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Joseph Pulitzer

sexta-feira, 29 de abril de 2016

Estabilidade política depende dos guineenses

Ao discursar na abertura do encontro, que juntou mais de 200 convidados, o enviado do Secretário-Geral da ONU em Bissau, Miguel Trovoada, sublinhou que cabe à ONU e à comunidade internacional “apenas promover o diálogo”, não “dizer aos guineenses o que deve ser feito”.


Miguel Trovoada lembrou as “várias tentativas” feitas para encontrar mecanismos para estabilizar a Guiné-Bissau, mas referiu que “nunca houve uma base sólida”.
A ONU preparou um documento “com subsídios”, mas “são os guineenses que devem entender-se sobre os mecanismos para a fixação de um pacto de estabilidade”, concluiu Miguel Trovoada.

A sede da Assembleia Nacional da Guiné-Bissau foi o palco das jornadas de reflexão com o título em crioulo “No mistida i Estabilidade”, que em português significa “Necessitamos de Estabilidade”.
Os cerca de 200 participantes do encontro, entre representantes do Parlamento, Presidência da República, Governo, poder judicial, militares, líderes tradicionais e religiosos, sociedade civil e parceiros internacionais, analisaram mecanismos de consulta e de diálogo, geradores de confiança e esforços tendentes a facilitar o diálogo e a reconciliação nacional, assim como programas de seguimento e apropriação nacional.
O objectivo do encontro, refere o documento, foi promover uma reflexão que apoie as entidades da Guiné-Bissau “na busca de um consenso nacional sobre a estabilidade”.

Paz ameaçada


O “timing” da conferência internacional promovida pela ONU não foi dos melhores: ocorreu numa altura em que agudizam as tensões entre o PAIGC, o partido do Governo, o Presidente da República, José Mário Vaz, o PRS, a maior força política da oposição, e entre o Parlamento.
Às mais recentes trocas de acusações entre o PAIGC e um conselheiro do Presidente guineense e membro do comité central do partido juntaram-se as do PRS e vinte partidos sem expressão, que acusaram o PAIGC e o presidente do Parlamento de forjarem um Golpe de Estado. Isto com a maioria parlamentar do PAIGC fragmentada.

Às acusações de que Cipriano Cassamá, o presidente do Parlamento guineense, conspira para assumir a Chefia de Estado, o que, alegam os acusadores, podia passar pelo assassinato de José Mário Vaz, o Parlamento respondeu em comunicado que estes partidos de “pretendem assumir o poder sem ser por via das urnas”. É referido no documento divulgado pelo Parlamento guineense que os partidos acusadores “promovem inverdades” para “afundar a Guiné-Bissau”, que Cipriano Cassamá “cumpriu com o regimento do órgão antes de convocar uma sessão extraordinária, conforme sugeriu o Chefe de Estado, José Mário Vaz” e tenta encontrar “um compromisso que viabilize um acordo parlamentar sobre o qual possa ser formado um novo Governo para funcionar até ao fim da actual legislatura, em 2018”.

Políticos promovem a crise


O antigo enviado da ONU para a Guiné-Bissau, José Ramos-Horta, responsabilizou, antes de passar a pasta a Miguel Trovoada, as elites políticas pelo estado de um país “falhado em todos os sentidos”. As forças armadas eram até agora responsabilizadas por tudo o que se passa na Guiné-Bissau “mas são os políticos que manipulam os militares, incitando-os a apoiar uma facção ou outra”, disse José Ramos-Horta.
Para José Ramos-Horta, as elites políticas “são os culpados pelo trágico estado de coisas, pela má gestão, pelo desperdício, pela corrupção e pelo empobrecimento da população” e os militares “apenas se juntaram ao grande assalto realizado pelos políticos, os militares têm-se mantido neutros na mais recente crise política e institucional”.

O chefe das Forças Armadas da Guiné-Bissau, general Biaguê Nan Tan, prometeu este ano, ao denunciar tentativas de aliciamento de militares para “criarem confusão”, que não vai tolerar golpes de Estado e “tolerância zero” a insubordinações militares, crónicas na história das Forças Armadas guineense.
“Vou avisando: não tenho prisão para colocar o soldado que tentar dar um golpe de Estado. O seu lugar será no cemitério. Comigo aqui não há lugar para golpes”.
Analistas referem que anos de instabilidade política resultaram numa série de crises na Guiné-Bissau, com os guineenses a viverem um ciclo de violência política, conflito e má-governação.

Contradições prejudicam a estabilidade política, social e económica, e clivagens políticas impulsionam assassinatos, golpes de Estado e conspirações.
Estes factores alimentam a fragilidade no exercício do poder do Estado e promovem o crime organizado, com destaque para o narcotráfico. Alguns estudiosos dizem que a Guiné-Bissau tem sido vítima de inversão de valores, traições, intrigas e inveja.
Especialistas são unânimes em afirmar que a falta de diálogo e de confiança entre as elites políticas, ao lado da intolerância, estão entre os factores que promovem a instabilidade política, e não poucos defendem uma acção musculada da ONU para inverter o quadro actual da Guiné-Bissau.

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