectamos a nossa confiança no dia seguinte, mas esquecemos que talvez o momento é agora e que tudo deverá ser feito agora, tendo como bases a educação, a justiça, a organização e a disciplina. No entanto, só entendemos a amplitude destes conceitos se tivermos em conta que a educação permite moldar o comportamento dos indivíduos para uma ordem coerente com o bem colectivo, evitando dessa forma quem persegue unicamente os próprios interesses particulares e reprováveis.

Em boa verdade, o País tem vindo a confrontar-se com uma lógica dominante e característico do sistema "Especialização em "aldrabice". Esta lógica foi alimentada durante vários anos, triunfando assim o mal sobre o bem e aniquilando quaisquer expectativas de que a nação deveria assentar-se sobre os pilares da justiça, da educação e da formação do homem guineense. Na nossa sociedade é muito mais fácil criticar do que valorizar, denegrir do que engrandecer, este tem sido o método utilizado desde a luta de independência até hoje, criando dessa forma espaços para promoção de indivíduos e de situações como as que têm acontecido de alguns anos a esta parte. Cada vez que surgem falhas no processo de afirmação democrática, automaticamente surgirão indivíduos capazes de utilizar esta falha para o proveito próprio e de forma abominável.

De quem será então a culpa? Obviamente de todos nós! Precisamos de compreender que a virtude cívica está intrinsecamente vinculada à educação. Não são qualidades que nascem com o homem, mas são cultivadas nele através de um processo formativo. A educação tanto pode formar homens dotados das virtudes imprescindíveis para ser um bom cidadão, quanto pode fazer dele uma pessoa fraca e arrogante. De alguma maneira, os homens são o que a educação fez deles, como dizia Nicolau Maquiavel.
Alguém acredita que os que têm governado nestes últimos 40 anos são produtos do divino? Claro que não! São produtos gerados por nós enquanto sociedade e povo, pois não conseguimos entender que a essência está na formação do individuo enquanto ferramenta de afirmação de uma nação.


É urgente proceder o exorcismo da guerra, das ideologias e da singularidade, no sentido de libertar os nossos medos e anseios daquilo que deveria caracterizar a qualidade de cidadão como um todo. Talvez seja até necessário refundar o Estado e a Nação, mas então que seja feita. Essa refundação deverá ser feita sobre o condão da justiça, defendida por cidadãos com responsabilidades e competências necessárias, que defendem a subordinação dos interesses particulares ao bem púbico, que combatem a tirania e que alimentam o desejo de atingir a glória e a honra para si e para a pátria. Para que isso aconteça é necessário fomentar a cultura do homem guineense com o essencial de patriotismo e virtude cívica, pois desenvolvem nele as capacidades de servir a pátria até com a própria vida, se necessário.
É sobejamente discutido e reconhecido o falhanço na edificação do homem guineense e pouco se tem feito no sentido de corrigir isso. Mas será que não existem homens e mulheres a altura do ideal patriótico? Claro que existem, apenas devem saber ocupar o seu espaço e afirmarem-se naquilo que mais sabem fazer, cada um na sua área e especialidade, nomeadamente: carpinteiro, pedreiro, serralheiro, médico, economista, engenheiro, gestor, professor, etc., mas todos imbuídos de um único propósito, Guiné-Bissau em primeiro lugar, pois o importante é pensarmos nos outros e não tanto em nós!

(in: DN, por Luís Vicente)


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