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quarta-feira, 25 de dezembro de 2013

2013 - Ano sombrio na Guiné-Bissau

O ANO de 2013 na Guiné-Bissau fica marcado pelo adiamento das eleições gerais, agravamento da crise económica e social e pelo aumento de casos de violação de direitos humanos.

 


As eleições gerais deviam ter acontecido a 24 de Novembro para o país escolher um Governo e um Presidente que permitissem o regresso à ordem constitucional e ao diálogo com o resto do mundo, depois do golpe de Estado militar de Abril de 2012. Porém, a Guiné-Bissau não se conseguiu preparar a tempo da data marcada pelo Presidente de transição, Serifo Nhamadjo, e as eleições acabaram por ser adiadas para 16 de Março de 2014. Pelo meio, o chefe do Estado-Maior General das Forças Armadas, António Indjai, tem acusado o governo de “incompetência” e “corrupção”, defendendo que o país estaria melhor se tivesse ficado entregue aos militares desde o golpe de 2012.

O general é procurado pelas autoridades norte-americanas, que o acusam de tráfico de droga, na sequência da detenção, em Abril, de Bubo Na Tchuto, antigo chefe da marinha guineense - que aguarda julgamento nos EUA.

A indefinição política e o isolamento estão a sair caro: o Orçamento do Estado perdeu ajudas, o preço dos bens essenciais disparou e, ao mesmo tempo, as receitas das famílias caem, refere o principal inquérito feito no país pela Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO) e pelo Programa Mundial de Alimentação (PMA).
O preço do arroz importado (principal alimento dos guineenses), já chegou a subir 50 por cento em relação ao início de 2012, destaca o relatório do inquérito.

Do lado das receitas, a maioria das famílias queixa-se de ter vendido o caju (principal rendimento da maioria dos agregados) a preços mais baixos que no último ano, por falta de maior atenção das autoridades para o sector e devido ao crescimento de outros produtores mundiais. O relatório conclui que um terço das famílias da Guiné-Bissau vive hoje com falta de comida e é obrigada a cortar refeições.

O PMA e a FAO alertam para o possível agravamento da pobreza no início de 2014, tendo em conta que muitas famílias já hipotecaram a produção futura para terem dinheiro.
Tudo o que é essencial continuou por garantir em 2013: a electricidade e a água potável da rede são bens raramente disponíveis.

No ensino, as escolas públicas não abriram no início do ano lectivo porque os professores têm vários salários em atraso - e onde já abriram há poucos alunos porque os pais não têm dinheiro, revelam os sindicatos e as associações de estudantes.

Na saúde, tal como na educação, os salários em atraso afectam o funcionamento dos serviços, que já por si são muito limitados e dependentes da ajuda humanitária.

Até a execução do programa de luta contra o HIV/SIDA (doença que alastra no país) está a ser afectado, referem os dirigentes do secretariado nacional, que apontam o dedo à instabilidade e ao congelamento de verbas por parte de parceiros internacionais.

A par deste cenário de pobreza crescente, aumentou o número de casos de violação dos direitos humanos, que culminaram com o espancamento de um ministro de Estado, no início de Novembro 
 
(in:lusa) 

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